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Agricultor de Illinois tem 10 torres eólicas na fazenda e recebe cerca de R$ 600 mil por ano, mas no Nordeste os relatos vão de R$ 600 a R$ 2 mil por mês por torre

Agricultor de Illinois tem 10 torres eólicas na fazenda e recebe cerca de R$ 600 mil por ano, mas no Nordeste os relatos vão de R$ 600 a R$ 2 mil por mês por torre

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Agricultor de Illinois tem 10 torres eólicas na fazenda e recebe cerca de R$ 600 mil por ano, mas no Nordeste os relatos vão de R$ 600 a R$ 2 mil por mês por torre

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 11/10/2026 às 14:22

Energia Renovável

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Pivô de irrigação com turbinas eólicas ao fundo, em Idaho: a imagem do USDA não é da fazenda de Dollinger, mas mostra a convivência entre lavoura e torres. Foto: Kirsten Strough/USDA

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John Dollinger planta grãos em Grundy County, Illinois, e recebe pelas 10 torres eólicas do terreno cerca de US$ 120 mil por ano. Veja a conta em reais e o que o arrendamento eólico paga no Nordeste.

O agricultor John Dollinger, de Grundy County, em Illinois, nos Estados Unidos, tem 10 torres eólicas em 800 acres, cerca de 324 hectares. Ele recebe por elas aproximadamente US$ 120 mil por ano, sem deixar de plantar. Na cotação de 9 de outubro de 2026, são R$ 598,7 mil.

Quanto cada torre paga a Dollinger por mês?

Os pagamentos começaram em US$ 10 mil por turbina por ano, quando os contratos foram assinados, cerca de dez anos antes do relato. O valor sobe com a inflação ao consumidor dos Estados Unidos. Hoje cada turbina rende em torno de US$ 12 mil por ano, conforme o Ambrook.

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A cotação PTAX de venda do Banco Central em 9 de outubro de 2026 foi de R$ 4,9892 por dólar. Nessa conta, US$ 12 mil viram R$ 59,9 mil por torre ao ano, ou cerca de R$ 4,99 mil por mês.

Nas dez torres eólicas, o total é de R$ 598,7 mil por ano. Isso dá perto de R$ 49,9 mil por mês na conta da família.

Quanto uma torre eólica paga a agricultores no Nordeste?

Nenhum órgão oficial publica o que as torres eólicas pagam no Brasil, então os números vêm de reportagens. A Marco Zero Conteúdo escreveu, em abril de 2024, que o Nordeste paga em média de R$ 600 a R$ 1.500 por mês por torre instalada. É uma média sem fonte declarada.

A BBC News Brasil relatou, em agosto de 2023, o caso de Caetés, em Pernambuco. Quem aceitou arrendar passou a receber 1,5% do valor da energia gerada em cada torre, cerca de R$ 2 mil por mês.

CasoPagamento por torrePor mês, em reaisFonteDollinger, IllinoisUS$ 12 mil por anocerca de R$ 4.989AmbrookNordeste, média citadaR$ 600 a R$ 1.500 por mêsR$ 600 a R$ 1.500Marco ZeroCaetés (PE), 1,5% da energiacerca de R$ 2 mil por mêsR$ 2.000BBC News Brasil

A conta é direta. R$ 4.989 divididos por R$ 1.500 dão 3,3, e divididos por R$ 600 dão 8,3. Contra os R$ 2 mil de Caetés, a razão é de 2,5. A torre de Dollinger paga de 2,5 a 8,3 vezes o que os relatos do Nordeste citam.

A comparação tem limite. As turbinas têm tamanhos diferentes e os contratos misturam valor fixo com percentual da geração. Os anos também são outros, e a média da Marco Zero é uma estimativa sem fonte declarada.

O que a ABEEólica diz sobre o valor do arrendamento eólico?

A Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) não tem acesso aos contratos, disse a presidente executiva, Elbia Gannoum, à Marco Zero. Ela explicou que a negociação é direta entre a empresa e o dono da terra. A entidade divulga estimativas por estado com média anual de R$ 12 mil por megawatt (MW).

Esse valor vale por MW de capacidade, e não por torre. As fontes omitem a potência das turbinas dos dois casos, então a conversão exata fica em aberto.

Como exemplo, uma torre de 3 MW (hipótese minha) renderia R$ 36 mil por ano, ou R$ 3 mil por mês. Isso passa da média de R$ 600 a R$ 1.500 que a Marco Zero relata. Sem a potência e o contrato, os dois números não batem.

Em que o contrato de arrendamento eólico brasileiro é diferente?

A Marco Zero cita uma tese de doutorado que analisou 14 contratos de arrendamento eólico. Eles trazem multas por rescisão de R$ 5 milhões a R$ 20 milhões, aplicadas só ao proprietário da terra. Segundo a reportagem, o agricultor também não pode desistir depois de assinar para buscar uma empresa que pague mais.

Detalhe da mesma cena: a turbina ao lado da estrutura que irriga a plantação. Foto: Kirsten Strough/USDA

O Eixos relatou um estudo do Inesc sobre 50 contratos, e 12 tinham o mesmo conteúdo. Quase todos cobriam menos de 50 hectares. No assentamento Brandão, em Cuité, a oferta era de R$ 13 por hectare por ano, em contrato de 49 anos. A comunidade recusou em 2022.

A Casa dos Ventos disse ao Eixos que seus contratos seguem as melhores práticas e o padrão do mercado. A BBC News Brasil informou que os termos assinados com as empresas exigem confidencialidade. Por isso não existe tabela pública de valores.

A terra continua sendo plantada com torres eólicas na fazenda?

Nos Estados Unidos, os dados oficiais dizem que sim. O Departamento de Agricultura (USDA) mediu que, entre 2012 e 2017, a cobertura agrícola mudou em apenas 4% dos locais com turbina. Menos de 1% saiu da agricultura, conforme a análise do ERS. No Meio-Oeste, 94% das turbinas ficaram em área de cultivo.

Outro agricultor de Illinois, Clayton Rosenberger, tem uma turbina de 499 pés (152 metros) em 1.100 acres, em McLean County. Ela ocupa cerca de 0,1% da fazenda e gira há quatro anos, pelo Ambrook. A dona é a EDP Renewables. Rosenberger disse que, sendo autônomo, não tinha plano de aposentadoria e agora tem.

O mesmo Ambrook cita um relatório do USDA, sobre 2011 a 2020, com ganhos de US$ 8 mil a US$ 33 mil por ano para quem hospeda torres eólicas. São R$ 39,9 mil a R$ 164,6 mil na cotação de 9 de outubro. O CompreRural escreveu “por turbina”, mas o Ambrook diz “por ano” ao agricultor.

O canal oficial da EDP Renewables North America, dona da turbina de Rosenberger, publicou um vídeo chamado “Renewable Energy Benefits | Stable Income”, em português “Benefícios da energia renovável | Renda estável”:

Assista o vídeo

Todo agricultor americano quer torres eólicas na terra?

Não. Em Pershing County, Nevada, o produtor de alfafa Randy Scilacci disse ao Ambrook que recusaria uma empresa de energia eólica. Ele teme perder terra de cultivo para estradas de acesso e bases de concreto.

Em Rush County, Indiana, Michael Dora assinou um contrato há cerca de sete anos, mas a torre nunca saiu do papel. A empresa abandonou o projeto depois da oposição no condado, que depois impôs uma moratória, conforme o mesmo relato.

A professora Sarah Mills, da Universidade de Michigan, explicou ao Ambrook que o pagamento pode ser fixo por turbina ou um percentual da venda de energia. Com torres eólicas maiores e em menor número, menos vizinhos recebem. Mais gente sente o efeito, e a divisão entre quem ganha e quem não ganha pode crescer.

O que ainda falta saber sobre o agricultor de Illinois?

O nome da empresa que paga Dollinger e o contrato dele ficam fora do relato do Ambrook. O valor de US$ 12 mil por turbina é o de 2025, sem número de 2026. No Brasil, nenhum dado oficial mostra quanto as torres eólicas pagam a quem arrenda a terra.

Por isso, a razão de 2,5 a 8,3 vezes dá uma ordem de grandeza, e não uma tabela de preços. Quem recebe proposta de arrendamento eólico deve pedir o contrato por escrito e a potência da turbina antes de assinar.

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Energia Eólica


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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