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Um peixe tocou o fundo do oceano, apoiou partes das nadadeiras como se fossem pés e começou a caminhar para trás diante das câmeras de cientistas chineses

Um peixe tocou o fundo do oceano, apoiou partes das nadadeiras como se fossem pés e começou a caminhar para trás diante das câmeras de cientistas chineses

8 min de leitura

Um peixe tocou o fundo do oceano, apoiou partes das nadadeiras como se fossem pés e começou a caminhar para trás diante das câmeras de cientistas chineses

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 11/09/2026 às 16:54

Atualizado em 11/09/2026 às 16:55

Curiosidades

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Imagem Ilustrativa

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Cientistas chineses filmaram o Scalicus engyceros vivo no Mar da China Meridional e registraram um tipo de marcha lateral e para trás nunca observado antes em peixes. Além de “andar”, o animal tem corpo blindado, estruturas na cabeça parecidas com um rastelo e consegue saltar rapidamente quando percebe perigo

Um peixe nadando não surpreenderia ninguém. Entretanto, um peixe encostar no fundo do oceano, apoiar partes das próprias nadadeiras como se fossem pequenas pernas e começar a caminhar para trás e para os lados produziu uma cena que os cientistas ainda não haviam documentado dessa maneira. Segundo reportagem publicada pelo UOL em 9 de setembro de 2026, pesquisadores chineses registraram o Scalicus engyceros, conhecido como peixe-corvo-armado, executando uma forma de locomoção tão incomum que o movimento para trás acabou comparado a um “moonwalk” submarino.

A descoberta, porém, vai muito além da aparência curiosa do vídeo. Os pesquisadores afirmam que a marcha para trás e lateral registrada no animal não havia sido observada anteriormente em nenhuma outra espécie de peixe. Para executar esses movimentos, o Scalicus engyceros aproveita raios especializados de suas nadadeiras, enquanto outras estruturas ajudam o animal a explorar o sedimento em busca de alimento.

Além disso, o peixe parece carregar um verdadeiro conjunto de ferramentas naturais. Seu corpo tem aparência blindada, a cabeça apresenta barbilhões que lembram um pequeno rastelo e a cauda permite arrancadas bruscas quando surge uma ameaça. Assim, aquele estranho “moonwalk” representa apenas uma parte de uma estratégia de sobrevivência muito mais sofisticada.

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As câmeras desceram ao fundo do Mar da China Meridional e encontraram um peixe fazendo algo que exemplares preservados nunca poderiam revelar

Durante muito tempo, estudar animais de águas profundas significava trabalhar principalmente com exemplares coletados e preservados.

Dessa forma, pesquisadores conseguiam analisar anatomia, tamanho, órgãos e diferentes estruturas corporais.

Porém, havia um problema evidente.

Um animal morto não mostra como se comporta.

Foi justamente o avanço dos veículos de imersão profunda que permitiu mudar essa situação.

Pesquisadores ligados à Universidade Sun Yat-sen, em colaboração com o Laboratório de Ciência e Engenharia Marinha do Sul de Guangdong, conseguiram observar o Scalicus engyceros vivo em seu habitat natural.

Então, perceberam algo inesperado.

Imagem Ilustrativa

O peixe não apenas permanecia apoiado no fundo.

Ele caminhava.

Além disso, conseguia mudar de direção de uma maneira particularmente incomum.

Em vez de precisar girar todo o corpo antes de avançar, o animal conseguia deslocar-se lateralmente e recuar sobre o sedimento.

Foi justamente essa sequência que fez o comportamento ganhar a comparação com um “moonwalk”.

Aquilo que parece uma pequena perna continua sendo parte da nadadeira, mas o peixe aprendeu a usá-la para percorrer o fundo sem precisar nadar

A anatomia ajuda a explicar a cena.

O Scalicus engyceros pertence ao grupo dos chamados armored searobins, peixes conhecidos por uma aparência bastante peculiar.

Entre suas características estão raios altamente especializados associados às nadadeiras.

Na prática, essas estruturas conseguem tocar o fundo e ajudar na movimentação.

Portanto, o animal não possui pernas verdadeiras como um vertebrado terrestre.

Ele transformou partes especializadas de seu sistema de nadadeiras em pontos de apoio capazes de participar da caminhada.

Consequentemente, quando o peixe está sobre o sedimento, seu movimento parece muito diferente daquele que normalmente associamos a um animal aquático.

E ele não está sozinho quando o assunto é adaptação estranha.

Na Austrália, pesquisadores também tentam compreender um pequeno peixe com uma boca repleta de dentes que apareceu 1.400 quilômetros distante da região onde cientistas esperavam encontrá-lo e ganhou o curioso apelido de “Drácula vegano”.

O verdadeiro espanto veio quando ele começou a recuar e depois deslizou de lado sem precisar virar o corpo para mudar de direção

Existem outros peixes capazes de usar estruturas corporais para se apoiar ou se deslocar sobre superfícies.

Por isso, simplesmente dizer que cientistas encontraram um “peixe que anda” não explica completamente a importância da observação.

A novidade está no repertório de movimentos.

Os pesquisadores registraram o Scalicus engyceros caminhando para trás e lateralmente, comportamento de marcha que, segundo o estudo relatado pelo UOL, não havia sido documentado antes em outros peixes.

Assim, o peixe consegue alterar sua posição sem recorrer exclusivamente ao padrão tradicional de natação.

É justamente o movimento para trás que produz a comparação mais divertida.

Quando recua sobre o fundo, parece estar deslizando de costas.

Daí surgiu o “moonwalk”.

Entretanto, para o animal, aquilo obviamente não é dança.

É locomoção.

E os pesquisadores querem entender justamente quais vantagens esse repertório oferece no ambiente profundo.

Enquanto as pequenas “pernas” carregam o corpo pelo fundo, um “rastelo” natural na cabeça procura animais escondidos debaixo da areia

Se as nadadeiras chamam atenção primeiro, a cabeça do animal guarda outra adaptação impressionante.

O peixe possui barbilhões projetados para fora.

Visualmente, eles lembram os dentes de um pequeno rastelo.

Porém, essas estruturas têm uma função importante.

O animal consegue sentir, tatear e explorar o sedimento em busca de presas escondidas.

Dessa maneira, diferentes adaptações trabalham juntas.

Enquanto as estruturas semelhantes a pernas permitem uma exploração lenta do fundo, os barbilhões investigam o terreno.

Portanto, caminhar pode oferecer uma vantagem diferente de simplesmente nadar rapidamente.

O objetivo não é necessariamente percorrer grandes distâncias.

Em vez disso, o peixe consegue examinar cuidadosamente uma pequena área enquanto procura alimento enterrado no sedimento.

Isso transforma aquele movimento aparentemente desajeitado em uma ferramenta bastante eficiente.

O corpo parece uma pequena armadura e ajudou o animal a ganhar o apelido de “peixe-camarão”, mas basta surgir perigo para a lentidão desaparecer

A aparência também contribui para tornar o Scalicus engyceros tão estranho.

Seu corpo tem aspecto blindado.

Por isso, o animal também aparece descrito como uma espécie de “peixe-camarão”, devido à combinação visual incomum.

Entretanto, não se deve confundir aparência rígida com incapacidade de reagir rapidamente.

Quando percebe uma ameaça, o peixe pode utilizar a cauda e os raios das nadadeiras para produzir movimentos bruscos e rápidos.

Assim, ele alterna estratégias.

Durante a busca por alimento, pode caminhar lentamente.

Por outro lado, diante de perigo, abandona a aparente tranquilidade e reage rapidamente.

Essa combinação faz bastante sentido.

Afinal, explorar o sedimento exige precisão.

Escapar de uma ameaça exige velocidade.

Mesmo vivendo na escuridão das águas profundas, o peixe mexeu os olhos quando o farol do veículo submarino atingiu seu rosto

As filmagens revelaram ainda outro detalhe.

Quando o feixe de luz do veículo submarino atingiu o animal, seus olhos se movimentaram em resposta à iluminação.

Segundo os pesquisadores, essa reação mostra que o peixe manteve sensibilidade à luz mesmo vivendo em águas profundas.

Mais uma vez, observar o animal vivo fez toda a diferença.

Um exemplar preservado permitiria estudar seus olhos.

Porém, não mostraria como eles respondem quando uma fonte luminosa aparece repentinamente no ambiente.

Consequentemente, os veículos submarinos estão revelando informações que coleções tradicionais dificilmente conseguiriam fornecer sozinhas.

Esse avanço também explica por que continuamos encontrando comportamentos inesperados em animais já conhecidos pela ciência. Em outros ambientes, pesquisadores chegam a descobrir peixes com características tão incomuns que parecem contrariar aquilo que esperamos encontrar naquela espécie.

Durante anos os cientistas conseguiam estudar seu corpo sobre uma bancada, mas só agora viram o que acontece quando aquelas estruturas tocam o chão e começam a trabalhar juntas

Essa é uma das partes mais interessantes da descoberta.

O animal não apareceu repentinamente em 2026.

A ciência já conhecia o grupo e suas estruturas anatômicas.

Entretanto, conhecer uma estrutura não significa necessariamente conhecer todo o comportamento que ela permite executar.

As novas imagens preencheram justamente essa lacuna.

Agora, os pesquisadores conseguiram observar diretamente o peixe usando seu corpo no ambiente natural.

Assim, aquilo que numa bancada poderia parecer apenas um raio incomum de uma nadadeira ganhou outra interpretação quando apareceu sustentando a locomoção.

Da mesma maneira, os barbilhões deixaram de ser apenas estruturas anatômicas e puderam ser observados interagindo com o sedimento.

Por isso, tecnologias capazes de acompanhar animais vivos em grandes profundidades estão abrindo uma nova janela para comportamentos que permaneceram escondidos mesmo depois da descrição científica das espécies.

O estudo recebeu o nome de “Walking Fish”, mas por trás do vídeo curioso existe uma tentativa de entender como a evolução criou novas maneiras de se locomover

A pesquisa recebeu o nome “Walking Fish”.

O trabalho teve liderança de Han Tian, doutorando da Escola de Ciências Marinhas da Universidade Sun Yat-sen, e saiu na revista Ocean-Land-Atmosphere Research.

Entretanto, o objetivo não se resume a registrar uma curiosidade.

Os pesquisadores querem compreender como peixes desenvolveram estratégias especializadas de locomoção em ambientes extremos.

No fundo do oceano, nadar nem sempre representa a única maneira eficiente de encontrar alimento.

Há presas escondidas.

Existe sedimento para explorar.

Além disso, permanecer próximo ao substrato pode exigir movimentos mais precisos do que simplesmente avançar pela coluna d’água.

Nesse contexto, conseguir caminhar, recuar e deslocar-se lateralmente pode trazer vantagens.

Portanto, aquilo que parece um pequeno passo de dança para quem assiste ao vídeo representa, na realidade, uma solução evolutiva construída para sobreviver em um ambiente bastante diferente do nosso.

O “moonwalk” chama atenção primeiro, mas pés improvisados, armadura, rastelo na cabeça e arrancadas rápidas tornam esse peixe ainda mais estranho

A imagem do peixe andando de costas é perfeita para despertar curiosidade.

Porém, ela conta apenas uma parte da história.

O Scalicus engyceros reúne uma combinação extraordinária.

Estruturas das nadadeiras ajudam na caminhada.

Barbilhões vasculham o sedimento.

O corpo apresenta aparência blindada.

A cauda participa de movimentos rápidos quando surge uma ameaça.

E os olhos ainda respondem à luz nas profundezas.

Além disso, a descoberta mostra como comportamentos inteiros podem permanecer desconhecidos mesmo quando cientistas já conhecem a anatomia de determinado grupo.

Em outro caso curioso, pesquisadores estudam como animais desenvolvem adaptações completamente diferentes para enfrentar seus ambientes, incluindo espécies que passaram anos escondidas em locais onde quase ninguém imaginava procurá-las.

No Mar da China Meridional, entretanto, foi preciso colocar câmeras no fundo do oceano.

Só então o animal mostrou aquilo que os exemplares preservados nunca poderiam mostrar.

Ele tocou o chão.

Apoiou as estruturas especializadas.

Começou a andar.

Depois, recuou e se deslocou lateralmente diante das câmeras.

E uma cena que parece apenas um “moonwalk” submarino acabou oferecendo aos pesquisadores novas pistas sobre como a evolução consegue transformar uma nadadeira em algo muito próximo de uma ferramenta para caminhar.

E você, o que acha mais estranho nesse animal — um peixe conseguir caminhar para trás e para os lados ou ter uma espécie de “rastelo” natural na cabeça para procurar comida escondida no fundo do oceano?

Fonte

UOL


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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