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Ultramaratonista se perde após tempestade de areia apagar todas as referências no Saara, passa 9 dias e meio sozinho no deserto, bebe a própria urina, come cerca de 20 morcegos crus, ratos, cobras, formigas e folhas e só encontra ajuda depois de caminhar até uma comunidade berbere na Argélia

Ultramaratonista se perde após tempestade de areia apagar todas as referências no Saara, passa 9 dias e meio sozinho no deserto, bebe a própria urina, come cerca de 20 morcegos crus, ratos, cobras, formigas e folhas e só encontra ajuda depois de caminhar até uma comunidade berbere na Argélia

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Ultramaratonista se perde após tempestade de areia apagar todas as referências no Saara, passa 9 dias e meio sozinho no deserto, bebe a própria urina, come cerca de 20 morcegos crus, ratos, cobras, formigas e folhas e só encontra ajuda depois de caminhar até uma comunidade berbere na Argélia

Escrito por Carla Teles

Publicado em 10/09/2026 às 20:22

Curiosidades

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Mauro Prosperi fica sozinho no deserto após tempestade de areia no Saara e sobrevive por nove dias e meio até chegar à Argélia.

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Mauro Prosperi disputava uma ultramaratona de 250 quilômetros no Saara quando uma tempestade de areia o tirou da rota em 1994; sozinho no deserto, sobreviveu por nove dias e meio com recursos extremos, caminhou até a Argélia e finalmente encontrou ajuda após alcançar uma comunidade berbere, pesando apenas 43 quilos.

Mauro Prosperi participava da Marathon des Sables, uma ultramaratona de aproximadamente 250 quilômetros pelo Saara, quando uma violenta tempestade de areia atingiu a prova em 1994. O italiano, ex-atleta olímpico, continuou avançando enquanto tentava encontrar abrigo, mas, quando o fenômeno terminou horas depois, percebeu que estava sozinho no deserto, sem conseguir reconhecer os pontos que indicavam a direção correta.

Segundo reportagem publicada pelo The Guardian em 4 de julho de 2023, Prosperi permaneceu perdido durante nove dias e meio. Nesse período, enfrentou desidratação extrema, viu uma tentativa de resgate passar sem percebê-lo, buscou abrigo em uma construção isolada, ingeriu alimentos encontrados pelo caminho e seguiu andando até chegar a uma comunidade berbere na Argélia.

Tempestade de areia durou horas e apagou todas as referências

Imagem: Divulgação.

Antes da prova, os participantes haviam recebido orientações para procurar abrigo em caso de tempestades e, se ficassem perdidos, observar as nuvens formadas na direção do pôr do sol.

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Na prática, porém, Prosperi encontrou poucas possibilidades de proteção quando a areia começou a se levantar e formar uma espécie de parede diante dele. O vento era tão intenso que a própria areia atingia seu corpo com força.

A tempestade durou cerca de sete horas. Quando finalmente passou, a paisagem estava completamente diferente e as referências utilizadas para navegação haviam desaparecido.

Prosperi inicialmente acreditou que apenas havia perdido tempo na competição e tentou continuar correndo. Depois de subir uma duna e não encontrar competidores, sinalização ou postos da corrida, começou a perceber que havia saído completamente do percurso.

Sozinho no deserto, ainda acreditava que seria encontrado rapidamente

Nas primeiras horas, Prosperi manteve a expectativa de que os organizadores logo perceberiam sua ausência e iniciariam as buscas.

Ele carregava uma pequena quantidade de alimentos desidratados, mas já não tinha água suficiente. A condição de competidor começou lentamente a dar lugar a uma luta para permanecer vivo em um ambiente sem referências e com temperaturas extremas.

Em determinado momento, ouviu um helicóptero e acreditou que o resgate havia chegado. A aeronave passou suficientemente perto para que ele enxergasse o piloto, mas ninguém percebeu sua presença.

Prosperi tentou chamar atenção com o equipamento que carregava e correu atrás do helicóptero até vê-lo desaparecer. O silêncio que veio depois reforçou a realidade de estar sozinho no deserto.

Abrigo abandonado trouxe teto, mas nenhuma água

No segundo dia perdido, Prosperi subiu em uma árvore e percebeu algo diferente na paisagem. Aproximou-se e encontrou um marabu, uma pequena construção utilizada como santuário funerário. Embora estivesse vazio, o local oferecia algo que até então havia sido raro: um teto capaz de protegê-lo do sol e da areia.

Dentro da construção, ele encontrou pequenos morcegos agrupados nas paredes. Sem água e com poucas opções de alimento, decidiu consumir cerca de 20 deles crus, segundo o relato dado ao Guardian.

Prosperi explicou posteriormente que via naqueles animais não apenas uma fonte de alimento, mas também uma maneira de obter algum líquido enquanto sua desidratação avançava.

Morcegos, pequenos roedores, cobras e formigas entraram na dieta

Imagem: Reprodução.

Depois de deixar o abrigo, o ultramaratonista passou a comer praticamente tudo o que conseguia encontrar. Pequenos roedores, cobras, formigas grandes e folhas passaram a fazer parte de sua alimentação improvisada, enquanto ele buscava maneiras de continuar andando sem uma fonte regular de água.

A própria urina também foi utilizada em determinado momento como recurso diante da falta de água. Prosperi ainda precisou adaptar os tênis porque seus calcanhares estavam feridos depois de dias caminhando.

Cada decisão deixou de obedecer à lógica de uma corrida e passou a responder apenas a uma pergunta: o que permitiria continuar avançando por mais algumas horas sozinho no deserto.

Momento de desespero quase encerrou a tentativa de sobrevivência

Durante a passagem pelo marabu, Prosperi enfrentou um dos momentos mais críticos da experiência. Depois que outro avião passou sem encontrá-lo e uma nova tempestade atingiu a região, ele começou a acreditar que poderia não sair vivo daquele lugar. Pensando na família e nas consequências de desaparecer no Saara, chegou a tentar tirar a própria vida.

Ele sobreviveu àquela noite e, ao despertar, interpretou o ocorrido como uma razão para continuar. A partir dali, abandonou definitivamente qualquer ideia de permanecer esperando por um resgate e decidiu seguir a orientação recebida antes da prova: caminhar na direção das nuvens que apareciam ao pôr do sol.

Caminhada virou uma busca diária por qualquer sinal de vida

Imagem: Divulgação.

Nos seis dias seguintes, Prosperi avançou observando minuciosamente aquilo que surgia ao redor. Árvores, vegetação e qualquer movimento distante deixaram de ser detalhes da paisagem e passaram a representar possíveis fontes de sombra, alimento ou indicação de presença humana. Segundo seu próprio relato, a experiência mudou completamente a maneira como ele enxergava o ambiente.

Anos de treinamento esportivo ajudaram a sustentar o esforço físico, mas aquela situação exigia uma lógica diferente daquela utilizada nas competições.

Não havia linha de chegada, marcação de percurso ou adversários; havia apenas a necessidade de escolher uma direção e continuar caminhando, mesmo sem saber exatamente onde estava.

Cabras no horizonte anunciaram que os nove dias e meio estavam terminando

Depois de vários dias, Prosperi percebeu pequenos pontos se movimentando à distância. Inicialmente imaginou que fossem dromedários. À medida que se aproximou, percebeu que eram cabras sendo conduzidas por uma menina. Era o primeiro sinal humano concreto depois de nove dias e meio perdido no Saara.

Ele havia chegado a uma comunidade berbere e, naquele momento, entendeu que sua travessia sozinho no deserto finalmente estava perto do fim. As famílias locais ofereceram leite de cabra, mas seu organismo, debilitado por dias de fome e desidratação, não conseguiu tolerar imediatamente a alimentação.

Prosperi havia atravessado o deserto até chegar à Argélia

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A caminhada levou Prosperi para a Argélia, atravessando inclusive uma região de fronteira considerada perigosa. Quando encontrou ajuda, pesava apenas 43 quilos. Em seguida, foi levado por policiais militares até uma base em Tindouf e posteriormente encaminhado para atendimento hospitalar.

Ele permaneceu cerca de uma semana em tratamento intensivo. Os documentos relacionados à corrida ajudaram posteriormente a esclarecer quem era aquele homem encontrado em condições extremas.

O desaparecimento que começara durante uma competição esportiva havia se transformado em uma das experiências de sobrevivência mais conhecidas associadas à ultramaratona do Saara.

Dois anos depois, ele decidiu voltar para terminar o que havia começado

A experiência não encerrou a relação de Mauro Prosperi com a Marathon des Sables. Depois de recuperar a força ao longo dos dois anos seguintes, ele voltou à prova em 1997. O italiano posteriormente completaria a ultramaratona diversas outras vezes, participando pela última vez em 2017.

Décadas depois, Prosperi continuou encarando desafios físicos e retornou inclusive ao local onde havia encontrado o marabu. A história de nove dias e meio sozinho no deserto começou com uma tempestade capaz de apagar o caminho e terminou apenas quando algumas cabras no horizonte indicaram que havia pessoas por perto. Você acredita que preparo esportivo foi decisivo para sua sobrevivência ou, numa situação como essa, capacidade de adaptação pesa ainda mais? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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