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30 poços de petróleo em Alto do Rodrigues, Pendências e Mossoró: Brava pede licença ao Idema para frear o declínio dos campos maduros do RN, mas o volume de óleo e o investimento seguem sem número

30 poços de petróleo em Alto do Rodrigues, Pendências e Mossoró: Brava pede licença ao Idema para frear o declínio dos campos maduros do RN, mas o volume de óleo e o investimento seguem sem número

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30 poços de petróleo em Alto do Rodrigues, Pendências e Mossoró: Brava pede licença ao Idema para frear o declínio dos campos maduros do RN, mas o volume de óleo e o investimento seguem sem número

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 09/10/2026 às 11:15

Atualizado em 09/10/2026 às 11:16

Petróleo e Gás

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Foto: Divulgação/Brava

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O pedido dos poços de petróleo saiu no Diário Oficial do RN em 7 de outubro e depende do Idema. Veja onde eles ficam, quanto o Polo Potiguar perdeu de produção em um ano e o que isso fez com os royalties das prefeituras.

A Brava Energia pediu licenças ambientais para instalar 30 poços de petróleo em terra no Rio Grande do Norte. O requerimento foi publicado no Diário Oficial do Estado na quarta-feira (7), segundo a Tribuna do Norte.

Quem assina o pedido é a 3R Potiguar, subsidiária da Brava que opera os campos comprados da Petrobras, de acordo com o BNews RN. A decisão cabe ao Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), o órgão ambiental do estado.

Onde ficam os 30 poços de petróleo pedidos pela Brava?

A divisão é desigual. São 25 poços em áreas de Alto do Rodrigues e Pendências e cinco em Mossoró, conforme a Tribuna do Norte.

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Junto com os poços de petróleo, a empresa pediu licença para 30 linhas de surgência. Linha de surgência é o tubo que leva o óleo da cabeça do poço até a estação coletora. Lá, a produção de vários poços se junta antes de seguir viagem.

Alto do Rodrigues e Pendências dividem um dos campos mais antigos da bacia. Pela ficha do plano de desenvolvimento na ANP, o campo de Alto do Rodrigues pega esses dois municípios e Carnaubais. Fica a cerca de 200 km de Natal e produz desde 1981.

Os novos poços de petróleo vão para uma área que já é furada há mais de quatro décadas. Em qual campo exato cai cada um, a Brava ainda vai mostrar no processo do Idema.

Um campo com 869 poços já perfurados

A mesma ficha da ANP conta 869 poços perfurados no campo até 2020, dos quais 486 produtores. O óleo é pesado, entre 13 e 17 graus API, e precisa de calor para sair.

Por isso o campo recebe injeção de vapor desde 1984, primeiro cíclica e, a partir de 1997, contínua. O vapor aquece o óleo grosso dentro da rocha e faz ele escorrer até o poço.

A conta ajuda a dar escala. Se os 30 poços de petróleo pedidos ficassem todos nesse campo, somariam 3,5% dos 869 já perfurados ali. É um reforço, não um campo novo.

Quanto petróleo a Brava tira hoje do Polo Potiguar?

Quanto óleo os 30 poços vão render ainda é uma incógnita, assim como o investimento e o número de vagas. O termômetro disponível é a produção do Polo Potiguar, publicada todo mês pela empresa.

No boletim de produção de setembro, divulgado em 7 de outubro, a Brava informa 19.415 barris de óleo por dia no Polo Potiguar. No terceiro trimestre de 2026, a média ficou em 19.245 barris diários.

Um ano antes era outra conversa. O boletim de janeiro de 2026 traz 22.957 barris por dia no terceiro trimestre de 2025.

PeríodoÓleo no Polo Potiguar (barris por dia)3º trimestre de 202522.9574º trimestre de 202519.885Janeiro de 202618.7631º trimestre de 202618.0503º trimestre de 202619.245Setembro de 202619.415
Fonte: boletins mensais de produção da Brava (janeiro e setembro de 2026), dados preliminares e não auditados.

A conta: 22.957 menos 19.415 dá 3.542 barris por dia a menos, uma queda de 15,4% entre o terceiro trimestre de 2025 e setembro de 2026.

Por que a produção caiu no Polo Potiguar

O tombo tem data. No boletim de janeiro, a Brava atribui o resultado à interdição temporária de instalações na região, depois de uma auditoria da ANP em setembro de 2025, e diz que vinha recebendo aos poucos as autorizações para retomar.

Desde o fundo do poço, no primeiro trimestre de 2026, a produção subiu 6,6%. No boletim de setembro, a empresa escreve que a retomada gradual segue avançando, puxada pelo aumento dos volumes de reinjeção de vapor.

Ainda falta chão. Setembro fechou 3.542 barris diários abaixo do patamar de um ano antes, e é nesse buraco que os novos poços de petróleo entram.

O que a Brava diz que quer com os 30 poços de petróleo

Em nota à Tribuna do Norte, a Brava afirma que o pedido serve para otimizar seus ativos onshore e garantir a sustentabilidade da produção na região. Diz também que o Complexo Potiguar tem papel central na estratégia da companhia.

Para os próximos anos, a empresa promete campanhas de perfuração e de workover, que é a intervenção em poço que já existe para fazê-lo voltar a produzir ou produzir mais, nas bacias do RN e da Bahia. Na mesma nota, cita pilotos de injeção de polímeros e técnicas de recuperação orgânica para compensar o declínio natural dos reservatórios.

Royalties: o que está em jogo para as prefeituras

Aqui está o ponto que interessa a quem mora nesses municípios. Menos óleo significa menos royalties, e o Rio Grande do Norte já sentiu.

Um levantamento do Movimento Econômico com dados da ANP compara março de 2026 com março de 2025. Nesse intervalo, os repasses ao estado e às prefeituras potiguares caíram de R$ 64,7 milhões para R$ 47,3 milhões.

Alto do Rodrigues teve a maior perda absoluta do Nordeste. Os royalties do mês caíram de R$ 10,2 milhões para R$ 2,7 milhões, na mesma comparação.

Mossoró, o maior produtor do estado, recuou de R$ 2,1 milhões para R$ 1,4 milhão.

Royalties pesam até 25% da receita bruta de cidades como Alto do Rodrigues, Mossoró e Assú, segundo o levantamento do Observatório Nacional da Indústria citado pelo Movimento Econômico.

Há um detalhe que freia o otimismo. A ANP aprovou em 2023 uma alíquota menor de royalties sobre a produção incremental do Polo Potiguar, em troca de um plano de investimentos, lembra o Movimento Econômico. O barril extra dos novos poços de petróleo pode render menos por unidade que o antigo.

Quantas licenças a Brava já recebeu no Polo Potiguar

O pedido de agora não é o primeiro do ano. Em setembro, o Idema confirmou um pacote de 20 licenças para poços, linhas de surgência e acessos, publicado no Diário Oficial de 10 de setembro, segundo a Tribuna do Norte.

Daquele lote, 10 eram renovações de Licença de Operação, 9 renovações de Licença Simplificada e 1 Licença Simplificada nova. Ou seja, quase tudo manutenção do que já funcionava, em Mossoró, Alto do Rodrigues, Macau, Carnaubais, Assú, Pendências e Areia Branca.

A diferença do pedido de outubro está na palavra instalar. São poços novos, e não renovação.

A Secretaria do Desenvolvimento Econômico do RN (Sedec-RN) disse à Tribuna do Norte que vê os pedidos como positivos. Para a pasta, poços novos ajudam a manter a produção dos campos maduros, com reflexo possível em emprego e royalties.

Agora a bola está com o Idema, que não tem prazo público para responder.

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Brava Energia


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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