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Vale acerta compra de 30% de mineradora vizinha em Carajás por US$ 190 milhões e mira produção quatro vezes maior com ligação à sua ferrovia
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 25/09/2026 às 11:19
Atualizado em 25/09/2026 às 11:20
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A Ligga opera a mina Ferro Sul, no Pará, e planeja elevar sua capacidade de 2 milhões para 8 milhões de toneladas anuais, enquanto a Vale assegura a compra exclusiva de seu minério de ferro
A Vale encontrou a cerca de 10 quilômetros da Estrada de Ferro Carajás uma forma de ampliar seu acesso ao minério de ferro na região. A companhia assinou um acordo para adquirir 30% da Ligga, operadora da mina Ferro Sul, e comprar com exclusividade o minério que ela produzir. Em comunicado posterior, a Vale informou que o aporte previsto é de aproximadamente US$ 190 milhões. A operação ainda depende de aprovações corporativas e regulatórias, conforme matéria publicada pela CNN Brasil no dia 21 de setembro de 2026.
Uma mina de menor porte ganhou espaço nos planos da Vale
A Ferro Sul fica entre Parauapebas e Curionópolis, no sudeste do Pará. Atualmente, sua capacidade é de cerca de 2 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. A Ligga planeja chegar a 8 milhões de toneladas anuais, uma expansão que multiplicaria a capacidade atual por quatro. A Vale, porém, apresenta esse patamar como plano, e não como produção já alcançada.
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O acordo combina duas partes. Primeiro, a Vale fará um aporte de capital para obter uma participação minoritária de 30%. Além disso, um contrato de longo prazo prevê que ela compre com exclusividade 100% do sinter feed produzido pela Ligga. Esse tipo de minério, também chamado de finos, pode integrar a oferta comercial da Vale sem que a companhia precise desenvolver sozinha uma nova mina.
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A proximidade ajuda a explicar o interesse. A Ligga já vende minério à Vale, mas a operação societária fortalece o vínculo entre as empresas e dá à compradora acesso de longo prazo aos volumes previstos para a expansão. Assim, o investimento une uma mina em funcionamento ao portfólio que a Vale mantém em Carajás. Em outras frentes da mineração, a diferença entre um recurso identificado, uma capacidade planejada e uma produção efetiva também é decisiva para entender o estágio de cada projeto.
Nova planta e conexão ferroviária entram no plano para 2028
Para alcançar a capacidade projetada, a Ferro Sul precisará de uma nova planta de beneficiamento, obras de infraestrutura e uma solução ferroviária. Segundo a Vale, o início da operação do projeto de expansão está previsto para junho de 2028. Até lá, a produção adicional dependerá da implantação dessas estruturas.
A localização da mina torna a logística central para o negócio. A Estrada de Ferro Carajás leva minério do Pará ao Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, em São Luís, no Maranhão. Com a conexão planejada, a Ligga poderá integrar sua produção a esse corredor já utilizado pela Vale. A reportagem da CNN Brasil informa que a ligação ferroviária substituiria o transporte por caminhões até a ferrovia.
Por isso, a vantagem esperada pela Vale vai além da participação acionária. A empresa afirma que o acordo pode acrescentar minério de boa qualidade ao Sistema Norte com menor necessidade de capital do que um projeto inteiramente novo. Para a Ligga, a expansão passa a contar com um comprador contratado e com acesso à estrutura logística da sócia. A capacidade das ferrovias e dos portos de conectar produção e mercado é parte essencial dessa conta.
Valor divulgado depois da reportagem muda a leitura do negócio
Quando a CNN Brasil publicou a pauta-base, o preço da participação ainda não havia sido revelado. Em resposta posterior à Comissão de Valores Mobiliários, a Vale confirmou o aporte aproximado de US$ 190 milhões e esclareceu que a conclusão da transação continua sujeita às aprovações necessárias. Portanto, o acordo assinado não deve ser apresentado como uma aquisição já concluída.
A Vale também fez uma ressalva sobre outras cifras mencionadas na reportagem. A companhia não confirmou estimativas de terceiros para o volume das reservas da Ligga, futuras expansões além do plano divulgado ou eventual produção de outro tipo de minério. Esses cenários não fazem parte dos resultados assegurados pelo acordo. Como ocorre em projetos de exploração mineral, informações sobre recursos e possibilidades futuras precisam permanecer separadas das etapas confirmadas pela empresa.
O avanço verificável agora será a conclusão das aprovações e das obras necessárias para levar a Ferro Sul à capacidade planejada. Se o cronograma se cumprir, a Ligga poderá iniciar a expansão operacional em junho de 2028, com o minério seguindo pela infraestrutura ferroviária e portuária já usada pela Vale.
Fonte
CNN Brasil
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

