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Uma idosa de 116 anos que deixou uma cidade pequena do interior por um seringal na floresta é uma das quatro centenárias e segue “sem remédio nenhum”, revela a família
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 21/09/2026 às 05:05
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A idosa Maria Justina da Silva completou 116 anos ao lado da família em Sena Madureira, no Acre, e está entre as pessoas centenárias que também intrigam quem mede o envelhecimento do estado
Bolo branco, vela em formato de “116” e uma sala pequena lotada de parentes: assim a idosa Maria Justina da Silva comemorou, na última terça-feira (15), mais um aniversário em Sena Madureira, no interior do Acre, segundo o g1 Acre. A festa foi registrada em vídeo pela própria família.
Quem não conhece a história costuma se surpreender. Segundo relato da família ao g1 Acre, o motivo aparece quando alguém repara que a mesa da idosa não tem nenhum remédio, nem para pressão, nem para diabetes, nem para colesterol.
De uma infância no Ceará ao seringal na Amazônia
Conforme apurado pelo g1, Maria nasceu em Baturité, no interior do Ceará, em 15 de setembro de 1910. Ainda adolescente, aos 15 anos, deixou a terra natal rumo ao Acre, em 1925, numa das levas de nordestinos atraídas pela economia da borracha.
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No novo estado, a idosa construiu a maior parte da própria vida, segundo o relato da família ao g1. Ela viveu na zona rural de Sena Madureira, onde se casou e morou no seringal Itaúba, às margens do rio Purus, antes de se mudar para a área urbana do município.
A rotina simples da idosa mais velha da família
Maria não enxerga mais, mas segue lúcida, conforme o relato da família ao g1. Para andar dentro de casa, a idosa recebe apoio de um parente e caminha devagar, sempre pela mão de alguém.
“Pra comer, pegamos ela pela mão dela e ela vai pra mesa andando devagar. Pra tomar banho é do mesmo jeito”, contou ao g1 Josineide Januário, nora de uma das filhas de Maria. A família também diz que ela come um pouco de tudo, sem dieta especial.
Entre os hábitos que restaram, segundo os parentes ouvidos pelo g1, está o gosto pela rede. É ali que a idosa prefere ficar boa parte do dia, balançando e descansando, longe de qualquer rotina de horário marcado.
O que intriga quem cuida da idosa centenária
A família resume a saúde de Maria numa lista curta, contada ao g1:
- não usa nenhum medicamento de uso contínuo;
- não tem diagnóstico de diabetes;
- não tem diagnóstico de colesterol alto;
- caminha apoiada, mas sem cadeira de rodas;
- não segue dieta específica.
Não existe fórmula revelada pela família para essa longevidade. Os parentes, segundo o g1, atribuem o estado da idosa à rotina simples que ela sempre levou, não a um remédio ou hábito específico.
Quem cuida de Maria todos os dias
Maria teve cinco filhos, sendo quatro mulheres e um homem, apurou o g1. A idosa também conta com netos e bisnetos que os próprios parentes não sabem contar ao certo, porque, segundo eles, são muitos demais.
Para Josineide, estar entre quem cuida de Maria carrega um significado que vai além da idade da idosa, disse ela ao g1:
“Só cuida quem tem amor, e também a gente faz o que queremos que façam por nós, ou seja, nos trate com amor, carinho, dedicação e respeito.”
Uma centenária que já era conhecida da Polícia Civil do Acre
A comemoração desta semana não é a primeira vez que a idosa chama atenção fora de casa. Em abril de 2025, quando tinha 114 anos, Maria Justina recebeu a nova Carteira de Identidade Nacional das mãos da Polícia Civil do Acre, segundo o ac24horas.
A ação foi conduzida pelo delegado-geral Henrique Maciel e pelo diretor do Instituto de Identificação, Júnior César da Silva, que levaram uma equipe até a casa da idosa, segundo o ac24horas.
Em 2025, o Acre ocupava a segunda posição entre os estados em emissão da nova identidade. Foram mais de 222 mil documentos entregues, conforme o mesmo veículo.
Nascida em 15 de setembro de 1910, ela tinha 114 anos em abril de 2025, completou 115 em setembro de 2025 e chegou aos 116 agora, em 15 de setembro de 2026. Duas reportagens, de dois veículos diferentes, contam a mesma trajetória da centenária sem contradição.
O Acre tem 142 pessoas centenárias, aponta o g1
A idade da idosa ganha outra dimensão ao lado dos números do próprio estado. O Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), citado pelo g1, contou 142 pessoas com 100 anos ou mais vivendo no Acre naquele ano.
Desse total, eram 72 homens e 70 mulheres, espalhados pelos 22 municípios do estado, segundo o g1. Juntos, os centenários representavam apenas 0,1% da população acreana, o menor grupo etário do Acre inteiro.
Sena Madureira é uma das cidades com mais centenários do Acre
Rio Branco concentrava o maior número de moradores centenários do estado em 2022, mostra o g1 a partir de dados do IBGE. Sena Madureira, onde a idosa vive, aparecia bem atrás, mas à frente da maioria dos municípios acreanos.
Capixaba e Manoel Urbano foram os únicos municípios acreanos sem nenhum morador centenário no levantamento, segundo o g1. Nos outros 20, ao menos uma pessoa passava dos 100 anos.
O Acre e o Brasil envelhecem mais a cada Censo
Segundo o g1, que cita o Censo 2022 do IBGE, 9,8% dos moradores do Acre tinham 60 anos ou mais naquele ano, contra 6,4% em 2012. O número saltou de cerca de 50 mil para 88 mil acreanos nessa faixa etária entre os dois levantamentos.
No mesmo período, a fatia de moradores com menos de 30 anos caiu de 61,9%, em 2012, para 53,6%, em 2022, segundo o g1. O Brasil seguiu o mesmo caminho: a população de 60 anos ou mais passou de 11,3%, em 2012, para 15,1% do país, em 2022.
O g1 aponta ainda que o índice de envelhecimento do Acre chegou a 23,8 em 2022. Na prática, isso significa 23,8 pessoas com 65 anos ou mais para cada 100 crianças de 0 a 14 anos vivendo no estado naquele ano.
Onde ver mais sobre o envelhecimento do Brasil
Um vídeo público, à parte do g1 e do ac24horas, explica o que os dados do Censo 2022 revelam sobre o envelhecimento de toda a população brasileira, não só do Acre. A gravação é do canal oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Assista o vídeo
Casos como o da idosa de Sena Madureira seguem raros. Mesmo assim, reúnem família inteira em volta de um bolo com três dígitos na cobertura. O Brasil, Censo após Censo, caminha para ter mais gente na velhice.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

