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Washington Novaes encontrou uma área de pastagem em Goiânia, plantou árvores de grande porte ao longo de décadas e transformou alguns milhares de metros quadrados em uma chácara arborizada, onde passou a viver cercado por mogno e outras espécies que ele próprio colocou na terra
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 04/09/2026 às 16:00
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Propriedade na região norte da capital goiana foi comprada de um fazendeiro e mudou de paisagem com o crescimento das árvores; um mogno plantado pelo jornalista cerca de três décadas antes de uma entrevista no local chegou a sobreviver ao impacto de um raio.
A chácara onde Washington Novaes passou a viver em Goiânia nasceu de uma transformação gradual. O terreno, antes usado como pastagem, recebeu árvores plantadas pelo próprio jornalista durante anos e se tornou uma área arborizada na região norte da capital.
O relato foi registrado pelo Jornal Opção em uma entrevista realizada na propriedade em 2017. Novaes contou que havia adquirido de um fazendeiro a gleba de alguns milhares de metros quadrados e, ao longo do tempo, passou a ocupar o espaço com árvores de diferentes portes.
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Entre as espécies que cresceram no terreno estava um mogno plantado cerca de 30 anos antes da entrevista. O exemplar havia alcançado grande porte, embora Novaes observasse, naquele momento, que a árvore ainda não tinha chegado à fase adulta.
O mogno também havia sobrevivido a um raio. O impacto deixou uma marca no tronco, mas o sinal já era quase imperceptível quando a equipe do jornal esteve na chácara, onde outras árvores plantadas por Novaes também haviam se desenvolvido ao redor da residência.
A presença das árvores não se limitava a um único exemplar destacado pela reportagem. O conjunto havia sido formado ao longo dos anos pelo próprio morador, que colocou diferentes espécies na antiga área de pastagem e acompanhou o crescimento delas enquanto permanecia na propriedade.
A chácara acompanhou a expansão de Goiânia
A transformação do terreno ocorreu enquanto o entorno mudava com a expansão de Goiânia. A propriedade, que ficava em uma área antes menos urbanizada, passou a fazer divisa com o Residencial Morada do Bosque à medida que bairros e loteamentos avançaram pela região.
Na entrevista, Novaes relatou que a tranquilidade encontrada nos primeiros anos havia diminuído com o crescimento da cidade. Ainda assim, permanecia na chácara e não indicava intenção de deixar o endereço onde havia construído sua rotina e plantado as árvores ao longo das décadas.
A escolha de Goiânia ocorreu depois de uma trajetória profissional iniciada ainda durante a universidade, em São Paulo. Enquanto cursava Direito, Novaes começou a trabalhar em jornal e chegou a montar um escritório de advocacia com amigos, mas abandonou a atividade jurídica para seguir exclusivamente no jornalismo.
A aproximação com Goiás ocorreu em 1982, quando visitou Marco Antônio Coelho, que trabalhava no Diário da Manhã. Depois de conhecer Batista Custódio, proprietário do jornal, passou a enviar artigos e mais tarde aceitou o convite para trabalhar em Goiânia como editor-chefe da publicação.
Novaes deixou a função, retornou ao cargo por outro período e saiu novamente, mas decidiu continuar morando na capital goiana. Na entrevista de 2017, recordou que Goiânia tinha cerca de 600 mil habitantes quando se estabeleceu na cidade, antes da expansão urbana que encontraria nas décadas seguintes.
Permanecer em Goiás não interrompeu sua atuação em projetos nacionais. Novaes manteve relações profissionais com São Paulo e Rio de Janeiro e continuou trabalhando com veículos, emissoras e produtoras enquanto fazia de Goiânia sua base de vida e trabalho.
Essa rotina permitiu que a residência na capital goiana coexistisse com trabalhos realizados para empresas de comunicação localizadas em outros centros. A chácara, portanto, não representou afastamento da atividade jornalística, mas o endereço a partir do qual Novaes continuou desenvolvendo projetos profissionais.
Meio ambiente marcou a trajetória profissional
A pauta ambiental atravessou a trajetória profissional de Novaes. Entre os projetos citados pelo jornalista estava “Xingu — A Terra Mágica”, documentário produzido para a TV Manchete a partir de registros de comunidades indígenas da região do Xingu.
O trabalho tratou de povos que, naquele período, mantinham diferentes níveis de contato com a sociedade não indígena. A temática indígena e os problemas ambientais voltariam a aparecer em outros trabalhos realizados por Novaes ao longo da carreira.
O Cerrado ocupava espaço recorrente em suas análises sobre meio ambiente. Na mesma entrevista, ele relacionou a preservação do bioma à disponibilidade de água no Brasil Central e destacou a importância da região para bacias hidrográficas que alcançam diferentes partes do país.
Novaes também defendia que a degradação do Cerrado poderia trazer consequências graves para os recursos hídricos e criticava o espaço reduzido dedicado às questões ambientais pela imprensa fora dos períodos de crise.
Dentro da propriedade, a mudança de paisagem era visível em uma escala doméstica. A antiga área de pastagem passou a reunir árvores plantadas em diferentes momentos, enquanto do lado de fora a urbanização aproximava novos bairros da chácara onde o jornalista continuava morando.
O Jornal Opção registrou essa configuração em 2017, quando o mogno e outras espécies já haviam alcançado grande porte. A reportagem documentou o terreno ainda como residência de Novaes, cercada pelas árvores que ele próprio havia plantado ao longo de décadas.
Washington Novaes morreu em agosto de 2020, aos 86 anos, em Aparecida de Goiânia, informou a CNN Brasil. O jornalista encerrou uma carreira de mais de cinco décadas com passagens por jornais, televisão e produção de documentários, marcada especialmente pela cobertura de temas ambientais e indígenas.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

