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Usina solar de 500 MW na China reproduz oscilação perigosa em campo e faz inversores da Sungrow identificar força da rede em 40 ms antes de estabilizar tensão e frequência

Usina solar de 500 MW na China reproduz oscilação perigosa em campo e faz inversores da Sungrow identificar força da rede em 40 ms antes de estabilizar tensão e frequência

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Usina solar de 500 MW na China reproduz oscilação perigosa em campo e faz inversores da Sungrow identificar força da rede em 40 ms antes de estabilizar tensão e frequência

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 19/09/2026 às 07:42

Atualizado em 19/09/2026 às 08:00

Energia Solar

Canal

Equipe durante o teste de reprodução e supressão de oscilações de banda larga em uma planta solar com armazenamento de 500 MW em Qinghai, na China. Referência: Sungrow.

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Teste em usina solar com armazenamento de 500 MW em Qinghai, na China, reproduziu oscilações de banda larga e mostrou inversores da Sungrow identificando a força da rede em 40 ms, ajustando o controle e estabilizando tensão e frequência.

Uma usina solar com armazenamento de 500 MW em Qinghai, na China, virou laboratório de um dos problemas mais delicados das redes elétricas modernas: oscilações capazes de derrubar geração renovável. No teste de campo, inversores da Sungrow identificaram a força local da rede em 40 milissegundos e mudaram a estratégia de controle para estabilizar tensão e frequência.

O ensaio foi conduzido em condições de rede fraca e, segundo a Sungrow, reproduziu de forma controlada uma oscilação de banda larga dentro de uma instalação real. Depois de provocar o fenômeno sob parâmetros monitorados, a equipe avaliou como os inversores fotovoltaicos reagiam e se conseguiam interromper a instabilidade antes que ela evoluísse para desligamentos.

O resultado coloca uma usina de escala comercial no centro de uma discussão que até pouco tempo ficava concentrada em simulações. Oscilações desse tipo podem causar sobretensões, disparos de proteção, perda de geração e até retirada de grandes blocos de energia do sistema quando a rede é fraca e há alta participação de fontes conectadas por eletrônica de potência.

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Inversores identificaram a força da rede em 40 milissegundos e ajustaram o controle automaticamente

A etapa mais rápida do teste ocorreu na leitura da condição elétrica local. A Sungrow afirma que sua tecnologia de adaptação à força da rede identificou o estado do sistema em cerca de 40 milissegundos e recalibrou os parâmetros de controle dos inversores.

Depois desse ajuste, tensão e frequência foram estabilizadas. O ponto técnico é importante porque uma planta fotovoltaica convencional costuma seguir as condições impostas pela rede, enquanto uma estratégia grid-forming tenta participar ativamente da sustentação elétrica, imitando parte do comportamento que antes dependia principalmente de grandes máquinas síncronas.

No teste, a Sungrow também validou sua estratégia de controle grid-forming em uma faixa de SCR de 1 a 40. O SCR, ou relação de curto-circuito, é um indicador usado para avaliar a robustez de uma rede no ponto de conexão; valores baixos representam condições mais fracas e mais difíceis para a integração de grandes volumes de energia renovável.

PowerMatrix, sistema da Sungrow com arquitetura grid-forming para integração de geração solar e armazenamento. Foto: Sungrow.

Equipe provocou a oscilação dentro da usina ao combinar potência, SCR e parâmetros de controle

Para sair do laboratório e observar o fenômeno em uma planta real, os engenheiros trabalharam sobre três variáveis: potência entregue pela usina, relação de curto-circuito do sistema e parâmetros de controle dos inversores. A combinação permitiu criar uma condição de rede fraca e reproduzir uma oscilação localizada de forma controlada.

A dificuldade desse tipo de experimento está justamente no risco. Oscilações de banda larga não são simples flutuações de produção solar. Elas podem interagir com controles eletrônicos em várias frequências e, quando não são contidas, provocar desligamentos em cascata ou danos a equipamentos.

A Sungrow cita dois episódios para mostrar a escala do problema. Em 2014, oscilações de 250 a 350 Hz no projeto offshore BorWin1, na Alemanha, danificaram capacitores de filtros e contribuíram para uma paralisação de aproximadamente seis meses. Em 2019, o parque eólico offshore Hornsea, no Reino Unido, sofreu desconexões associadas a oscilações subsíncronas, afetando cerca de um milhão de consumidores segundo o relato reunido pela empresa.

Mesmo local já havia recebido em fevereiro outro teste de supressão de oscilações com tecnologia grid-forming

O complexo de Qinghai já vinha sendo usado como campo de provas antes do anúncio da Sungrow. Em fevereiro de 2026, a chinesa NARI-Relays informou ter realizado no mesmo ambiente de 500 MW um ensaio de supressão de oscilações com um sistema grid-forming de armazenamento de 50 MW.

Naquele trabalho, uma impedância artificial foi usada para simular uma rede fraca e provocar oscilações de potência. A NARI relatou que, depois da entrada do equipamento de armazenamento formador de rede, as oscilações foram rapidamente amortecidas e tensão e frequência voltaram à estabilidade em escala de milissegundos.

A diferença do anúncio de setembro está na formulação adotada pela Sungrow: a empresa chama de inédita a combinação de reprodução controlada e supressão de oscilação de banda larga usando os próprios inversores fotovoltaicos distribuídos na planta. Essa distinção é relevante porque o local já tinha histórico de testes de estabilidade, mas com arquitetura e objetivo técnico diferentes.

Imagem oficial da Sungrow relacionada à validação em larga escala de tecnologia grid-forming apresentada em 2026; usada como contexto técnico. Foto: Sungrow.

Controle grid-forming tenta fazer usinas solares ajudar a sustentar a rede em vez de apenas seguir o sistema

À medida que usinas solares, eólicas e baterias ocupam parcela maior da matriz elétrica, cresce a quantidade de geração conectada à rede por inversores. Esses equipamentos não têm a mesma inércia física de turbinas e geradores síncronos tradicionais, o que muda a forma como frequência e tensão respondem a distúrbios.

A lógica grid-forming busca dar aos inversores uma atuação mais ativa. Em vez de apenas acompanhar uma referência externa, eles podem contribuir para estabelecer tensão, frequência e resposta dinâmica local. A Sungrow diz que essa capacidade pode reduzir o risco de desconexões em redes fracas e liberar maior capacidade de exportação de energia sem comprometer a estabilidade.

Esse tipo de função também aparece em novos sistemas de armazenamento e arquiteturas integradas. Em junho de 2026, a própria Sungrow apresentou sua plataforma PowerMatrix com resposta de estabilização de tensão em 10 milissegundos e resposta de inércia em 5 milissegundos, mostrando como velocidade de controle virou uma métrica central na disputa por redes renováveis mais resilientes.

500 MW transformam o ensaio em uma demonstração de escala muito maior do que testes de bancada

O que chama atenção não é apenas o tempo de 40 milissegundos, mas o porte do ambiente. Uma instalação de 500 MW representa uma central capaz de injetar energia em escala de centenas de milhares de residências, dependendo do perfil de consumo e do fator de capacidade.

Validar algoritmos de controle nesse nível aproxima a tecnologia da realidade operacional. Problemas que parecem pequenos em bancada podem se comportar de maneira diferente quando milhares de componentes, linhas, transformadores e sistemas de proteção interagem ao mesmo tempo.

A Sungrow afirma que o teste pode ajudar plantas conectadas a redes muito fracas a manter operação estável, reduzir cortes de geração e ampliar os limites de exportação. Essas consequências ainda dependerão de projeto, configuração e condições específicas de cada sistema elétrico, mas a demonstração em campo oferece uma base mais concreta do que a validação puramente simulada.

Próximo passo é transformar resposta em milissegundos em padrão de operação para grandes parques renováveis

O teste de Qinghai mostra uma direção clara para o setor elétrico: grandes usinas renováveis estão deixando de ser apenas fontes de potência ativa para assumir funções de suporte antes associadas às máquinas convencionais.

Se sistemas de controle conseguirem reconhecer mudanças na força da rede em dezenas de milissegundos e reagir antes de uma oscilação crescer, operadores poderão integrar mais geração solar e baterias em regiões distantes, com linhas longas e redes menos robustas.

A Sungrow já anunciou que continuará desenvolvendo supressão de oscilações de banda larga, controle grid-forming e coordenação entre diferentes fontes. A próxima disputa será provar que essas respostas rápidas permanecem confiáveis em projetos, climas e redes diferentes. Você acha que usinas solares devem assumir cada vez mais funções de estabilização da rede elétrica? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a matéria.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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