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A água que pinga do ar-condicionado pode produzir alimentos? Projeto no Pantanal investiga essa possibilidade

A água que pinga do ar-condicionado pode produzir alimentos? Projeto no Pantanal investiga essa possibilidade

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A água que pinga do ar-condicionado pode produzir alimentos? Projeto no Pantanal investiga essa possibilidade

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 02/10/2026 às 21:00

Atualizado em 02/10/2026 às 21:02

Agronegócio

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Equipe do AquaPantanal, semifinalista do Solve for Tomorrow Brasil 2026, na frente da escola em Miranda (MS). Foto: Divulgação/Samsung

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Alunos de uma escola estadual de Miranda (MS) montam um protótipo de aquaponia de baixo custo para descobrir se a água do ar-condicionado aguenta peixe e hortaliça, com sensores de pH e amônia.

Estudantes da Escola Estadual Caetano Pinto, em Miranda (MS), testam se a água do ar-condicionado descartada pela escola pode abastecer um sistema de aquaponia, que cria peixes e cultiva hortaliças juntos. O projeto AquaPantanal está entre as 30 equipes semifinalistas do Solve for Tomorrow Brasil, segundo a Samsung, que divulgou o caso em 2 de outubro de 2026.

O resultado ainda depende dos testes. A pergunta do grupo é se a água do ar-condicionado pode entrar no sistema com segurança, e a resposta passa pela qualidade da água.

De onde vem a água do ar-condicionado usada no AquaPantanal

O AquaPantanal é um protótipo de aquaponia de baixo custo feito por alunos do 1º, 2º e 3º anos do ensino médio. O nome completo é “AquaPantanal: Água que ensina, alimenta e preserva”.

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A ideia nasceu de um desperdício dentro da escola. A água do ar-condicionado, condensada pelos aparelhos, hoje é descartada, diz o release.

Miranda tem relação forte com a pesca e fica no contexto do Cerrado e do Pantanal. Foi isso que levou o grupo a pensar em peixes e hortaliças.

Como funciona a aquaponia

A aquaponia junta num mesmo circuito de água a criação de peixes e o cultivo de plantas. Os peixes comem ração e soltam excretas, que viram nutriente para as plantas, segundo a Embrapa.

Quem faz essa conversão são bactérias. Elas transformam a amônia, tóxica para o peixe, em nitrito e depois em nitrato, que a planta absorve.

Ao consumir esse nitrato, plantas e bactérias filtram a água e a devolvem em condição para os peixes. Por isso o sistema quase não troca água, desde que a qualidade da água se mantenha.

Quanta água a aquaponia gasta

A Embrapa afirma que a aquaponia pode reduzir o consumo de água em até 90% na comparação com sistemas convencionais. Depois de abastecido, o sistema pode funcionar por tempo indefinido sem troca de água.

O que precisa ser reposto é só a água perdida na evaporação e nas colheitas, segundo a Embrapa.

Por que a qualidade da água é o centro do teste

A qualidade da água é o ponto que o grupo vai medir. O projeto prevê sensores e recursos de Internet das Coisas (IoT) para monitorar parâmetros da água, como pH e amônia.

O pH é um dos pontos mais críticos da aquaponia, segundo a Embrapa. Peixes, plantas e bactérias dividem a mesma água e cada um prefere uma faixa diferente.

As bactérias rendem melhor com pH entre 7,0 e 8,0. As hortaliças de hidroponia crescem melhor entre 5,5 e 6,5, e a maioria dos peixes de água doce, entre 7,0 e 9,0.

A recomendação da Embrapa para atender os três é manter o pH entre 6,5 e 7,0. Em clima tropical, o oxigênio dissolvido deve ficar sempre acima de 3 mg/L.

Outro número pesa no cronograma. Costumam ser necessários de 20 a 40 dias após a entrada dos peixes para o ciclo das bactérias se equilibrar e as plantas poderem entrar.

Qual peixe pode ser usado no protótipo

Entre as espécies consideradas está o lambari do rabo amarelo, peixe nativo que poderá ser avaliado ao longo dos testes. A escolha conversa com a pesca da região.

“O projeto contribui para que eles reconheçam como medir o pH, entendam que a água precisa estar dentro de determinados parâmetros para os peixes”, afirmou a professora parceira Elissandra Aparecida Medeiros Barreto Kling de Santana.

Com a IoT, disse ela, os alunos também vão poder captar informações do ambiente e acompanhar a qualidade da água.

O professor orientador Flavio Rossi Galhardo de Figueiredo afirmou que o grupo aprende a formular hipóteses, buscar bibliografia e fazer testes. “Alguns nunca tinham tido esse contato com a ciência”, disse.

Quando sai o resultado do Solve for Tomorrow

Os 10 finalistas do Solve for Tomorrow Brasil 2026 serão anunciados em 16 de outubro, segundo a Samsung. A mentoria das equipes finalistas vai de 19 de outubro a 27 de novembro.

A votação do Júri Popular abre em 23 de novembro. Os vencedores por categoria saem em 8 de dezembro.

O programa é da Samsung, com coordenação geral do Cenpec, e reúne estudantes de ensino médio da rede pública. A 13ª edição teve alta de 7,7% nos projetos inscritos em relação a 2025, de acordo com dados internos da empresa.

Helvio Kanamaru, diretor de ESG e Cidadania Corporativa da Samsung para a América Latina, afirmou que os alunos refletem “sobre o uso responsável dos recursos naturais” ao investigar a água do ar-condicionado.

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aquaponia


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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