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A Margem do Rio e Elza vencem principais prêmios do Festival do Rio

A Margem do Rio e Elza vencem principais prêmios do Festival do Rio

© Christian Rodrigues/Divulgação

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O cinema brasileiro foi o protagonista da noite de encerramento da 28ª edição do Festival do Rio, que anunciou os vencedores dos Troféus Redentor após dez dias de programação em salas de diferentes regiões da cidade.

A Margem do Rio, de Enock Carvalho e Matheus Farias, recebeu o prêmio de melhor longa-metragem de ficção, enquanto Elza, de Eryk Rocha, foi escolhido como melhor longa-metragem documentário. A organização informou que o festival recebeu mais de 150 mil pessoas nesta edição.

Na cerimônia realizada no tradicional Cine Odeon, no centro do Rio, a premiação reuniu produções que abordam diferentes experiências sociais e culturais brasileiras.

Elza

Filho do cineasta Glauber Rocha, Eryk Rocha recebeu o Redentor pelo documentário, que teve sua estreia mundial no festival.

Em entrevista após a cerimônia, o diretor falou sobre o longo processo de realização do filme, construído em estreita colaboração com Elza Soares, uma das artistas mais marcantes da música brasileira.

“Eu tô muito, muito emocionado, porque foi a estreia mundial do filme. Ele nasceu aqui, no Rio, na cidade da Elza, na minha cidade”, afirmou.

Segundo o diretor, o projeto atravessou anos de trabalho e incluiu oito anos de filmagens com a cantora. A produção acompanha a trajetória de Elza Soares a partir de sua própria voz, articulando memórias pessoais, música e imagens de arquivo.

“É um filme que fala sobre a mulher brasileira, a mulher negra brasileira, fala sobre o Brasil, sobre a luta”, disse Eryk.

O cineasta explicou que a narrativa procura relacionar a história da cantora à trajetória do país e às transformações vividas por diferentes gerações. O documentário também incorpora imagens de filmes latino-americanos, que dialogam com as memórias e o imaginário da artista.

Para Eryk, o cinema tem a capacidade de reunir linguagens e dimensões históricas.

“O cinema é uma linguagem muito potente, muito rica”, afirmou. “Esse filme coloca em confluência o cinema, música e a própria história do Brasil.”

O diretor também destacou a proximidade construída com a família de Elza durante a realização do longa. Segundo ele, o acesso à intimidade da artista representou uma responsabilidade e, ao mesmo tempo, um dos maiores presentes de sua trajetória profissional.

Melhor ator

O prêmio de melhor ator foi para Victor di Marco, por London, filme que teve estreia mundial no Festival de Veneza, em setembro, antes de chegar ao Festival do Rio.

Ator, roteirista e diretor, di Marco aproveitou o discurso de agradecimento para falar sobre capacitismo e as barreiras enfrentadas por artistas com deficiência no mercado audiovisual.

“Eu sou um ator com deficiência e falo isso com muito orgulho”, declarou.

O artista contou que ouviu, no início de sua trajetória, que não poderia atuar por não ter o chamado “corpo de ator”. A experiência, segundo ele, o levou a desenvolver uma técnica própria de interpretação.

“Eu desenvolvi uma técnica minha, porque a deficiência pode ser uma inteligência”, afirmou.

Ao dedicar o prêmio à avó, que assistia a novelas com ele e o incentivava a reproduzir as cenas, Victor ressaltou a importância do apoio recebido durante sua formação. O ator também defendeu a ampliação das possibilidades de representação de pessoas com deficiência nas telas.

“A deficiência é algo sexy e a deficiência é o futuro”, disse.

Outros prêmios

Na categoria de melhor atriz, o júri concedeu o prêmio ex aequo — quando há vencedoras empatadas — a Isabel Teixeira, por Diário do Fogo, e Grace Passô, por A Professora de Francês.

As duas atrizes têm trajetórias ligadas ao teatro e à construção de personagens em diferentes linguagens. O reconhecimento compartilhado foi um dos destaques da lista de vencedores da Première Brasil.

Pedro Goifman recebeu o prêmio de melhor ator coadjuvante por A Professora de Francês. Já Renna Costa, Artia e Ísis Broken dividiram o prêmio de melhor atriz coadjuvante por A Margem do Rio, que também foi reconhecido em categorias técnicas, incluindo fotografia e som.

Na direção, Gabriel Martins venceu por Vicentina Pede Desculpas, que também recebeu o prêmio de melhor roteiro. Camila Valença foi premiada pela direção de documentário por Cão Sem Plumas.

Além dos resultados artísticos, a cerimônia destacou a importância das condições de formação e financiamento para a realização de filmes brasileiros. Em seus discursos, realizadores ressaltaram os percursos necessários para chegar à produção de uma obra e a contribuição de espaços de exibição e debate para o desenvolvimento do cinema.

Festivais como o do Rio funcionam como plataformas de encontro entre realizadores, profissionais do setor, imprensa e público. Também ajudam a apresentar filmes inéditos, estimular discussões sobre linguagem e representação e aproximar produções brasileiras de programadores e agentes do circuito internacional.

O balanço divulgado pela organização aponta a exibição de 101 filmes brasileiros, entre longas e curtas-metragens. Desse total, 45 participaram das mostras competitivas oficiais.

O público também escolheu seus favoritos em cinco categorias. Fui Olhar Você Dormir, de Anna Azevedo, venceu como melhor longa-metragem documentário pelo voto popular, enquanto Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins, foi escolhido como melhor longa-metragem de ficção.

Na Mostra Expectativa, o filme mais votado pelo público recebe o Prêmio Aquisição TV Globo. Já o vencedor de melhor filme da Première Latina recebe o Prêmio Aquisição Telecine, que prevê uma janela de distribuição.

Principais premiados do Festival do Rio 2026

Júri Oficial — Première Brasil

Voto popular

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Agencia Brasil por Anna Karina de Carvalho – repórter da Agência Brasil.

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