Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Vinícolas poderão inscrever amostras na segunda seleção nacional de vinhos da uva BRS Lorena a partir de terça-feira (8)

Vinícolas poderão inscrever amostras na segunda seleção nacional de vinhos da uva BRS Lorena a partir de terça-feira (8)

5 min de leitura

Vinícolas poderão inscrever amostras na segunda seleção nacional de vinhos da uva BRS Lorena a partir de terça-feira (8)

Escrito por Paulo Nogueira

Publicado em 07/09/2026 às 20:54

Atualizado em 07/09/2026 às 21:00

Economia

Canal

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Os vinhos de BRS Lorena entram em uma segunda seleção nacional a partir de 8 de setembro, abrindo espaço para que vinícolas comparem qualidade, apresentem novos rótulos e deem visibilidade a uma uva brasileira cultivada em cerca de 600 hectares.

A iniciativa volta depois de uma primeira edição com 79 amostras enviadas por 51 vinícolas. O resultado distribuiu 28 medalhas e mostrou que a cultivar já produz estilos diferentes em várias regiões do país.

A Embrapa Uva e Vinho publicou em 4 de setembro as orientações para a nova etapa. As inscrições começam nesta terça-feira, criando um calendário próprio para produtores organizarem amostras e documentação.

A área estimada de 600 hectares indica que a BRS Lorena saiu do experimento e ganhou produção comercial. Ainda é uma escala pequena diante das principais uvas, mas suficiente para reunir vinícolas de diferentes territórios.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Recomendado para você

Economia

Brasil apresenta 41 projetos minerais à ApexBrasil para atrair US$ 7,3 bilhões e ampliar a cadeia de minerais críticos

O Brasil apresentou 41 projetos minerais a investidores internacionais, com uma carteira estimada em US$ 7,3 bilhões que tenta converter reservas de lítio, terras raras e outros minerais críticos em…

Paulo Nogueira

0

Vinhos de BRS Lorena mostram identidade brasileira

A cultivar foi desenvolvida pela pesquisa nacional para produzir vinhos brancos aromáticos em condições brasileiras. Sua adaptação permite que regiões fora dos polos tradicionais testem produtos com matéria-prima criada para o clima local.

Isso reduz a distância entre campo e indústria. Uma uva adequada ao ambiente tende a exigir menos correções e oferece matéria-prima mais previsível à vinícola, embora manejo, colheita e processamento continuem decisivos.

Uma seleção nacional não funciona apenas como premiação. Ela cria comparação técnica entre amostras, ajuda o produtor a identificar nível de qualidade e apresenta ao mercado rótulos que ainda não chegaram ao consumidor de outras regiões.

Na primeira edição, 79 amostras de 51 vinícolas produziram uma base ampla. As 28 medalhas indicaram destaque, mas o ganho coletivo foi reunir estilos e mostrar o estágio alcançado pela cultivar.

A segunda edição poderá medir evolução. Vinícolas que participaram antes conseguem revisar manejo e vinificação; novas empresas ampliam a diversidade. Comparar safras exige reconhecer que clima e maturação também mudam.

Para pequenos produtores, a visibilidade é especialmente valiosa. Sem grande orçamento de marketing, uma avaliação técnica pode abrir conversa com distribuidores, lojas, restaurantes e consumidores interessados em origem brasileira.

Do vinhedo ao tanque, cada etapa altera o aroma

A qualidade começa no campo. Ponto de colheita, sanidade, produtividade e equilíbrio entre açúcar e acidez influenciam o resultado. Colher cedo ou tarde demais muda o perfil que chegará à taça.

Depois, transporte e processamento precisam preservar a fruta. Temperatura, tempo até a prensagem, escolha de levedura e controle de fermentação definem quanto do caráter aromático permanece no vinho.

Vinícolas podem produzir versões secas, suaves, espumantes ou cortes, conforme regulamento e estratégia. Essa variedade ajuda a cultivar a encontrar mercado, mas também torna a comparação mais complexa.

A avaliação técnica precisa separar preferência pessoal de qualidade. Limpeza aromática, equilíbrio, persistência e ausência de defeitos oferecem critérios mais consistentes que simplesmente gostar ou não de um estilo.

A gente percebe o valor da pesquisa quando uma cultivar ganha vida comercial própria. O trabalho não termina no lançamento da planta; depende de viveiro, produtor, assistência, vinícola e consumidor repetindo o ciclo.

O crescimento para 600 hectares também cria demanda por mudas, equipamentos, garrafas, rótulos, transporte e enoturismo. A uva movimenta uma cadeia agroindustrial além do vinhedo.

Regiões emergentes podem usar a BRS Lorena para construir identidade sem copiar exatamente os polos tradicionais. Solo, altitude e clima imprimem diferenças, enquanto a cultivar oferece um elemento comum para comparação.

Seleção pode aproximar pesquisa e consumidor

Para a Embrapa, receber amostras revela como a genética se comporta fora das parcelas experimentais. Problemas recorrentes e resultados de destaque ajudam a orientar novas pesquisas e recomendações de manejo.

Para a vinícola, a devolutiva técnica indica ajustes possíveis. Uma medalha traz comunicação; uma avaliação bem usada pode melhorar a próxima safra, mesmo quando o rótulo não alcança premiação.

Para o consumidor, a seleção organiza descoberta. Em vez de procurar rótulos dispersos, ele passa a reconhecer uma uva e comparar origens. Isso fortalece a marca coletiva sem apagar a identidade de cada produtor.

A inscrição aberta em 8 de setembro é o primeiro marco. Depois virão recebimento, avaliação e divulgação conforme o regulamento. Somente os resultados oficiais poderão dizer quais amostras se destacaram.

O desafio é transformar reconhecimento técnico em recompra. Um rótulo pode chamar atenção pela novidade, mas precisa manter qualidade, disponibilidade e preço coerente para permanecer na mesa.

A segunda seleção chega quando a BRS Lorena já possui escala, participantes e histórico para comparar. É um passo de amadurecimento para uma cultivar brasileira que tenta conquistar lugar próprio na vitivinicultura.

Vinícolas interessadas devem consultar as regras, conferir categorias aceitas e preparar amostras representativas. A seleção só será útil se o vinho enviado corresponder ao produto que chega ao mercado.

O produtor também precisa pensar em escala. Uma amostra premiada pode aumentar procura, mas a vinícola deve ter estoque e distribuição para atender novos clientes sem comprometer qualidade entre lotes.

A embalagem participa dessa construção. Nome da cultivar, origem e informações legíveis ajudam o consumidor a reconhecer o produto. Excesso de promessa no rótulo, por outro lado, cria expectativa que o vinho precisa sustentar.

Restaurantes e lojas especializadas podem funcionar como ponte. Degustações comparativas permitem explicar a BRS Lorena sem exigir que o comprador conheça pesquisa genética ou detalhes agronômicos.

No campo, maior demanda precisa ser acompanhada de material propagativo confiável e assistência. Expandir área com muda inadequada espalha problema que só aparecerá depois de vários ciclos.

Na pesquisa, avaliações sensoriais podem ser combinadas a análises químicas para entender quais condições produzem os melhores resultados. Esse retorno ajuda a cultivar a evoluir junto com a indústria.

A continuidade da seleção permitirá criar uma série histórica. Com várias safras, será possível distinguir melhoria consistente de um resultado isolado e reconhecer regiões que encontraram manejo especialmente adequado.

Você já provou algum vinho de BRS Lorena e percebeu uma identidade diferente das uvas tradicionais?

Tags

Fonte

Embrapa


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

Sair da versão mobile