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1,224 MWp escondidos sob cabos de alta tensão? Teste de R$ 1,6 milhão no ABC validou baixa interferência eletromagnética e abriu espaço para uma aplicação solar estimada em 1.746 MWh por ano

1,224 MWp escondidos sob cabos de alta tensão? Teste de R$ 1,6 milhão no ABC validou baixa interferência eletromagnética e abriu espaço para uma aplicação solar estimada em 1.746 MWh por ano

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1,224 MWp escondidos sob cabos de alta tensão? Teste de R$ 1,6 milhão no ABC validou baixa interferência eletromagnética e abriu espaço para uma aplicação solar estimada em 1.746 MWh por ano

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 22/10/2026 às 13:42

Atualizado em 22/10/2026 às 13:45

Energia Renovável

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Protótipo instalado em São Bernardo do Campo avaliou sombreamento, geração de energia e compatibilidade com a infraestrutura de transmissão. Os resultados indicaram viabilidade técnica nas condições testadas, enquanto os números de potência e produção anual correspondem a projeções de uma possível aplicação em escala.

Instalar painéis solares sob linhas de transmissão significa aproveitar uma faixa normalmente reservada aos cabos, torres e requisitos de segurança da rede. Um teste realizado em São Bernardo do Campo (SP) indicou que geração fotovoltaica e transmissão podem coexistir tecnicamente nas condições avaliadas pelo projeto.

A ISA Energia Brasil instalou um protótipo sob uma linha de transmissão e analisou sombreamento, produção de energia, campos eletromagnéticos e a proximidade entre os diferentes equipamentos. O projeto recebeu R$ 1,6 milhão em recursos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação regulados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

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Executado entre maio e dezembro de 2025, o experimento combinou estudos teóricos, simulações computacionais e medições em campo. A companhia apresentou os resultados em maio deste ano em um comunicado sobre o projeto-piloto.

A empresa informou que o sombreamento provocado pelas torres e pelos cabos não afetou a geração de maneira relevante durante os testes. As medições também apontaram baixa interferência eletromagnética, sem comprometimento da segurança ou da operação da rede nas condições examinadas.

O resultado não corresponde à entrada em operação de uma nova usina comercial. A pesquisa serviu para testar parâmetros técnicos de uma instalação fotovoltaica colocada dentro da faixa de transmissão e avaliar se os dois tipos de infraestrutura poderiam funcionar no mesmo espaço.

1,224 MWp e 1.746 MWh são projeções de uma aplicação em escala

Os números que dimensionam uma possível instalação maior vieram das simulações computacionais, e não da geração anual medida pelo protótipo. A ISA estimou que uma aplicação baseada na configuração estudada poderia alcançar 1,224 MWp de capacidade instalada e produzir aproximadamente 1.746 MWh por ano.

Isso significa que os valores não descrevem uma planta comercial de 1,224 MWp já construída e em funcionamento em São Bernardo do Campo. São estimativas associadas a uma aplicação potencial depois que o projeto avaliou, em campo, sombreamento, produção de energia e compatibilidade com os ativos de transmissão.

O protótipo buscou verificar se os painéis poderiam produzir eletricidade sob cabos e torres sem criar uma interferência incompatível com a linha existente. A conclusão divulgada pela empresa foi de viabilidade técnica dentro das condições específicas avaliadas durante o projeto.

Os módulos empregados eram de alta eficiência e foram escolhidos para aproveitar tanto a radiação solar direta quanto a luz refletida pelo entorno. Essa característica integrou a avaliação do desempenho em uma área onde a própria infraestrutura de transmissão produz sombras sobre partes do terreno ao longo do dia.

Nayana Guimarães, gerente de Novos Negócios da ISA Energia Brasil, afirmou que a experiência permitiu testar soluções de engenharia em condições reais. A empresa considera que os resultados fornecem referências técnicas para analisar futuras aplicações do mesmo conceito em outras áreas de transmissão.

Faixas de transmissão oferecem espaço, mas cada trecho exige avaliação própria

A dimensão das faixas associadas à rede ajuda a explicar o interesse nesse tipo de uso complementar. A ISA opera cerca de 23 mil quilômetros de circuitos de transmissão em 18 estados e estima que suas faixas de segurança somem aproximadamente 16,2 milhões de metros quadrados somente no município de São Paulo.

Esse total não representa uma superfície automaticamente disponível para painéis solares. As faixas continuam destinadas prioritariamente à operação da transmissão e precisam manter condições adequadas para segurança, inspeção, manutenção e acesso aos equipamentos instalados ao longo da rede.

Uma eventual expansão também depende das características de cada trecho. Geometria das torres, disposição dos cabos, incidência solar, configuração dos módulos e condições do terreno podem variar, de modo que o resultado obtido em São Bernardo do Campo não pode ser automaticamente reproduzido em toda a malha.

Além da compatibilidade física com a linha, uma instalação em escala precisa atender às exigências aplicáveis de segurança, manutenção, licenciamento e conexão da geração. A validação do protótipo trata da possibilidade técnica examinada no projeto, mas não substitui essas avaliações para outros locais.

A proposta testada pela ISA utiliza uma faixa já ocupada por infraestrutura elétrica, sem retirar da transmissão sua função principal. Esse aproveitamento complementar depende, portanto, de cada projeto preservar as condições necessárias para operação e manutenção dos ativos existentes.

Até a apresentação dos resultados, a empresa não havia divulgado cronograma para construção de uma usina comercial nem anunciado uma capacidade total autorizada para expansão. Qualquer aplicação além do protótipo ainda depende da avaliação específica das áreas e das demais etapas necessárias para implantação.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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