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A internet mundial depende de cabos escondidos no fundo do mar, e uma fábrica de 20 hectares nos EUA já participou da instalação de mais de 1 milhão de km dessa infraestrutura invisível que conecta continentes

A internet mundial depende de cabos escondidos no fundo do mar, e uma fábrica de 20 hectares nos EUA já participou da instalação de mais de 1 milhão de km dessa infraestrutura invisível que conecta continentes

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A internet mundial depende de cabos escondidos no fundo do mar, e uma fábrica de 20 hectares nos EUA já participou da instalação de mais de 1 milhão de km dessa infraestrutura invisível que conecta continentes

Escrito por Carla Teles

Publicado em 13/10/2026 às 13:24

Atualizado em 13/10/2026 às 14:16

Ciência e Tecnologia

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Fábrica da SubCom produz cabos submarinos de fibra óptica que sustentam a internet e amplia sua capacidade nos EUA. Imagem: Subcom YT

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A fábrica da SubCom em Newington produz cerca de 58 mil quilômetros de cabos por ano e passa por expansão para chegar perto de 77 mil km anuais até o fim de 2026.

Uma fábrica de aproximadamente 20 hectares em Newington, no estado norte-americano de New Hampshire, participa da construção de uma infraestrutura que permanece quase invisível para quem usa a internet. Operada pela SubCom, a unidade produz sistemas de cabos submarinos de fibra óptica que atravessam oceanos e sustentam comunicações internacionais, enquanto a empresa afirma já ter implantado mais de 1 milhão de quilômetros dessa infraestrutura ao longo de sua história.

A reportagem do Interesting Engineering, publicada em 13 de outubro de 2026, detalha o funcionamento da instalação e sua expansão. Os dados também são confirmados pela SubCom, que informa operar um campus industrial de 50 acres em Newington, e por uma reportagem do Portsmouth Herald, segundo a qual a produção anual deve subir dos atuais 58 mil quilômetros para aproximadamente 77 mil quilômetros até o fim de 2026.

Mais de 99% do tráfego internacional passa por cabos submarinos

Fábrica da SubCom produz cabos submarinos de fibra óptica que sustentam a internet e amplia sua capacidade nos EUA. Imagem: Subcom YT

Apesar da associação da internet com satélites e redes sem fio, a maior parte do tráfego internacional de dados percorre cabos instalados no fundo dos oceanos. De acordo com a União Internacional de Telecomunicações citada pela fonte, mais de 99% das comunicações internacionais de dados dependem dessa infraestrutura submarina.

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Por esses cabos passam videochamadas, transações financeiras, serviços em nuvem, arquivos corporativos e conexões entre data centers localizados em diferentes continentes. O funcionamento diário parece instantâneo para o usuário, mas depende de milhares de quilômetros de fibras de vidro protegidas por sucessivas camadas de materiais.

No centro desse sistema estão fibras ópticas extremamente finas. Em vez de transportar sinais por corrente elétrica como cabos metálicos convencionais, elas enviam informações na forma de pulsos de luz, permitindo movimentar grandes quantidades de dados por longas distâncias.

Essas fibras não podem ser colocadas diretamente no oceano. Dependendo da rota, recebem camadas de proteção e reforços metálicos capazes de suportar pressão, tensão mecânica, contato com água e riscos associados a âncoras ou equipamentos de pesca.

Fábrica adapta cada cabo à profundidade e aos riscos da rota

A construção varia conforme o trecho em que o cabo será instalado. Em regiões profundas, onde a possibilidade de danos externos é menor, podem ser utilizadas configurações mais leves. Perto da costa, as estruturas costumam receber proteção adicional.

Isso significa que um único sistema submarino pode utilizar diferentes tipos de cabo ao longo do mesmo trajeto. A engenharia considera profundidade, relevo do fundo do mar, atividade humana e outros riscos antes de definir como cada segmento será fabricado.

A fábrica de Newington integra essa etapa industrial com a produção de outros componentes necessários ao sistema. Entre eles estão repetidores ópticos instalados ao longo das rotas para reforçar o sinal e permitir que a luz percorra milhares de quilômetros sem perder intensidade a ponto de comprometer a comunicação.

Os repetidores também precisam receber energia. Por isso, além das fibras ópticas, o conjunto incorpora elementos capazes de conduzir eletricidade desde equipamentos instalados em terra até os dispositivos distribuídos pelo fundo do oceano.

Sistemas são testados em terra antes de seguirem para navios

A produção não termina quando o cabo deixa a linha industrial. Em Newington, componentes, repetidores e outros equipamentos são reunidos e testados como um sistema antes de seguir para o navio responsável pela instalação.

Depois começa uma operação marítima planejada com antecedência. Equipes estudam o fundo do mar, definem a rota e avaliam profundidade e obstáculos para controlar como cada seção será posicionada.

Nos trechos próximos da costa, onde há maior exposição a barcos, pesca e atividades humanas, partes do cabo podem ser enterradas no leito marinho. Em águas profundas, determinados segmentos permanecem apoiados diretamente sobre o fundo do oceano.

Essa combinação de fabricação, testes e instalação entra em uma nova fase à medida que a demanda mundial por transmissão de dados aumenta e exige redes capazes de ligar novos centros digitais em continentes diferentes.

SubCom já ultrapassou 1 milhão de quilômetros instalados

A SubCom anunciou em maio de 2025 ter se tornado a primeira empresa do setor a superar 1 milhão de quilômetros de sistemas de cabos submarinos implantados. A distância seria suficiente para contornar a Terra mais de 25 vezes pela região do Equador.

O marco não corresponde à produção anual da fábrica de Newington. Ele representa o volume acumulado de cabos implantados pela companhia durante décadas de participação na indústria mundial de telecomunicações submarinas.

A empresa atua nesse segmento desde 1955, embora sua origem corporativa seja ainda mais antiga. A unidade de Newington remonta à época em que funcionava como Simplex Wire & Cable e posteriormente se tornou peça central das operações da atual SubCom.

Entre os sistemas nos quais a companhia trabalhou está o Grace Hopper, que liga Estados Unidos, Reino Unido e Espanha. Outro projeto citado pela fonte é o SEA-ME-WE 6, rede de aproximadamente 19,2 mil quilômetros conectando áreas do Sudeste Asiático, Oriente Médio e Europa Ocidental.

Produção pode chegar a 100 mil quilômetros por ano

A expansão da unidade de Newington busca acompanhar o crescimento do tráfego internacional, serviços de computação em nuvem e investimentos de empresas de tecnologia em conexões diretas entre grandes centros de processamento de dados.

Segundo o Portsmouth Herald, a fábrica produzia cerca de 58 mil quilômetros de cabos por ano no início de 2026. O planejamento prevê atingir aproximadamente 77 mil quilômetros anuais até o final do ano e, em uma etapa posterior, alcançar capacidade de 100 mil quilômetros por ano.

A expansão adiciona mais de 100 mil pés quadrados de área de fabricação, equivalente a mais de 9 mil metros quadrados. O projeto também prevê novas linhas industriais para extrusão e produção de condutores de energia.

A companhia planeja ainda acrescentar entre 75 e 100 empregos no complexo. A ampliação ocorre enquanto grandes empresas digitais aumentam a necessidade de infraestrutura física entre data centers e mercados localizados em diferentes países.

Cabos continuam vulneráveis mesmo protegidos no fundo do oceano

Instalar um cabo a milhares de metros de profundidade não elimina todos os riscos. Âncoras, pesca, movimentos do fundo oceânico e fenômenos naturais podem danificar trechos das redes e interromper sua operação.

Por isso, planejamento de rota, manutenção e capacidade de reparo permanecem parte da operação. A própria construção muda conforme a exposição prevista para cada região, reforçando determinadas seções antes que o sistema deixe a fábrica.

Essa infraestrutura também pode mudar nos próximos anos conforme cresce a demanda por capacidade e novas rotas são planejadas para aumentar redundância e conectividade internacional.

O contraste ajuda a dimensionar a estrutura física por trás da internet: dados parecem cruzar o planeta instantaneamente, mas grande parte desse caminho acontece dentro de fibras fabricadas em instalações industriais, embarcadas em navios especializados e depositadas cuidadosamente no fundo do mar. A fábrica de Newington é uma das unidades responsáveis por transformar esses filamentos de vidro em conexões capazes de atravessar oceanos inteiros.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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