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Uma ilha coberta de árvores com 140 metros de comprimento por 70 de largura apareceu no maior reservatório da Colúmbia Britânica, sumiu das imagens de satélite e foi reencontrada 30 quilômetros a noroeste quinze dias depois, sem que nenhum barco a tenha rebocado

Uma ilha coberta de árvores com 140 metros de comprimento por 70 de largura apareceu no maior reservatório da Colúmbia Britânica, sumiu das imagens de satélite e foi reencontrada 30 quilômetros a noroeste quinze dias depois, sem que nenhum barco a tenha rebocado

6 min de leitura

Uma ilha coberta de árvores com 140 metros de comprimento por 70 de largura apareceu no maior reservatório da Colúmbia Britânica, sumiu das imagens de satélite e foi reencontrada 30 quilômetros a noroeste quinze dias depois, sem que nenhum barco a tenha rebocado

Escrito por Jefferson Augusto

Publicado em 04/09/2026 às 18:27

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Massa de troncos e vegetação boiando na água aberta de um reservatório cercado por montanhas. Imagem ilustrativa gerada por IA.

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Ninguém empurrou, ninguém rebocou. A ilha andou sozinha e a companhia de energia levou duas semanas para achá-la de novo.

No fim de julho, barqueiros que navegavam pelo reservatório Williston, o maior da Colúmbia Britânica, no Canadá, fotografaram uma ilha coberta de árvores boiando em água aberta. Não havia ilha registrada naquele ponto.

A estatal de energia BC Hydro, que administra o reservatório, recebeu o material em 13 de agosto, conferiu imagens de satélite e confirmou o que parecia impossível: a ilha existia, tinha 140 metros de comprimento por 70 de largura e havia mudado de lugar, segundo o comunicado da própria empresa.

Quem viu primeiro foram os barqueiros

A descoberta não saiu de monitoramento oficial nem de sobrevoo programado. Saiu de gente que estava passeando de barco pelo reservatório, achou aquilo estranho o bastante para filmar e mandou o material para a companhia de energia.

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Segundo o porta-voz da empresa, a primeira reação interna diante das fotos e do vídeo de uma ilha coberta de árvores boiando foi de desconfiança. Foi a checagem por satélite que transformou o relato de barqueiro em registro oficial da companhia.

O tamanho de dois campos de futebol

A área calculada é de cerca de 9.800 metros quadrados, o equivalente a dois campos de futebol lado a lado, conforme as medidas divulgadas pela companhia.

Não é um tufo de mato solto na correnteza. É uma massa com árvores de pé, grande o bastante para aparecer em imagem de satélite e para ser confundida com terra firme por quem passa de barco.

Trinta quilômetros em quinze dias

A imagem de satélite de 21 de julho registrou a ilha a oeste da baía Finlay. Em 15 de agosto ela já aparecia noutro ponto, e em 31 de agosto a empresa confirmou a nova posição na margem do braço Ospika, segundo o mesmo comunicado.

São cerca de trinta quilômetros percorridos em torno de quinze dias, o que dá uma média de dois quilômetros por dia. Fenômenos de água que aparecem onde não deviam já renderam casos maiores, como o do lago que se formou no deserto da Califórnia quando engenheiros perderam o controle do rio Colorado, já noticiado.

Como uma coisa dessas se forma

A explicação vem de Bob Gammer, gerente de relações comunitárias da BC Hydro. Troncos à deriva se acumulam durante anos numa enseada abrigada, onde o vento não bate e a água fica parada.

A madeira empilhada começa a se decompor e vira substrato. Sementes chegam pelo vento e pelos pássaros, plantas criam raiz nesse colchão de matéria orgânica e, com tempo suficiente, árvores crescem em cima. O conjunto vira uma massa contínua.

Por que ela se soltou

O gatilho, segundo o mesmo porta-voz, foi o nível da água. Reservatório de hidrelétrica sobe e desce conforme o degelo, a chuva e a operação da usina.

Enquanto o nível está baixo, a massa fica encostada no fundo da enseada e não sai do lugar. Quando a água sobe o suficiente, ela flutua, perde o apoio e passa a obedecer ao vento e à corrente como qualquer outro objeto boiando.

Ilha flutuante não é novidade, mas essa é grande

Bancos de vegetação boiando existem em vários lugares do mundo e costumam ter poucos metros. O que chama atenção aqui é a escala e a presença de árvores adultas.

Gente já construiu ilha flutuante de propósito, e às vezes na mesma província, como no caso já noticiado do homem que ergueu uma ilha com material descartado no Canadá e diz ter morado nela por dezessete anos. A diferença é que essa aqui ninguém projetou.

O reservatório é grande demais para vigiar

Williston é o maior corpo d’água da província e nasceu do represamento do rio Peace pela barragem W. A. C. Bennett. A ilha foi vista a cerca de 100 quilômetros da barragem, segundo os dados divulgados.

Em uma área desse tamanho, com braços longos e margens cobertas de floresta, não existe patrulha capaz de acompanhar tudo o que boia. Foi por isso que a empresa precisou recorrer a satélite em vez de sair procurando de barco.

Duas semanas sem aparecer em imagem nenhuma

Entre um registro e outro, a ilha simplesmente sumiu das imagens, o que alimentou a versão de que ela teria afundado ou se desfeito. Nenhuma das duas coisas aconteceu.

Massa flutuante encostada numa margem coberta de mata some do satélite porque se confunde com o próprio terreno. Ela só volta a ser visível quando está em água aberta, com contorno recortado contra o azul.

Por que ninguém pode subir nela

A companhia foi explícita no comunicado: a superfície é instável e não é segura para desembarque nem para caminhada. Fotos de barco e de drone estão liberadas.

O motivo é o que sustenta a estrutura. Por baixo da vegetação não há solo, há tronco podre e vão de ar. O peso de uma pessoa encontra o ponto fraco, afunda e prende a perna entre madeiras submersas.

Quanto pesa uma coisa dessas

O peso não foi divulgado e é difícil de estimar, porque a massa é feita de madeira encharcada, matéria em decomposição e uma quantidade grande de ar preso entre os troncos. Parte do conjunto flutua justamente por causa desse vazio interno.

O que dá para afirmar é que o empuxo sustenta árvores adultas de pé sem virar o conjunto. Isso indica uma base de madeira entrelaçada firme o bastante para segurar raiz e copa, o que é pouco para calcular tonelagem e bastante para explicar por que ela não afunda.

O que uma massa dessas pode causar

Uma estrutura de quase dez mil metros quadrados à deriva não é um enfeite. Ela pode encostar em ponto de captação, bloquear entrada de canal ou atrapalhar a navegação de embarcações pequenas.

É por isso que a empresa passou a acompanhar a posição por satélite e a avisar o público em vez de simplesmente ignorar o assunto. Saber onde a coisa está é a parte prática do trabalho.

Reservatório artificial produz esse tipo de coisa

Quando um vale é inundado, a floresta que estava ali não desaparece. Ela morre em pé, cai com o tempo e vira madeira boiando, que a operação da usina empurra de um lado para o outro durante décadas.

É um efeito colateral conhecido de hidrelétrica em região florestal e explica por que o fenômeno apareceu justamente num lago artificial, e não num lago natural antigo.

Satélite virou a ferramenta padrão

A confirmação da posição foi feita por análise de imagem, não por vistoria em campo. É mais barato, cobre a área inteira e permite comparar datas diferentes do mesmo ponto.

Levantamento remoto tem resolvido esse tipo de pergunta com frequência, como no caso já noticiado do helicóptero com sensores que encontrou um reservatório de água doce escondido sob um lago salgado nos Estados Unidos.

O que a empresa não sabe

O comunicado não informa há quantos anos a massa estava se formando na enseada original, nem quanto ela pesa, nem quais espécies de árvore cresceram ali.

Também não há previsão sobre o destino. A ilha pode ficar encalhada onde está, pode se desfazer com o tempo ou pode sair andando de novo na próxima subida de nível.

Como terminou

A ilha está encostada na margem do braço Ospika, a companhia confirmou a posição por satélite e pediu que ninguém desembarque, conforme o comunicado divulgado.

Não houve mistério nenhum, no fim das contas. Houve uma pilha de troncos que virou floresta, esperou a água subir e foi embora sozinha.

Fontes

BC Hydro, comunicado oficial sobre a localização da ilha flutuante do reservatório Williston

UPI, Mysterious vanishing island reappears on British Columbia reservoir


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Jefferson Augusto.

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