5 min de leitura
Ventura fecha contrato de US$ 58 milhões para perfurar um poço da Petronas na Indonésia com navio-sonda de sétima geração
Escrito por Douglas Avila
Publicado em 05/09/2026 às 16:59
Estágio e Trainee
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
A Ventura Offshore anunciou em 4 de setembro um contrato estimado em US$ 58 milhões com a Petronas para perfurar um poço na Indonésia, enquanto assume a gestão comercial e operacional do navio-sonda Deep Value Driller.
O acordo reúne duas movimentações relacionadas. Primeiro, a empresa fechou com a Eldorado Drilling a prestação de serviços de marketing e administração da embarcação de sétima geração.
Depois, confirmou a contratação pela Petronas E&P Bobara para uma campanha de um poço offshore. O valor inclui parcelas provisórias destinadas a serviços adicionais, segundo o comunicado.
A Ventura terá direito a taxas de operação, mas não informou quanto dos US$ 58 milhões ficará como receita própria. Parte da cifra cobre o conjunto contratado e não deve ser lida automaticamente como remuneração líquida.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Logística e Transporte
Rio Negro pode cair a apenas 12,31 metros em Manaus e colocar a vazante de 2026 entre as mais severas já observadas
A vazante do Rio Negro pode levar o nível em Manaus a uma faixa entre 12,31 e 16,50 metros no pico da seca de 2026, conforme cenários divulgados pelo Serviço…
Paulo Nogueira
0
Para a companhia, o negócio amplia a presença no Sudeste Asiático e acrescenta um navio gerido à frota. Para a Petronas, garante uma plataforma de águas ultraprofundas para executar o programa indonésio.
Contrato combina gestão do ativo e execução da perfuração
A Eldorado Drilling permanece ligada ao ativo, enquanto a Ventura passa a prestar os serviços que o colocam no mercado e sustentam sua operação. Esse modelo expande a frota administrada sem exigir a compra imediata da embarcação.
Gerenciar um navio-sonda envolve muito mais que buscar contratos. A operação precisa coordenar tripulação, manutenção, segurança, peças, certificações e desempenho diário diante do cliente.
A contratação da Petronas oferece uma primeira campanha associada ao anúncio. Ela cobre um poço, portanto tem escopo menor que programas plurianuais de dezenas de perfurações.
Ainda assim, um poço em águas profundas mobiliza uma cadeia ampla. Helicópteros, barcos de apoio, fluidos, revestimentos, equipamentos submarinos e equipes especializadas trabalham ao redor da unidade principal.
O comunicado não apresenta a lâmina d’água, a localização exata, o objetivo geológico nem a data de início. Esses dados poderão aparecer quando a campanha avançar ou em atualizações da operadora.
Navio-sonda de sétima geração leva a fábrica até o poço
Um drillship é uma embarcação com torre de perfuração instalada no centro. Ele se posiciona sobre o alvo no fundo do mar e atravessa a coluna d’água antes de perfurar as formações rochosas.
Sistemas de posicionamento dinâmico usam propulsores, sensores e controle automático para corrigir vento, ondas e correntes. Assim, o navio permanece dentro de limites estreitos sem ancoragem convencional em grande profundidade.
A classificação de sétima geração indica um projeto moderno, preparado para campanhas complexas. Contudo, a geração sozinha não garante resultado: disponibilidade mecânica e execução segura continuam determinantes.
A bordo, o poço é construído em etapas. Brocas abrem seções sucessivas, tubos de revestimento estabilizam as paredes e barreiras controlam pressões que podem variar conforme a profundidade.
Quando a campanha é de apenas um poço, mobilização e desmobilização pesam mais no custo proporcional. Planejamento logístico reduz dias improdutivos e ajuda a preservar o orçamento do contrato.
Os US$ 58 milhões incluem valores ainda provisórios
A Ventura descreveu o valor como estimado. A soma inclui provisões para trabalhos extras, o que significa que o montante final depende do serviço efetivamente solicitado e executado.
Também não foi revelada a duração prevista da campanha. Sem número de dias e taxa diária, não é possível reconstruir a composição comercial ou comparar diretamente o contrato com outras sondas.
O que está confirmado é o escopo de um poço e a contraparte Petronas E&P Bobara. A subsidiária integra o grupo malaio Petronas e atua em atividades de exploração e produção.
O anúncio foi submetido segundo regras do mercado de capitais, pois a Ventura Offshore Holding está listada na Euronext Growth Oslo. Isso explica a divulgação simultânea de informações materiais aos investidores.
A comunicação regulatória, porém, não substitui um plano operacional detalhado. Prazos, permissões locais e condições de mobilização ainda influenciarão o início efetivo do trabalho.
Ventura amplia uma operação que já conecta Brasil e Indonésia
A companhia se apresenta como contratada de perfuração em águas profundas desde 1998. Sua estrutura reúne ativos próprios e embarcações administradas para terceiros.
Antes do novo acordo, a Ventura informava possuir o navio-sonda DS Carolina e as plataformas semissubmersíveis SSV Victoria e SSV Catarina. Também gerenciava o drillship Atlantic Zonda.
Essas unidades operam no Brasil e na Indonésia. A entrada do Deep Value Driller reforça uma região onde a empresa já conhece fornecedores, regras, portos e dinâmica de contratação.
Para uma operadora de porte menor, administrar ativos de terceiros pode aumentar escala e diluir estruturas de suporte. Em contrapartida, exige entregar desempenho sem ter controle societário integral sobre a embarcação.
A parceria com a Eldorado será testada justamente nesse ponto: responsabilidades comerciais e operacionais precisam permanecer claras diante do cliente e das autoridades marítimas.
Um poço pode abrir continuidade, mas ela não foi contratada
Campanhas exploratórias muitas vezes começam com um poço e avançam conforme resultados geológicos. Isso não permite afirmar que haverá extensão, descoberta ou desenvolvimento comercial.
Se a execução cumprir segurança, prazo e disponibilidade, a Ventura ganha uma referência com uma grande companhia nacional de petróleo. Essa experiência pode ajudar em concorrências futuras na Ásia.
Se ocorrerem atrasos, o efeito também será relevante. Sondas de águas profundas concentram custos elevados por dia, e falhas de equipamento podem pressionar margens mesmo em contratos de valor expressivo.
Por enquanto, a empresa confirmou somente o acordo de gestão, a campanha de um poço e o valor estimado. Qualquer projeção de produção ou reservas seria prematura.
O negócio coloca o Deep Value Driller da Petronas no centro da expansão da Ventura no Sudeste Asiático e transforma uma nova relação de gestão em trabalho contratado de US$ 58 milhões.
Você considera mais estratégico para uma perfuradora comprar sondas ou ampliar a frota por contratos de gestão?
Tags
Fontes
Ventura Offshore
MarketScreener / Nordic Press Releases
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

