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Uma indígena de 106 anos nunca tinha morado com “energia elétrica” em casa e via os netos estudarem à luz de vela, até um pedido oficial mudar a rotina da aldeia

Uma indígena de 106 anos nunca tinha morado com “energia elétrica” em casa e via os netos estudarem à luz de vela, até um pedido oficial mudar a rotina da aldeia

7 min de leitura

Uma indígena de 106 anos nunca tinha morado com “energia elétrica” em casa e via os netos estudarem à luz de vela, até um pedido oficial mudar a rotina da aldeia

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 21/09/2026 às 05:34

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Na aldeia indígena Rã Jur, dentro da área urbana de Blumenau, moradores acendiam vela e fogueira todas as noites desde 2020, até um pedido oficial da Defensoria Pública de Santa Catarina levar a Celesc a instalar energia elétrica pela primeira vez no local, em setembro de 2026

Em setembro de 2026, Elena Cadete completou 106 anos de vida sem nunca ter morado numa casa com energia elétrica. Moradora da aldeia indígena Rã Jur, no bairro Itoupava Norte, em Blumenau (SC), ela viu os netos fazerem lição de casa à luz de vela por seis anos, segundo o G1.

Quando escurecia, os moradores da aldeia indígena acendiam uma fogueira para que todos conseguissem se enxergar dentro de casa. Foi assim, à base de vela e fogo, que a comunidade viveu desde 2020 dentro do perímetro urbano de uma das maiores cidades de Santa Catarina, até a chegada da energia elétrica em 2026.

Seis anos de espera por energia elétrica dentro da cidade

A aldeia indígena Rã Jur, também chamada de Sol do Amanhecer, fica às margens da Via Expressa, na Rodovia Paul Fritz Kuehnrich, dentro do perímetro urbano de Blumenau. Mesmo cercada de asfalto e prédios, a comunidade kaingang levou seis anos, entre 2020 e 2026, para conseguir uma ligação elétrica regular, segundo o G1.

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Moradores da aldeia indígena comemoram a chegada da chaleira elétrica comprada com o dinheiro da vaquinha. Foto: Arquivo pessoal

A distância até a rede elétrica da cidade nunca foi o obstáculo. Faltava um trâmite formal que reconhecesse o direito da aldeia indígena a receber o serviço, e foi atrás desse trâmite que a comunidade passou a maior parte desses seis anos.

Sem esse reconhecimento, a aldeia indígena ficava numa situação incomum: cercada de casas com luz elétrica dos dois lados da rodovia, mas sem nenhuma ligação própria, segundo o relato do G1 sobre o caso.

O que a escuridão atrapalhava todo dia

Sem energia elétrica, as crianças da aldeia indígena faziam o dever de casa à luz de vela, contou o cacique Alcir Salvador ao G1. Quando a vela não bastava, a família acendia um fogareiro bem forte para clarear o ambiente à noite.

A falta de luz também prejudicava a produção de artesanato vendido pelos moradores e dificultava a própria convivência à noite, já que os indígenas mal conseguiam se enxergar dentro de casa, segundo o G1.

O ofício que chegou à Defensoria Pública

A virada começou num gabinete, não na aldeia indígena. O Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiários Indígenas, do Ministério dos Povos Indígenas, enviou um ofício pedindo apoio para a situação da comunidade, de acordo com o ND+.

Moradores da aldeia indígena Rã Jur comemoram olhando para o teto no dia em que a energia elétrica foi ligada. Foto: Arquivo pessoal

A partir daí, o Núcleo de Cidadania, Igualdade, Diversidade, Direitos Humanos e Coletivos da Defensoria, conhecido como Nucidh, passou a acompanhar de perto o caso da aldeia indígena Rã Jur.

Uma equipe foi até a aldeia em maio de 2026

Em maio de 2026, integrantes da 4ª Defensoria Pública de Blumenau foram até a aldeia indígena Rã Jur e iniciaram as tratativas administrativas diretamente com a prefeitura e com a Celesc, segundo reportagem do ND+ sobre o caso.

O caso também passou pelo Ministério Público Federal, que abriu um inquérito civil e articulou com a Celesc para garantir o fornecimento regular de energia elétrica às famílias, com apoio da Funai.

Três instituições diferentes, então, passaram a tratar do mesmo pedido ao mesmo tempo, cada uma por um caminho distinto:

Foi essa força-tarefa, reunida em torno de um pedido que começou como um simples ofício, que destravou seis anos de espera da aldeia indígena por energia elétrica, segundo o relato do ND+ sobre o caso.

O poste de baixo custo que resolveu o impasse

A solução técnica veio por um caminho mais simples do que a comunidade esperava depois de seis anos de espera. A Celesc concordou em instalar um padrão de entrada de baixo custo, apelidado de “postinho“, que permitiu ligar a aldeia indígena à rede pública de distribuição, segundo o ND+.

A companhia também cadastrou a unidade consumidora da comunidade na tarifa social de energia elétrica, benefício previsto em lei para famílias de baixa renda, o que deve reduzir o valor pago pela aldeia indígena a partir de agora.

O Ministério Público Federal destacou que o fornecimento de energia elétrica é um serviço público essencial, segundo o ND+. As próprias regras do setor elétrico já preveem mecanismos para viabilizar ligações de baixo custo em assentamentos e núcleos urbanos ocupados por população de baixa renda.

Foi justamente esse mecanismo que abriu caminho para o “postinho” da aldeia indígena Rã Jur.

5 de setembro de 2026, o dia em que a energia elétrica chegou

A ligação foi concluída pela Celesc num sábado, 5 de setembro de 2026, encerrando seis anos de espera dos moradores da aldeia indígena Rã Jur, segundo o G1 e o ND+.

A primeira lâmpada acesa no teto de uma das casas da aldeia indígena Rã Jur. Foto: Arquivo pessoal

Do lado de fora das casas de madeira, os moradores comemoraram apontando para as primeiras lâmpadas acesas no teto, um gesto que a própria família registrou em fotos e guardou como lembrança da data.

Não foi uma reforma grande, nem uma obra vistosa. Foi um fio ligado a um poste simples, mas que mudou de uma vez uma rotina que se repetia havia seis anos dentro da aldeia indígena, todas as noites, sem exceção.

A chaleira elétrica para marcar a conquista

O primeiro eletrodoméstico da aldeia indígena não foi escolhido por acaso. Os moradores organizaram uma vaquinha entre eles e compraram uma chaleira elétrica para marcar a conquista, contou o ND+.

“Uma chaleira elétrica é algo comum pra gente, mas pra eles significou muito. Algo simples e com custo muito baixo pode dar dignidade às pessoas”, disse à reportagem o defensor público Jorge Calil Canut, segundo o ND+.

Dona Elena, 106 anos, à luz elétrica pela primeira vez

Entre os moradores que comemoraram em setembro de 2026 está justamente Elena Cadete. Aos 106 anos, ela nunca tinha morado num lugar com energia elétrica antes desse mês, segundo o ND+.

A reportagem do G1 mostra o momento da comemoração na aldeia indígena. Vídeo: Reprodução/G1

A falta de luz era um risco extra para ela: a escuridão dentro de casa atrapalhava os deslocamentos à noite e aumentava a chance de acidentes domésticos, apontou o G1 sobre a rotina antiga da aldeia indígena.

Antes de setembro de 2026, uma senhora de 106 anos precisava se guiar por vela e memória dentro da própria casa depois que o sol se punha. Foi essa realidade específica, e não só o conforto geral da aldeia indígena, que o cacique Alcir Salvador destacou ao contar o caso ao G1.

O que muda daqui para frente na aldeia indígena

A ligação de energia elétrica não encerra o processo. O caso ainda será encaminhado à Justiça Federal, um passo que deve garantir que o fornecimento na aldeia indígena Rã Jur se torne permanente, segundo o ND+.

A instalação em Blumenau também pode ter efeito além da própria aldeia indígena Rã Jur. O MPF, a Celesc e a Funai trabalham num termo de cooperação técnica para criar um protocolo mais rápido e atender outras aldeias catarinenses que enfrentam a mesma espera por energia elétrica, ainda de acordo com o ND+.

A ideia, segundo o ND+, é definir um fluxo que respeite as limitações ambientais e as áreas de risco de cada terreno, mas que evite que outra aldeia indígena precise enfrentar sozinha um processo de seis anos como o da Rã Jur para conseguir uma ligação elétrica regular.

Para a Defensoria Pública de Santa Catarina, o caso da aldeia indígena Rã Jur mostra como um pedido bem encaminhado, mesmo sem grande custo, pode transformar a rotina de uma comunidade inteira, segundo o ND+. A chaleira elétrica comprada com a vaquinha, guardada como o primeiro eletrodoméstico da casa de Elena Cadete, virou o símbolo dessa mudança.

Veja como foi a chegada da energia elétrica na aldeia

O vídeo abaixo, produzido pelo ND+, mostra o momento em que os moradores da aldeia indígena Rã Jur comemoraram a ligação de energia elétrica depois de seis anos de espera.

Comentários reais de quem assistiu ao vídeo do ND+ sobre a aldeia indígena Rã Jur. Foto: Reprodução/YouTube

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energia eletrica


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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