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Um bairro inteiro de 160 casas nos Estados Unidos começa a ter o chão rachando sob os pés dos moradores, até que um buraco de 26 metros de largura revela uma mina abandonada havia décadas, e a Justiça decide, seis anos depois, que ninguém vai ser indenizado

Um bairro inteiro de 160 casas nos Estados Unidos começa a ter o chão rachando sob os pés dos moradores, até que um buraco de 26 metros de largura revela uma mina abandonada havia décadas, e a Justiça decide, seis anos depois, que ninguém vai ser indenizado

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Um bairro inteiro de 160 casas nos Estados Unidos começa a ter o chão rachando sob os pés dos moradores, até que um buraco de 26 metros de largura revela uma mina abandonada havia décadas, e a Justiça decide, seis anos depois, que ninguém vai ser indenizado

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 12/09/2026 às 15:04

Atualizado em 12/09/2026 às 15:05

Curiosidades

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Moradores de Hideaway Hills descobriram que suas casas foram erguidas sobre uma antiga mina de gesso; caso terminou na Suprema Corte em 2026.

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Moradores de Hideaway Hills descobriram que suas casas foram erguidas sobre uma antiga mina de gesso; caso terminou na Suprema Corte em 2026.

Para as famílias que compraram casas no bairro de Hideaway Hills, em Black Hawk, no Dakota do Sul, o sonho de viver em uma vizinhança tranquila perto das Black Hills começou a desmoronar muito antes de uma grande cratera aparecer. Rachaduras nas fundações, paredes se deslocando, ruas deformadas e sinais de assentamento começaram a surgir anos antes. Poucos moradores imaginavam que, sob suas casas, existiam antigas galerias de uma mina de gesso aberta no início do século XX.

Em 27 de abril de 2020, o problema ganhou uma dimensão impossível de ignorar. Uma enorme cratera se abriu na East Daisy Drive, expondo um vazio subterrâneo ligado à antiga mina. A descoberta alterou definitivamente a vida de moradores de cerca de 160 imóveis de Hideaway Hills e deu origem a uma disputa judicial que se prolongaria por seis anos até chegar à Suprema Corte do Dakota do Sul.

Um bairro construído sobre uma antiga área de mineração

A história do terreno onde Hideaway Hills seria construído começou muito antes das primeiras casas. No início dos anos 1900, empresas privadas exploraram a região em busca de gesso e abriram galerias subterrâneas para retirar o mineral, amplamente empregado na construção civil.

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Entre as empresas que atuaram na área estava a Dakota Plaster, apontada nos registros do caso como responsável por escavações subterrâneas realizadas antes de o governo estadual adquirir a propriedade.

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Em 1925, o Dakota do Sul abriu uma fábrica estatal de cimento em Rapid City e passou a explorar gesso na região, inclusive na área que décadas depois seria transformada em bairro residencial. Há, porém, uma distinção importante: segundo os documentos judiciais e a defesa apresentada pelo Estado, a operação estatal realizada no local era de mineração de superfície, e não a responsável pela abertura original das galerias subterrâneas.

Essa diferença se tornaria decisiva décadas depois, quando os moradores tentaram responsabilizar o Estado pelos danos provocados pela instabilidade do terreno.

Estado encerrou a mineração e vendeu o terreno em 1994

Na década de 1990, a exploração estatal foi encerrada. O terreno passou por um processo de recuperação para ser utilizado como pastagem e, em 1994, foi vendido em leilão público a Raymond Fuss e seu filho, Larry Fuss.

Os registros judiciais indicam que os compradores dessa etapa da cadeia de propriedade tinham conhecimento do histórico de mineração superficial e subterrânea existente na região.

Larry Fuss posteriormente participou do desenvolvimento da área ao lado do incorporador Byron Keith Kuchenbecker. O terreno acabaria sendo transformado na subdivisão residencial conhecida como Hideaway Hills.

Compradores das casas não receberam o mesmo alerta

O problema estava na última etapa da cadeia. Documentos analisados durante o processo mostram que contratos envolvendo a venda de lotes aos construtores continham referências à presença de minas subterrâneas desativadas e ressalvas relacionadas às condições do subsolo.

Essas advertências, porém, não apareceram da mesma forma nos contratos firmados posteriormente entre construtores e compradores das residências.

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Para muitas famílias que chegaram a Hideaway Hills, portanto, aquele era simplesmente um bairro residencial relativamente acessível nos arredores de Rapid City. Os moradores não tinham recebido informações claras de que suas casas estavam sendo construídas sobre uma área marcada por décadas de mineração.

O desenvolvimento da subdivisão avançou no início dos anos 2000 e foi concluído por volta de 2005, reunindo aproximadamente 160 imóveis.

Casas começaram a apresentar problemas anos antes da grande cratera

Os primeiros sinais relevantes apareceram bem antes de 2020. Já em 2008, moradores relatavam rachaduras, deslocamentos de fundações e assentamento em paredes e porões.

As ruas do bairro também começaram a mostrar sinais de deformação, e pequenos afundamentos foram registrados na região.

Naquele momento, esses problemas poderiam parecer falhas isoladas de construção ou movimentações comuns do solo. A verdadeira dimensão da ameaça só ficaria evidente anos depois.

A presença de antigas minas de gesso representava um agravante. O gesso é solúvel em água e pode sofrer desgaste ao longo do tempo, aumentando o risco de instabilidade em terrenos que passaram por esse tipo de exploração.

Em abril de 2020, o chão finalmente se abriu

O episódio que transformou definitivamente a história de Hideaway Hills aconteceu em 27 de abril de 2020.

Uma cratera com quase 9 metros de profundidade se abriu na comunidade, atingindo parte do terreno de uma residência e uma área da East Daisy Drive. O colapso expôs um grande vazio subterrâneo e revelou de forma dramática a antiga mina que existia sob o bairro.

Ninguém morreu no episódio, mas a instabilidade obrigou moradores a deixar suas casas.

asas foram erguidas sobre uma antiga mina de gesso

Treze residências chegaram a ser evacuadas devido ao risco geológico, enquanto aproximadamente 150 proprietários relataram ou passaram a conviver com problemas como rachaduras, assentamento e perda de valor dos imóveis.

A descoberta mudou completamente a percepção de segurança de quem vivia no local.

Galeria encontrada tinha centenas de metros de extensão

Depois da abertura da cratera, exploradores conseguiram entrar em parte da estrutura subterrânea.

Segundo relatos posteriormente reunidos pelo South Dakota News Watch, a principal cavidade explorada tinha aproximadamente 26 metros de profundidade, 198 metros de comprimento e 30 metros de largura.

No interior foram encontrados resíduos de construção e até um automóvel antigo abandonado.

A presença desses objetos demonstrava que o vazio existia havia décadas, praticamente invisível para quem construía sua vida poucos metros acima.

Pesquisas posteriores também indicaram que o problema geológico não estava restrito à cavidade inicialmente exposta.

Pesquisadores encontraram outros túneis sob o bairro

Um estudo realizado pela Montana Technological University identificou outros dois túneis sob a subdivisão classificados como áreas de risco alto ou médio para perturbações geológicas.

A descoberta aumentou a preocupação dos moradores porque mostrava que o colapso de abril de 2020 não deveria ser tratado simplesmente como um buraco isolado.

Boa parte de Hideaway Hills precisava conviver com a possibilidade de movimentações futuras do terreno.

Cerca de uma dúzia de casas próximas à área mais afetada permaneceu condenada e vazia anos depois do desabamento, cercada por grades e placas de advertência.

Para seus proprietários, não se tratava apenas de abandonar uma residência. Muitas dessas casas representavam economias de décadas e perderam grande parte, ou praticamente todo, o valor de mercado.

Ruas deformadas revelaram que o problema continuava ativo

Em maio de 2026, seis anos depois do grande colapso, registros do South Dakota News Watch ainda mostravam ruas rachadas e deformadas dentro de Hideaway Hills.

Na região imediatamente próxima à cratera, casas permaneciam abandonadas, quintais estavam tomados pelo mato e cercas apresentavam sinais de deterioração.

A situação criou um problema financeiro especialmente difícil para os moradores.

Mesmo famílias cujas casas não estavam diretamente sobre uma galeria passaram a conviver com a desvalorização provocada pela reputação geológica de todo o bairro.

Vender um imóvel em uma área conhecida nacionalmente por ter sido construída sobre uma antiga mina tornou-se extremamente difícil.

Moradores alegaram desapropriação indireta

A ação que chegou à Suprema Corte concentrou-se na chamada inverse condemnation, conceito jurídico que pode ser traduzido como desapropriação indireta.

Os moradores argumentavam que ações ou omissões do Estado relacionadas à recuperação da antiga área minerada teriam provocado danos equivalentes a uma tomada de propriedade.

Também alegavam que materiais utilizados no preenchimento e na recuperação do terreno não ofereciam sustentação suficiente ao longo do tempo.

Outro argumento apresentado pelos proprietários era que o Estado havia mantido direitos minerais sobre o subsolo depois da venda da área.

A defesa estadual contestou essas interpretações.

Estado afirmou que não abriu as galerias subterrâneas

Durante a disputa judicial, o Dakota do Sul sustentou que sua operação no terreno foi realizada na superfície.

Segundo o Estado, as galerias subterrâneas que contribuíram para a instabilidade eram resultado de atividades mineradoras privadas anteriores.

A defesa também argumentou que responsáveis pelo desenvolvimento residencial tinham conhecimento da mineração existente antes da construção das casas.

Documentos judiciais indicam que Larry Fuss e o incorporador Byron Keith Kuchenbecker sabiam da existência de mineração anterior quando a área começou a ser desenvolvida.

Posteriormente, contratos entre o incorporador e construtores incluíram referências às minas subterrâneas. Os compradores finais, entretanto, permaneceram em grande parte sem conhecimento dessas informações.

Suprema Corte decidiu contra os moradores em julho de 2026

O capítulo mais recente da batalha judicial chegou em 9 de julho de 2026, quando a Suprema Corte do Dakota do Sul apresentou sua decisão no processo Morse v. State.

Por unanimidade, os magistrados mantiveram a decisão favorável ao Estado e rejeitaram a tese de desapropriação indireta apresentada pelos proprietários.

A decisão foi divulgada pelo South Dakota News Watch em 10 de julho de 2026.

A Corte concluiu que os moradores não haviam apresentado uma reivindicação juridicamente viável de inverse condemnation contra o Estado nas circunstâncias analisadas pelo processo.

Decisão encerrou uma das principais esperanças de indenização

Para os moradores, porém, o resultado foi devastador.

Depois de seis anos de disputas judiciais, a decisão eliminou uma das últimas grandes possibilidades de obter do Estado compensação pelos prejuízos causados pela instabilidade de Hideaway Hills.

Algumas famílias foram obrigadas a abandonar suas casas. Outras permaneceram vivendo nas proximidades das áreas afetadas, observando rachaduras nas ruas e convivendo diariamente com a incerteza sobre o comportamento do terreno.

Mesmo quando uma residência não sofreu danos estruturais graves, o simples fato de estar localizada dentro de uma subdivisão construída sobre antigas minas passou a afetar sua capacidade de venda.

O prejuízo, portanto, ultrapassou os imóveis fisicamente condenados.

Hideaway Hills se tornou um alerta sobre o que existe sob uma casa

O caso de Hideaway Hills expõe um risco que dificilmente aparece entre as primeiras preocupações de uma família ao comprar uma residência: o histórico geológico e industrial do terreno.

Uma casa pode parecer perfeitamente normal na superfície enquanto estruturas escavadas décadas antes permanecem escondidas dezenas de metros abaixo.

No caso do bairro de Black Hawk, a cadeia de informações sobre a atividade mineradora existiu em diferentes momentos, mas não chegou de maneira clara aos consumidores que compraram as residências.

Quando a grande cratera se abriu em 2020, descobrir o passado do terreno já era tarde demais para muitas famílias.

Seis anos depois, casas continuavam interditadas, ruas apresentavam deformações e proprietários ainda conviviam com consequências financeiras e emocionais de uma decisão tomada décadas antes de chegarem ao bairro.

A disputa contra o Estado terminou com derrota na Suprema Corte em julho de 2026, mas Hideaway Hills permanece como um exemplo extremo do que pode acontecer quando informações sobre mineração, geologia e ocupação urbana não chegam até quem finalmente compra e passa a viver sobre aquele terreno.

E você, antes de comprar uma casa, já pensou em pesquisar não apenas o imóvel, mas também tudo o que pode existir escondido sob o terreno?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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