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Alemanha negocia investimento em usina de metanol verde no Espírito Santo

Alemanha negocia investimento em usina de metanol verde no Espírito Santo

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Alemanha negocia investimento em usina de metanol verde no Espírito Santo

Escrito por Roberta Souza

Publicado em 01/10/2026 às 08:21

Atualizado em 01/10/2026 às 08:22

Imagem ilustrativa gerada por Inteligência Artificial.

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Projeto Alba usará hidrogênio verde e CO₂ de resíduos agrícolas e pretende exportar combustível sustentável para a Europa a partir de 2030

Segundo reportagem publicada pela Folha C-Level em 18 de setembro de 2026, a Alemanha negocia um investimento de milhões de euros na primeira usina de metanol verde da empresa germano-brasileira Atlanteo, no Espírito Santo. O CEO Andreas Eisfelder afirma que os ministérios alemães de Assuntos Econômicos e Energia e de Pesquisa, Tecnologia e Espaço já aprovaram preliminarmente os recursos. Entretanto, a empresa ainda não divulgou o valor exato do aporte. A construção deve começar em 2027, enquanto a operação plena está prevista para 2030.

Usina no Espírito Santo vai combinar hidrogênio verde e resíduos agrícolas

A Atlanteo pretende combinar diferentes fontes e tecnologias de energia limpa na produção do metanol. Para isso, a empresa utilizará CO₂ biogênico, extraído de resíduos agrícolas coletados localmente, e hidrogênio verde produzido com eletricidade renovável.

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Primeiramente, quatro a cinco pequenas centrais hidrelétricas a fio d’água deverão fornecer energia aos eletrolisadores. Esses equipamentos utilizam eletricidade para separar as moléculas de água e produzir hidrogênio verde.

Em seguida, o hidrogênio reagirá com o dióxido de carbono por meio de uma síntese química. Dessa forma, a reação produzirá o metanol verde.

Imagem ilustrativa gerada por Inteligência Artificial.

Além disso, a Atlanteo pretende utilizar o hidrogênio imediatamente após a produção. Assim, a empresa evitará transportar a molécula até outro local, uma das dificuldades logísticas enfrentadas pelo setor.

A utilização de resíduos agrícolas também aproxima o projeto de outras iniciativas de aproveitamento energético da biomassa. O CPG mostrou recentemente como resíduos da produção de mandioca podem gerar biohidrogênio e biogás, criando uma alternativa para o aproveitamento de materiais da agroindústria.

Metanol verde pode atender transporte marítimo, aviação e indústria química

O metanol tradicional utiliza principalmente gás natural ou carvão como matéria-prima. Já o metanol verde utiliza fontes sustentáveis para reduzir a intensidade de carbono do combustível.

Por ser líquido em temperatura ambiente, o metanol apresenta uma característica logística diferente do hidrogênio gasoso. Segundo Andreas Eisfelder, essa facilidade pode favorecer o uso do combustível em setores nos quais a eletrificação direta enfrenta limitações.

Por isso, a Atlanteo pretende direcionar o produto para aplicações relacionadas à navegação, aviação e indústria química. No setor aéreo, entretanto, o metanol ainda precisará passar por outra etapa de processamento antes de se transformar em combustível sustentável para aeronaves.

Ao mesmo tempo, a empresa planeja exportar o combustível para a União Europeia a partir de 2030. A estratégia acompanha a demanda europeia por combustíveis sustentáveis e novas alternativas para reduzir emissões em setores de difícil eletrificação.

Projeto de 20 MW terá capacidade inicial de 10 mil toneladas por ano

A primeira unidade terá uma escala inicial relativamente pequena diante do mercado que a empresa pretende atender. A planta Alba contará com 20 MW de potência e poderá produzir aproximadamente 10 mil toneladas de metanol por ano.

Segundo o CEO, esse volume representa apenas uma pequena parcela da demanda potencial. Ainda assim, a Atlanteo pretende usar a primeira instalação como uma etapa de demonstração da tecnologia.

Além disso, a empresa avalia que o modelo pode ser replicado em outras regiões brasileiras. Para isso, os locais precisam reunir fontes de energia limpa e disponibilidade de biomassa.

Esse cenário acompanha o crescimento de projetos brasileiros voltados à produção de combustíveis sustentáveis. Em setembro, por exemplo, Banco Mundial e BNDES estruturaram uma operação de R$ 5,4 bilhões para apoiar a descarbonização da indústria, incluindo iniciativas de hidrogênio verde, SAF, e-metanol e biometano. O CPG explicou como os recursos podem financiar novas cadeias industriais de baixo carbono.

Aracruz influencia escolha do Espírito Santo para receber a usina

A infraestrutura prevista para a região ajudou a Atlanteo a escolher o Espírito Santo. Segundo a reportagem da Folha C-Level, a empresa considera a construção do porto de Aracruz um dos fatores importantes para instalar a planta no estado.

Com isso, a proximidade com estruturas portuárias poderá facilitar a movimentação do metanol produzido. Essa característica ganha importância porque a Atlanteo pretende exportar o combustível para o mercado europeu.

Além da infraestrutura logística, a empresa também considera a proximidade com o banco de desenvolvimento estadual. A Atlanteo mantém ainda uma parceria com o Instituto Fraunhofer, da Alemanha, e recebeu investimentos do empresário Antoine Maleh.

No entanto, o projeto ainda precisa avançar em algumas etapas. Na data da reportagem, a empresa ainda não havia concluído o licenciamento ambiental da primeira usina.

Excesso de geração renovável pode ser aproveitado pelo projeto

A proposta da Atlanteo também busca aproveitar momentos de excesso de geração renovável no sistema elétrico. Esse fenômeno pode ocorrer quando a produção de energia supera a demanda ou quando a rede não consegue absorver toda a eletricidade disponível.

Nesse cenário, a usina poderia aumentar o consumo elétrico durante períodos de maior oferta de energia renovável. Por outro lado, a Atlanteo poderia reduzir esse consumo quando outras necessidades da sociedade exigissem mais eletricidade.

Na prática, a planta transformaria parte da eletricidade renovável em uma molécula que pode ser armazenada e transportada. Portanto, o conceito funciona de maneira diferente de uma bateria convencional, mas pode criar uma alternativa para aproveitar energia que, em determinadas situações, sofreria cortes de geração.

O projeto acompanha, assim, a expansão de iniciativas brasileiras ligadas à geração renovável e à produção de combustíveis sustentáveis. A entrada de empresas internacionais também reforça esse movimento. A TotalEnergies, por exemplo, negocia ampliar sua participação na Casa dos Ventos para 49%, operação que ainda depende da análise do Cade.

Primeira usina será uma etapa para criar cadeia de exportação de combustível sustentável

A Atlanteo pretende usar a planta Alba como primeira etapa para desenvolver uma cadeia brasileira de produção de metanol verde voltada ao mercado internacional. Para a empresa, a combinação entre energia renovável, agronegócio, biomassa e infraestrutura portuária cria condições para o Brasil participar desse mercado.

Entretanto, a usina ainda está em fase de desenvolvimento. O valor do eventual investimento alemão permanece sem divulgação e o licenciamento ambiental ainda não estava concluído na data da reportagem. Além disso, a Atlanteo projeta a operação plena somente para 2030.

Se o cronograma avançar conforme planejado, o projeto colocará o Espírito Santo entre as regiões brasileiras que buscam transformar energia renovável e biomassa em combustíveis destinados ao mercado internacional.

Por fim, a primeira planta terá escala inicial de 10 mil toneladas por ano, mas poderá servir como referência para futuras unidades de metanol verde no país. Dessa maneira, a Atlanteo busca conectar recursos energéticos brasileiros à crescente demanda europeia por combustíveis sustentáveis.

Fonte

C-Level UOL


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

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