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Vendedor de picolés passa o dia sem conseguir vender e recebe ajuda de um policial para esvaziar o carrinho; ao descobrir que ele dependia das vendas para comer e pagar aluguel, mobilização cria campanha que arrecada mais de R$ 100 mil e ajuda trabalhador a recomeçar em uma casa própria mobiliada

Vendedor de picolés passa o dia sem conseguir vender e recebe ajuda de um policial para esvaziar o carrinho; ao descobrir que ele dependia das vendas para comer e pagar aluguel, mobilização cria campanha que arrecada mais de R$ 100 mil e ajuda trabalhador a recomeçar em uma casa própria mobiliada

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Vendedor de picolés passa o dia sem conseguir vender e recebe ajuda de um policial para esvaziar o carrinho; ao descobrir que ele dependia das vendas para comer e pagar aluguel, mobilização cria campanha que arrecada mais de R$ 100 mil e ajuda trabalhador a recomeçar em uma casa própria mobiliada

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 10/09/2026 às 12:28

Atualizado em 10/09/2026 às 12:46

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O encontro ganhou repercussão depois que Derineudo Souza dos Santos ajudou Manoel Vieira nas vendas. A vaquinha atingiu R$ 113 mil em quatro dias, viabilizou a compra de um imóvel em Rio Branco e teve desdobramentos em outras campanhas.

A dificuldade de vender picolés nas ruas de Rio Branco, no Acre, levou Manoel Vieira a um encontro que mudaria uma despesa importante de sua rotina. Depois que o policial militar Derineudo Souza dos Santos o ajudou a esvaziar o carrinho, a história ganhou repercussão e resultou em uma campanha para comprar uma casa para o trabalhador.

O encontro ocorreu em 31 de dezembro de 2020, nas proximidades do Horto Florestal. A intenção inicial de Derineudo era acompanhar Manoel pelas ruas e ajudá-lo a terminar aquele dia com a mercadoria vendida, sem que houvesse naquele momento qualquer plano de arrecadação para moradia.

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Em relato publicado pela Agência de Notícias do Acre em maio de 2025, Derineudo contou que Manoel havia vendido apenas três picolés quando os dois se encontraram. Eles passaram então por lojas, veículos e pessoas nas ruas até conseguir esvaziar o carrinho.

O percurso que Manoel costumava levar cerca de quatro horas para concluir foi feito em aproximadamente 40 minutos com a ajuda do policial. A ação foi registrada em vídeo e, com a circulação das imagens nas redes sociais, mais pessoas passaram a conhecer as condições em que o vendedor vivia.

Da venda dos picolés à campanha pela casa

O encontro ocorrido no fim de 2020 ganhou repercussão depois que Derineudo Souza dos Santos ajudou Manoel Vieira nas vendas.

A repercussão revelou uma dificuldade que não terminava quando o carrinho ficava vazio. Manoel trabalhava havia mais de duas décadas com a venda de picolés e dependia do dinheiro obtido nas ruas para despesas básicas, entre elas o aluguel da casa onde morava.

A Gazeta do Acre informou, em reportagem publicada em 2021, que Manoel recebia normalmente entre R$ 40 e R$ 50 por dia, conforme o movimento, e tinha renda mensal em torno de R$ 1,3 mil. Parte desse valor precisava ser destinada à moradia.

Os dias de poucas vendas reduziam diretamente o dinheiro disponível para as despesas do mês. A situação conhecida a partir do vídeo fez com que a mobilização deixasse de se limitar à venda dos picolés daquele dia e passasse a buscar uma solução para o custo do aluguel.

Depois que o caso alcançou um público maior, a plataforma Razões para Acreditar participou da mobilização por meio de uma campanha de financiamento coletivo. O objetivo passou a ser a compra de um imóvel para Manoel, retirando do orçamento uma despesa recorrente paga com a renda obtida nas ruas.

A Gazeta do Acre registrou que a arrecadação chegou a R$ 113 mil em quatro dias. O valor permitiu avançar com a aquisição de um imóvel e preparar a residência para que Manoel pudesse se mudar sem depender de uma nova casa alugada.

A casa, no bairro Altamira, na parte alta de Rio Branco, foi entregue em maio de 2021 e já contava com mobília. A reportagem descreveu itens como cama, geladeira, televisão, fogão e sofá e registrou que Manoel havia passado por três imóveis alugados antes da mudança.

Morar de aluguel fazia parte da rotina do vendedor havia anos. Com a entrega da nova residência, ele deixou de depender da renovação de contratos e do pagamento mensal ao proprietário para manter um endereço em Rio Branco.

Receber o imóvel não significou abandonar o trabalho que o sustentava. Manoel continuou vendendo picolés pelas ruas da capital acreana, mas deixou de precisar separar mensalmente parte da renda para o aluguel, reduzindo uma despesa fixa de um orçamento dependente das vendas diárias.

O encontro ocorrido no fim de 2020 ganhou repercussão depois que Derineudo Souza dos Santos ajudou Manoel Vieira nas vendas.

Como o valor obtido no trabalho variava conforme o movimento, um dia de vendas fracas significava menos dinheiro disponível para as demais despesas. Sem o aluguel, essa parcela deixou de ser retirada da renda gerada com o carrinho.

Mobilização continuou depois da primeira residência

A trajetória profissional de Manoel havia começado muito antes da repercussão nas redes sociais. Nascido em Minas Gerais, ele foi para o Acre ainda jovem, deixou os estudos durante o ensino fundamental para trabalhar e se estabeleceu em Rio Branco, onde passou mais de 20 anos vendendo picolés.

Derineudo também já participava de iniciativas sociais antes daquele encontro. Ele é ligado ao projeto Amigos Solidários, criado para desenvolver ações com pessoas em situação de vulnerabilidade e atividades voltadas a crianças e adolescentes, trabalho que continuou depois da campanha destinada a Manoel.

A reportagem da Agência de Notícias do Acre publicada em maio de 2025 registrou que a mobilização teve desdobramentos além da primeira residência. Derineudo informou que 23 casas já haviam sido entregues a diferentes famílias e apresentou a de Manoel como a primeira dessa sequência em Rio Branco.

Na mesma reportagem, Manoel aparecia ainda morando no imóvel e sem pagar aluguel quase quatro anos depois de receber a casa. O quintal tinha pequenas plantações, e uma placa relacionada ao projeto permanecia dentro da residência como registro da campanha que possibilitou a compra.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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