6 min de leitura
Vários instaladores aceitaram fixar a bateria do sistema solar debaixo da janela da cozinha, mas um deles recusou citando a norma britânica que exige um metro de distância de qualquer porta ou janela, levou o equipamento para a garagem e cobrou 50 metros de cabo blindado e 900 libras de andaime a mais
Escrito por Jefferson Augusto
Publicado em 05/09/2026 às 10:27
Atualizado em 05/09/2026 às 10:28
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
O orçamento mais caro foi o único que seguia a norma. A diferença estava a um metro da janela.
Quem pede três orçamentos para instalar energia solar costuma comparar preço e prazo. Quase ninguém compara qual dos três está seguindo a norma, e essa é justamente a diferença que aparece anos depois.
Um morador do Reino Unido publicou em 3 de setembro de 2026 o resultado da própria instalação e descreveu um detalhe que explica muita coisa: vários instaladores aceitaram prender a bateria embaixo da janela da cozinha, e apenas um recusou, citando a norma, segundo relato reproduzido por veículos de casa e construção.
A norma que ele citou
O documento é a PAS 63100, publicada em 2024. É uma especificação britânica de segurança contra incêndio para sistemas de armazenamento de energia elétrica instalados em residências, e ela trata de onde a bateria pode ficar.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Geração de Energia
O comitê que monitora o setor elétrico decidiu manter e aprimorar os mecanismos de Resposta da Demanda e cobrou da Aneel um cronograma para que as mudanças entrem em vigor já em 2027
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico deliberou em 3 de setembro pela continuidade e pelo aprimoramento dos mecanismos de Resposta da Demanda, e cobrou da Aneel um cronograma com…
Paulo Nogueira
0
A regra central é simples de entender e difícil de contornar. Em instalação externa, a unidade precisa ficar a pelo menos um metro de portas, janelas e aberturas de ventilação. Debaixo da janela da cozinha, portanto, está fora.
Por que exatamente um metro
A distância não é estética nem de conveniência. Bateria de lítio em falha não explode como uma bomba, ela entra em fuga térmica, que é uma reação em cadeia que libera calor e gases inflamáveis por minutos ou horas.
O metro serve para que esse gás e esse calor não entrem direto na casa pela primeira abertura disponível. É a mesma lógica de afastamento que se usa para botijão e para respiro de gás, e ela vale mais quanto mais o equipamento envelhece.
Onde a bateria não pode ficar
A orientação de fundo dessas normas é que o melhor lugar para a bateria é fora da residência e longe de cômodo habitável. A partir daí vem uma lista do que está proibido.
Sótão, quarto, corredor, caixa de escada e armário interno pequeno saíram da lista de locais permitidos. O que sobra, na prática, é garagem, área externa protegida ou um espaço técnico próprio. Capacidade residencial já chega a valores altos, como no caso já noticiado da bateria de 16 kWh que sustenta a casa inteira fora da rede e aguenta 8 mil ciclos.
A emenda que apertou tudo em abril
Em 15 de abril de 2026 entrou em vigor a Emenda 4 da BS 7671, a norma britânica de instalações elétricas, conforme o material técnico publicado sobre a mudança. Ela passou a conviver com a especificação de incêndio e fechou de vez a lista de locais aceitáveis.
É a diferença entre recomendação e exigência. Antes, o instalador podia argumentar que estava seguindo boa prática. Depois da emenda, o projeto precisa demonstrar conformidade, e isso vira papel assinado.
O prazo que vence em 15 de outubro
Houve uma transição de seis meses desde a publicação, período em que valia tanto a versão antiga quanto a nova. Segundo o mesmo material, essa janela termina em 15 de outubro de 2026, quando a versão anterior é retirada.
Ou seja, quem contratar instalação depois dessa data e receber um projeto na regra antiga está com documento vencido na mão. É o tipo de detalhe que só aparece quando a seguradora pede o certificado.
O que custou seguir a regra
No caso relatado, a bateria acabou na garagem. Para chegar até lá, foi preciso passar cerca de 50 metros de cabo blindado de 25 milímetros quadrados pela lateral do jardim, e montar andaime que custou 900 libras, segundo o relato do morador.
Esse é o preço concreto de fazer certo num caso específico. Não é um número que serve de tabela para ninguém, mas mostra a ordem de grandeza da diferença entre o orçamento que ignora a norma e o que a cumpre.
O sistema que ele montou
A instalação descrita tem 11 painéis de 510 watts, somando 5,61 kW, bateria de 11,5 kWh, inversor híbrido de 5 kW e ainda um carregador para carro elétrico, conforme o próprio relato.
Vale registrar de onde vem esse dado: é o morador contando o que comprou, num fórum de usuários. Serve para dimensionar a conversa, não como especificação técnica verificada por terceiros.
Por que a garagem resolve
Garagem separada da área de dormir cumpre os três requisitos ao mesmo tempo: fica fora do cômodo habitável, costuma ter ventilação e permite afastamento das aberturas da casa.
Tem um custo escondido, que é justamente o do caso relatado. Quanto mais longe do inversor e do quadro, mais cabo, mais perda e mais mão de obra. A norma não elimina o problema, ela o transfere para o orçamento.
O que muda quando a bateria é de lítio
Bateria de chumbo antiga liberava hidrogênio e exigia ventilação. Bateria de lítio muda o risco de lugar: o problema deixa de ser gás acumulado e passa a ser energia armazenada em pouco espaço.
Quanto mais densa a célula, mais rápido o calor se propaga se algo der errado, e é por isso que a regulação foi atrás do local de instalação em vez de mexer só na fiação. Reaproveitar célula usada agrava esse ponto, como no caso já noticiado do homem que juntou mais de 650 baterias de notebook descartadas para montar um banco de energia caseiro.
Existem outras camadas de regra
A instalação britânica também responde, conforme as orientações publicadas para o setor, às regras G98 e G99, que tratam da notificação obrigatória à distribuidora de energia antes de conectar geração própria à rede, e à certificação MCS, que amarra o pacote quando o serviço é certificado.
São três camadas diferentes: segurança contra incêndio, instalação elétrica e conexão à rede. Um instalador pode acertar uma e errar outra, e o cliente só descobre quando pede o documento.
Que papel o cliente precisa exigir
A lista é curta e vale como roteiro: certificado de instalação elétrica, comprovante de notificação à distribuidora, documentação da certificação quando houver e o que a regra de edificações local pedir.
Sem esses papéis, o sistema pode até funcionar, mas o proprietário fica sem prova de conformidade. Em sinistro, é essa pasta que decide a conversa com a seguradora.
Como a coisa funciona no Brasil
Aqui a instalação fotovoltaica responde principalmente, segundo as normas da ABNT, à NBR 16690, que trata de arranjos fotovoltaicos, e à NBR 5410, de instalações elétricas de baixa tensão, além das regras de conexão da distribuidora.
O ponto fraco é justamente o que o caso britânico expõe: o armazenamento residencial cresceu muito mais rápido que a normalização específica de onde colocar a bateria. Custo caindo acelera essa adoção, como no caso já noticiado da queda no preço de painéis e baterias que mudou o setor de energia.
Quem responde se pegar fogo
A pergunta prática que quase ninguém faz antes de contratar. Se o projeto está fora da norma vigente e há dano, a discussão sobre responsabilidade começa pelo profissional que assinou a instalação.
Só que o proprietário costuma responder junto, principalmente quando escolheu conscientemente o orçamento mais barato depois de ser avisado. Foi exatamente essa a escolha que o morador do caso não fez.
O que não foi divulgado
O relato não informa o nome do morador nem o da empresa que recusou o serviço, e não há registro público de quantos instaladores no país estão adaptados à emenda que passa a valer em outubro.
Também não se sabe quanto os outros orçamentos cobravam, o que impede calcular exatamente quanto custou, no fim, a decisão de seguir a regra.
A conta que fica
Um metro de distância virou 50 metros de cabo e 900 libras de andaime, segundo o relato. É um custo visível, imediato e chato de engolir na hora de assinar.
O custo do outro caminho não aparece em orçamento nenhum. Ele aparece uma vez só, e não é em libra.
Fontes
Yahoo Home, UK homeowner says installer refused battery spot under kitchen window
PAS 63100:2024, especificação britânica de segurança contra incêndio para armazenamento de energia em residências
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Jefferson Augusto.

