Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

298 furos divulgados e nenhum volta “vazio”: projeto em Goiás encontra terras raras em todos eles e mira alvo de até 1,2 bilhão de toneladas

298 furos divulgados e nenhum volta “vazio”: projeto em Goiás encontra terras raras em todos eles e mira alvo de até 1,2 bilhão de toneladas

GO

Faça um comentário

6 min de leitura

298 furos divulgados e nenhum volta “vazio”: projeto em Goiás encontra terras raras em todos eles e mira alvo de até 1,2 bilhão de toneladas

Escrito por Ana Alice

Publicado em 07/10/2026 às 22:31

Atualizado em 07/10/2026 às 23:10

Mineração

Canal

Projeto de terras raras em Goiás supera 10 km de perfuração, com 298 furos positivos e alvo exploratório de até 1,2 bilhão de toneladas. – Imagem: Ilustrativa via I.A

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Projeto Piracanjuba North já ultrapassou 10 quilômetros de perfuração em Goiás e avança para transformar uma extensa mineralização de terras raras em seu primeiro recurso mineral formal, com novas sondagens e estudos técnicos em andamento.

Um projeto de terras raras em Goiás chegou a 867 furos e mais de 10,3 quilômetros perfurados, enquanto a australiana Magnum Mining and Exploration tenta transformar uma extensa mineralização próxima à superfície em seu primeiro recurso mineral formal.

Entre os 298 furos cujos resultados haviam sido divulgados até 9 de setembro de 2026, todos registraram mineralização de óxidos de terras raras, sem um único resultado considerado “em branco” pela companhia.

O trabalho ocorre em Piracanjuba North, área pertencente ao Projeto Azimuth, no sul de Goiás.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

A empresa estabeleceu para a região um alvo exploratório conceitual entre 700 milhões e 1,2 bilhão de toneladas, com teores projetados entre 500 e 650 partes por milhão de óxidos totais de terras raras, conhecidos pela sigla TREO.

O número de 1,2 bilhão de toneladas, porém, ainda não representa recurso mineral nem reserva comprovada.

A própria Magnum ressalta que o alvo é conceitual, que ainda não houve exploração suficiente para transformar todo esse volume em recurso mineral e que não há garantia de que os trabalhos futuros consigam convertê-lo integralmente.

298 furos divulgados encontraram terras raras

A apresentação corporativa publicada pela Magnum em 9 de setembro trouxe um dos dados mais chamativos do programa.

Os 298 furos com resultados divulgados até aquela data apresentaram mineralização de TREO.

Isso não significa que todos tenham registrado os mesmos teores ou o mesmo potencial econômico. O dado indica apenas que algum nível de mineralização de óxidos totais de terras raras foi identificado em cada um deles.

Naquele momento, o programa havia alcançado 9.001 metros em 708 furos, enquanto aproximadamente 400 análises laboratoriais permaneciam pendentes.

Nove equipamentos de perfuração estavam mobilizados, e cerca de 90% da campanha sistemática planejada para aproximadamente 10 mil metros já havia sido concluída.

Poucos dias depois, uma atualização divulgada em 18 de setembro mostrou que a campanha principal havia ultrapassado a marca inicialmente planejada.

Com dados fechados em 15 de setembro, o projeto acumulava 10.313,97 metros de perfuração distribuídos por 867 furos.

A diferença entre os 298 furos mencionados no título e os 867 já executados está justamente no estágio de processamento das informações.

Os 298 correspondem aos resultados publicados até 9 de setembro. Centenas de outros furos já haviam sido concluídos, mas parte das amostras ainda estava em análise ou aguardava interpretação técnica.

Trabalhadores operam equipamento de sondagem no projeto de terras raras da Magnum em Goiás, onde centenas de furos foram executados durante a campanha de 2026. Crédito: Magnum Mining and Exploration / Divulgação.

Área prioritária concentra mais de 7 quilômetros de sondagens

Com o avanço do programa, a Magnum passou a concentrar esforços na chamada Plateau Zone, uma área de aproximadamente 32,5 quilômetros quadrados escolhida como foco para a primeira estimativa de recurso mineral do projeto.

Até 15 de setembro, essa região reunia 7.137,42 metros de perfuração em 576 furos.

A estratégia agora é aumentar a densidade das informações nas áreas consideradas mais promissoras.

Para isso, a empresa anunciou uma nova etapa de aproximadamente 2 mil metros de sondagem, priorizando furos de preenchimento destinados a reduzir os espaços entre pontos já investigados.

Essa fase também inclui perfuração diamantada com configuração de alta recuperação e sem uso de água.

Segundo a companhia, o método deverá melhorar o controle geológico e preservar amostras das diferentes camadas de alteração encontradas no terreno.

Quando a campanha começou, em abril de 2026, a previsão era executar cerca de 10 mil metros distribuídos por aproximadamente 830 furos na área de Piracanjuba.

Naquele estágio, cinco equipes de perfuração com trado foram mobilizadas para acelerar o levantamento.

O avanço posterior fez o projeto superar tanto a metragem quanto o número de furos inicialmente previstos.

Alvo de até 1,2 bilhão de toneladas ainda é conceitual

O alvo exploratório divulgado pela Magnum cobre cerca de 44 quilômetros quadrados de domínios sustentados por dados de sondagem.

A faixa conceitual varia entre 700 milhões e 1,2 bilhão de toneladas, com teores projetados entre 500 e 650 ppm de TREO.

Na mineração, um alvo exploratório ocupa uma etapa anterior à estimativa formal de recurso mineral.

Ele representa uma faixa de tonelagem e teor considerada possível com base nas informações disponíveis, mas ainda depende de mais perfurações, análises laboratoriais, modelagem geológica e outros estudos.

Por isso, seria incorreto afirmar neste momento que Piracanjuba possui 1,2 bilhão de toneladas de recursos ou reservas de terras raras.

A Magnum contratou a brasileira GE21 Consultoria Mineral para elaborar o modelo geológico independente e preparar, caso os dados disponíveis sejam suficientes, uma estimativa de recurso mineral dentro do padrão JORC.

No cronograma divulgado em setembro, a empresa trabalhava para concluir essa primeira estimativa até o fim de novembro de 2026.

A companhia, entretanto, admitiu a possibilidade de atraso de até duas semanas por causa do aumento no tempo de resposta dos laboratórios responsáveis pelos ensaios.

Terras raras aparecem em argilas próximas da superfície

Piracanjuba é investigado como um sistema de terras raras hospedadas em argilas de adsorção iônica, conhecidas internacionalmente pela sigla IAC.

Nesse tipo de ocorrência, parte dos elementos de terras raras permanece associada às partículas de argila formadas durante o intemperismo das rochas.

No caso de Piracanjuba, a mineralização identificada pela Magnum está relacionada a rochas graníticas alteradas ao longo do tempo pelo clima tropical.

Ensaios preliminares divulgados pela companhia indicaram taxas de dessorção de até 75% para TREO e 94% para óxidos de terras raras magnéticas, os chamados MREO, sob condições laboratoriais de lixiviação branda.

Esses percentuais ainda não significam que uma futura mina comercial conseguiria obter as mesmas taxas de recuperação.

A própria empresa trata os testes como indicadores preliminares e afirma que ainda são necessários estudos mineralógicos, metalúrgicos e de engenharia.

Entre os elementos destacados no projeto estão neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, utilizados principalmente na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho.

Esses materiais têm aplicações em setores como veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos, equipamentos médicos e diferentes tecnologias industriais.

As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos, muitos deles considerados estratégicos pela indústria devido às aplicações em tecnologias avançadas.

Mapa do Projeto Azimuth mostra as áreas controladas pela Magnum em Goiás e a localização de Piracanjuba North dentro do corredor mineral investigado pela companhia. Crédito: Magnum Mining and Exploration / Divulgação.

Projeto tenta transformar descoberta em recurso mineral

Além da GE21, outras instituições foram contratadas para trabalhos técnicos que antecedem qualquer avaliação mais avançada sobre uma futura mina.

O Centro de Tecnologia Mineral, o CETEM, ficou responsável pela caracterização do material e pelos primeiros ensaios metalúrgicos.

O laboratório GLP, por sua vez, foi contratado para avaliar materiais radioativos de ocorrência natural e estabelecer uma linha de base para estudos posteriores.

Essas atividades deverão avançar paralelamente às novas sondagens e à incorporação dos resultados laboratoriais ainda pendentes.

A área de Piracanjuba faz parte do Projeto Azimuth, controlado integralmente pela Magnum.

A companhia situa o empreendimento aproximadamente 200 quilômetros a sudoeste de Brasília e destaca a proximidade de estradas, rede elétrica e centros urbanos.

Essas condições, porém, ainda precisariam ser avaliadas em profundidade caso o projeto avance para estudos econômicos de desenvolvimento.

A empresa projeta posteriormente iniciar um estudo de escopo, desde que a primeira estimativa de recurso e os demais dados técnicos ofereçam base suficiente.

Etapas posteriores, como estudos de pré-viabilidade e viabilidade definitiva, permanecem condicionadas aos resultados das campanhas de exploração, ao financiamento e às aprovações necessárias.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

Sair da versão mobile