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Universitários entram no radar do Exército brasileiro após 4 drones de ataque criados na UFSC cumprirem requisitos técnicos e abrirem caminho para futuras aquisições militares com software nacional e inteligência artificial

Universitários entram no radar do Exército brasileiro após 4 drones de ataque criados na UFSC cumprirem requisitos técnicos e abrirem caminho para futuras aquisições militares com software nacional e inteligência artificial

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Universitários entram no radar do Exército brasileiro após 4 drones de ataque criados na UFSC cumprirem requisitos técnicos e abrirem caminho para futuras aquisições militares com software nacional e inteligência artificial

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 21/09/2026 às 10:03

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Pré-qualificação inclui quatro plataformas da Vultis Industries, startup fundada por estudantes de Engenharia Aeroespacial em Joinville. A seleção confirma o atendimento aos critérios técnicos dessa fase, mas não representa contrato de fornecimento nem garante que o Exército fará a compra dos equipamentos.

Quatro sistemas de drones de ataque desenvolvidos pela Vultis Industries, startup catarinense criada por estudantes de Engenharia Aeroespacial da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Joinville, foram incluídos entre as plataformas pré-qualificadas pela Diretoria de Fabricação do Exército Brasileiro.

O resultado foi publicado no Diário Oficial da União em julho deste ano. A seleção indica que os equipamentos atenderam aos requisitos técnicos exigidos nessa fase do chamamento, mas não representa contrato de fornecimento nem garante compra futura pelo Exército.

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O processo avaliou sistemas destinados a demandas militares de aeronaves não tripuladas de ataque. Segundo reportagem do R7 Planalto, 12 sistemas apresentados por seis empresas brasileiras e uma estrangeira foram pré-qualificados, entre soluções de lançamento de munição e munições remotamente pilotadas.

Entre os equipamentos selecionados estão quatro plataformas da família URUBU-X, desenvolvidas pela Vultis em configurações de 10 e 15 polegadas. A empresa identifica os modelos como X10K, X10B, X15K e X15B, todos baseados em uma arquitetura tecnológica comum.

Plataforma compartilha aviônica, software e controle

A família URUBU-X utiliza uma base compartilhada de aviônica, software embarcado e estação de solo, com adaptações conforme a configuração de cada aeronave. Essa arquitetura modular permite concentrar componentes e sistemas de controle em uma mesma linha de desenvolvimento.

No site oficial da Vultis Industries, a empresa informa que as plataformas são projetadas no Brasil e utilizam software desenvolvido no país. Também apresenta recursos de planejamento de trajetórias, programação de missões, controle em tempo real e aplicações de visão computacional associadas a inteligência artificial.

A visão computacional permite processar imagens captadas por câmeras e outros sensores. Nos sistemas apresentados pela empresa, o recurso integra o conjunto de software previsto para apoiar funções de percepção e acompanhamento visual, conforme a configuração e a finalidade atribuídas a cada equipamento.

A mesma lógica modular permite que os quatro modelos compartilhem partes da eletrônica, do software e da estrutura de operação, enquanto características específicas são ajustadas às dimensões, às capacidades e ao emprego previsto. A Vultis também associa essa padronização à possibilidade de produção em escala.

A empresa apresenta os drones como soluções táticas de curta distância e destaca o custo unitário reduzido como uma característica buscada no projeto. Essas informações fazem parte da descrição do próprio fabricante e não correspondem, por si só, a uma decisão de compra ou avaliação operacional do Exército.

Empresa surgiu a partir do curso de Engenharia Aeroespacial

A Vultis Industries foi criada em março de 2024 por cinco sócios ligados ao curso de Engenharia Aeroespacial da UFSC em Joinville. A startup está instalada no Ágora Tech Park, dentro do Perini Business Park, ambiente que reúne empresas e iniciativas de tecnologia na cidade catarinense.

De acordo com o relato apresentado pela própria empresa, a iniciativa começou depois que um dos fundadores, durante uma viagem à Alemanha, identificou a dependência brasileira de plataformas importadas nesse segmento. A equipe passou então a desenvolver localmente aeronaves não tripuladas e sistemas associados de controle e operação.

Antes da pré-qualificação, a Vultis já havia apresentado seus projetos a representantes das Forças Armadas. Na SC ExpoDefense 2026, realizada em maio, a empresa exibiu equipamentos da família URUBU-X e outras soluções de seu portfólio voltadas ao setor de defesa.

Na feira, a empresa também recebeu uma comitiva da Diretoria de Fabricação do Exército, responsável pelo processo de pré-qualificação. O contato ocorreu antes da publicação do resultado e integrou a aproximação institucional já mantida pela startup com representantes do setor de defesa.

A seleção pelo Exército acrescentou uma etapa formal a esse relacionamento: quatro produtos cumpriram os critérios considerados na pré-qualificação. Isso os mantém entre as soluções que poderão ser consideradas caso sejam abertos processos posteriores de aquisição ou desenvolvimento.

A distinção é relevante porque a pré-qualificação funciona como uma avaliação anterior à eventual contratação. Ela reduz o universo de sistemas aptos a avançar, mas não substitui os procedimentos administrativos, técnicos e contratuais necessários para que uma compra seja efetivamente realizada.

Portfólio inclui comando e interceptação

Além da família URUBU-X, a empresa desenvolve a plataforma C.A.P., sigla de Control and Planning Platform, voltada ao planejamento e ao controle de missões. O portfólio também inclui o projeto J.U.L.I.A., aeronave não tripulada leve concebida para interceptar ameaças aéreas de pequeno porte.

A Vultis apresenta ainda trabalhos relacionados à coordenação semiautônoma, integração de dados e operação de múltiplas aeronaves. Esses projetos ampliam o foco para sistemas de comando, comunicação e processamento que funcionam em conjunto com as plataformas aéreas.

O próximo passo depende de uma decisão posterior do Exército. Para que qualquer um dos quatro drones seja efetivamente adquirido ou integrado a um programa de desenvolvimento, será necessário um processo específico, com definição administrativa e contratual própria, que não decorre automaticamente da pré-qualificação.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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