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A 375 km da costa, quatro ativistas escalam estrutura de 70 mil toneladas e conseguem paralisar operações de projeto de gás de US$ 12,5 bilhões na Austrália, reacendendo disputa sobre recifes e exploração
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 19/10/2026 às 00:30
Atualizado em 19/10/2026 às 00:31
Petróleo e Gás
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Quatro integrantes do Greenpeace ocuparam uma unidade flutuante do projeto Scarborough, da Woodside, e provocaram a suspensão temporária das atividades de pré-comissionamento. O protesto mira outro empreendimento da companhia, o Browse, planejado próximo ao ecossistema de corais de Scott Reef.
Uma estrutura flutuante de 70 mil toneladas, instalada a aproximadamente 375 quilômetros da costa australiana, teve suas atividades interrompidas depois que quatro ativistas do Greenpeace conseguiram escalar a instalação e realizar um protesto contra projetos de exploração de gás natural.
O episódio começou no sábado, 17 de outubro de 2026, na unidade de produção flutuante do projeto Scarborough, desenvolvido pela petrolífera australiana Woodside Energy, com investimentos estimados em US$ 12,5 bilhões.
Segundo a Reuters, a empresa suspendeu temporariamente as atividades de pré-comissionamento da unidade depois do acesso não autorizado dos manifestantes. No domingo, 18 de outubro, as operações permaneciam interrompidas por razões de segurança.
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O projeto Scarborough estava aproximadamente 98% concluído quando ocorreu a manifestação.
Há um detalhe que torna o episódio incomum: embora o protesto tenha ocorrido em Scarborough, o principal alvo ambiental dos ativistas era outro empreendimento da Woodside, o projeto Browse, que prevê exploração de gás nas proximidades de Scott Reef, uma região de elevada importância ecológica no Oceano Índico.
Como quatro ativistas conseguiram interromper atividades em uma estrutura de 70 mil toneladas?
A ação começou na manhã de 17 de outubro, quando integrantes do Greenpeace Australia Pacific saíram do navio ambientalista Rainbow Warrior em pequenas embarcações e se aproximaram da unidade flutuante.
Utilizando equipamentos especializados de escalada, quatro manifestantes alcançaram estruturas externas da instalação e posicionaram faixas de protesto contra a expansão da exploração de gás.
O grupo divulgou que a mobilização começou por volta das 5h45, no horário da Austrália Ocidental.
Dois participantes permaneceram na unidade durante a noite, utilizando equipamentos de suspensão e abrigos temporários fixados à estrutura.
A Woodside informou que havia interrompido as atividades de pré-comissionamento por causa da presença dos manifestantes.
Essas atividades fazem parte da preparação e verificação de equipamentos antes da entrada em operação comercial.
A paralisação não significa que uma instalação já estivesse produzindo gás e teve toda a extração interrompida. O projeto ainda estava em fase de preparação operacional.
Essa distinção é importante porque o impacto imediato registrado foi sobre os trabalhos de pré-comissionamento, não sobre um volume de produção comercial já estabelecido.
Projeto Scarborough já estava 98% concluído quando ocorreu o protesto
Scarborough é um dos grandes empreendimentos de gás natural desenvolvidos na região noroeste da Austrália.
O projeto envolve a exploração de reservas offshore e infraestrutura destinada ao processamento e fornecimento de gás natural.
Seu investimento estimado de US$ 12,5 bilhões demonstra a dimensão financeira da operação.
A unidade flutuante ocupada pelos ativistas é uma peça importante da infraestrutura de processamento do empreendimento.
O fato de o projeto estar 98% concluído acrescenta um elemento econômico relevante: a manifestação ocorreu em uma etapa avançada de implantação, quando equipamentos e sistemas passam por procedimentos de preparação para o início das operações.
Uma interrupção nessa fase pode exigir ajustes no planejamento das atividades e na mobilização das equipes.
Entretanto, a Woodside não apresentou, nas informações consultadas, uma estimativa pública de prejuízo financeiro causado pelo protesto nem uma revisão confirmada do cronograma de entrada em produção.
Assim, os US$ 12,5 bilhões correspondem ao valor do empreendimento, e não ao prejuízo provocado pela paralisação.
O protesto aconteceu em Scarborough, mas a disputa ambiental envolve Scott Reef
O Greenpeace afirma que o objetivo da manifestação foi chamar atenção para os riscos ambientais associados ao projeto Browse, também desenvolvido pela Woodside.
A organização se opõe à proposta de perfuração de até 57 poços na região de Scott Reef, um complexo de recifes localizado no Oceano Índico.
O local abriga diversas espécies marinhas, incluindo tartarugas-verdes e animais ameaçados, como a baleia-azul-pigmeia.
Segundo o Greenpeace, as atividades previstas para o projeto Browse representam riscos ao ecossistema marinho e podem contribuir para ampliar as emissões de gases de efeito estufa.
Essas avaliações são apresentadas pela organização ambientalista, que defende o cancelamento do empreendimento.
A Woodside contesta a interpretação de que o projeto necessariamente causará danos físicos ao recife. A empresa afirma que as estruturas previstas não terão contato físico com a formação coralínea, situada acima de uma profundidade de aproximadamente 75 metros.
Existe também uma diferença geográfica fundamental: Scarborough e Browse são empreendimentos distintos, separados por mais de mil quilômetros, embora ambos estejam associados às atividades da Woodside na região noroeste australiana.
A manifestação foi realizada sobre uma unidade de Scarborough para pressionar contra os planos de exploração em Browse.
Protesto terminou com dois ativistas sob custódia das autoridades australianas
A mobilização se prolongou durante o fim de semana.
Em atualização divulgada pelo Greenpeace sobre os acontecimentos de domingo, 18 de outubro, a organização informou que dois dos quatro participantes haviam sido colocados sob custódia das autoridades australianas.
Os ativistas permaneceram na estrutura durante parte do protesto, enquanto a Polícia e outros órgãos públicos acompanhavam a situação.
A organização classificou a ação como pacífica e afirmou que pretendia chamar a atenção do governo australiano para a necessidade de proteger Scott Reef.
Por outro lado, o acesso não autorizado a instalações offshore levanta preocupações operacionais, especialmente porque essas estruturas possuem equipamentos industriais, áreas restritas e protocolos de segurança específicos.
As autoridades australianas passaram a acompanhar a ocorrência, mas a presença policial e a detenção dos manifestantes não representam, por si só, uma decisão definitiva sobre eventuais responsabilidades judiciais.
O episódio expõe um conflito entre expansão do gás natural e proteção ambiental
A interrupção em Scarborough demonstra como grandes projetos energéticos podem ser afetados por controvérsias que ultrapassam seus limites físicos.
De um lado, empreendimentos de gás natural envolvem investimentos elevados, cadeias de fornecedores, empregos especializados e infraestrutura destinada ao abastecimento energético.
Do outro, organizações ambientais questionam a expansão de projetos de combustíveis fósseis diante das emissões associadas à sua produção e utilização, além dos possíveis impactos sobre ecossistemas sensíveis.
No caso australiano, o conflito ganhou visibilidade porque uma manifestação com quatro participantes atingiu temporariamente as atividades de uma instalação de grande porte, vinculada a um projeto bilionário.
Até as informações confirmadas na apuração, não havia uma estimativa oficial do custo da interrupção nem confirmação de mudanças definitivas no cronograma de Scarborough.
O próximo desdobramento operacional depende da retomada segura das atividades pela Woodside. Já a controvérsia sobre Browse continua vinculada às avaliações ambientais, ao licenciamento e às decisões das autoridades australianas.
O protesto terminou por transformar uma estrutura de produção de gás, distante centenas de quilômetros da costa, em palco de uma disputa muito maior sobre o futuro da exploração energética no país.
Fonte
reuters
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

