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Aluguel de máquinas agrícolas avança no Brasil após preços de plantadeiras subirem até 225%

Aluguel de máquinas agrícolas avança no Brasil após preços de plantadeiras subirem até 225%

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Aluguel de máquinas agrícolas avança no Brasil após preços de plantadeiras subirem até 225%

Escrito por Ruth Rodrigues

Publicado em 26/10/2026 às 15:27

Atualizado em 26/10/2026 às 15:30

Agronegócio

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Aluguel de máquinas agrícolas cresce no Brasil após preços de plantadeiras subirem até 225%. Veja os custos e as novas estratégias dos produtores. Foto: Canva.

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Aluguel de máquinas agrícolas cresce no Brasil após preços de plantadeiras subirem até 225%. Veja os custos e as novas estratégias dos produtores.

O aluguel de máquinas agrícolas ganha espaço no Brasil em meio à alta dos preços dos equipamentos, às dificuldades de financiamento e à mudança de comportamento de uma nova geração de produtores rurais. Dados da Receita Federal mostram que mais de 9 mil empresas já atuam nesse mercado, enquanto uma pesquisa da Boschi Inteligência de Mercado revela que 38% das propriedades rurais utilizam colheitadeiras alugadas.

A alternativa permite que agricultores tenham acesso aos equipamentos durante períodos específicos da produção, sem comprometer recursos financeiros com máquinas que podem permanecer paradas durante boa parte do ano. Esse modelo também começa a influenciar o planejamento de grandes empresas do agronegócio.

Diferença entre gerações muda a forma de investir em máquinas agrícolas

Em Campos Lindos, no Tocantins, Lucas Bonato, de 28 anos, questiona a necessidade de comprar uma colheitadeira para utilizá-la durante apenas quatro ou cinco semanas da safra. Para o produtor, manter dinheiro aplicado em um equipamento de uso temporário perdeu atratividade diante dos custos de aquisição e das condições atuais de crédito.

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Seu pai, José Bonato, de 64 anos, representa outra maneira de administrar os investimentos da propriedade. Ele sempre valorizou a compra de máquinas resistentes, capazes de permanecer no patrimônio familiar e continuar servindo às próximas gerações.

O contraste entre os dois agricultores ilustra uma transformação percebida pelas empresas de locação. Produtores mais jovens passaram a considerar não apenas o preço de compra, mas também as despesas necessárias para manter os equipamentos disponíveis e em funcionamento.

Esse cálculo ganha importância diante dos juros cobrados em linhas de financiamento rural. As taxas mencionadas para o Moderfrota Geral chegam a 12,5% ao ano, enquanto o Moderfrota Pronamp apresenta percentual de 11,5% ao ano.

Plantadeiras ficaram até 225% mais caras entre 2019 e 2025

O aumento dos preços ajuda a explicar por que o aluguel de máquinas agrícolas passou a receber maior atenção nas propriedades.

Um estudo do Projeto Campo Futuro, desenvolvido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), identificou aumentos expressivos no valor dos equipamentos entre 2019 e 2025.

Os tratores acumularam reajustes de 107% a 154%, dependendo da região analisada. No caso das colheitadeiras, os aumentos variaram entre 57% e 124%. Já as plantadeiras apresentaram as maiores elevações, com percentuais que chegaram a 225%.

A pesquisa, divulgada em 2025, reuniu informações de 12 regiões estratégicas do Sul, Centro-Oeste e Matopiba+PA.

Além do investimento inicial, o levantamento apontou que a depreciação das máquinas e as operações mecanizadas representam aproximadamente 17% dos custos operacionais totais dos produtores.

Diante desses valores, o agricultor precisa avaliar se a frequência de utilização compensa a aquisição ou se a contratação temporária oferece condições financeiras mais adequadas.

Locação de colheitadeiras alcança 38% das propriedades rurais

A presença de equipamentos alugados não se limita a uma única atividade agrícola. Pesquisa da Boschi Inteligência de Mercado (BIM³) mostra que diferentes tipos de máquinas já são contratados por produtores brasileiros.

Os percentuais de propriedades que recorrem à locação variam conforme o equipamento:

Os resultados colocam as colheitadeiras à frente das outras duas categorias avaliadas, indicando uma presença expressiva dessa modalidade durante a colheita.

A procura também estimula mudanças nos contratos oferecidos pelas locadoras, que passaram a desenvolver condições mais próximas do calendário produtivo das fazendas.

Aluguel de máquinas agrícolas cresce no Brasil após preços de plantadeiras subirem até 225%. Veja os custos e as novas estratégias dos produtores. Foto: Canva.

Locadoras adaptam contratos à safra e ampliam participação no agronegócio

Na RZK Rental, os pagamentos são estruturados considerando as necessidades de cada operação agrícola e o comportamento da receita do produtor. A proposta é evitar que os compromissos financeiros com equipamentos tenham maior peso justamente nos períodos de menor entrada de recursos.

Eduardo Martinatti, diretor comercial da empresa, observa que possuir as próprias máquinas ainda é uma preferência importante no campo. Entretanto, a chegada de novos gestores às propriedades contribui para aumentar o interesse por alternativas à aquisição.

A RZK Rental estima expansão de 3,5% em 2026 e de 10% em 2027, acompanhando as oportunidades identificadas nesse segmento.

Outra empresa presente no mercado é a Armac, que oferece períodos de contratação ajustados à demanda dos clientes. Além dos contratos mensais, existem opções de 3, 7, 14 ou 21 diárias, permitindo utilizar as máquinas em atividades pontuais ou devolvê-las após o encerramento da safra.

Embora tenha sua principal atuação concentrada na linha amarela, a companhia já destina aproximadamente 30% de sua frota, composta por mais de 15 mil ativos, a operações relacionadas ao agronegócio.

Entre essas atividades estão unidades produtoras de etanol de milho, usinas de cana-de-açúcar, empresas de fertilizantes, terminais, armazéns, agroindústrias e propriedades rurais.

O desempenho financeiro também mostra o crescimento da companhia. No segundo trimestre de 2026, a Armac registrou receita bruta de R$ 586,2 milhões, resultado 19,3% superior ao observado no mesmo período de 2025. A empresa não divulgou projeções de crescimento.

Leonardo Suarez, vice-presidente de Locação da Armac, destaca que a avaliação econômica envolve despesas que vão além da comparação entre o aluguel mensal e a parcela de um financiamento.

Entram nesse cálculo os períodos de inatividade das máquinas, a perda de valor dos equipamentos, os custos de manutenção, a reposição de componentes e as despesas com seguros.

BrasilAgro combina frota própria e equipamentos alugados nas fazendas

A locação também faz parte da estratégia da BrasilAgro, que mantém a maior parcela de suas máquinas sob propriedade da companhia, mas utiliza equipamentos alugados para complementar as operações.

Essa combinação acompanha a empresa desde o início de suas atividades e permite atender necessidades específicas sem depender exclusivamente da aquisição de novos ativos.

Entre os equipamentos contratados estão pás-carregadeiras, plantadeiras com pelo menos 30 linhas e tratores de potência superior a 300 cv.

A companhia também utiliza micro-ônibus no deslocamento interno de trabalhadores e aluga veículos de apoio, incluindo caminhões baú, munck e roll-on/roll-off.

De acordo com Gustavo Javier Lopez, diretor financeiro e de Relações com Investidores da BrasilAgro, a escolha depende das características de cada atividade e da análise do retorno financeiro.

A locação costuma ser considerada durante a renovação dos equipamentos ou quando apresenta vantagem econômica sobre a compra. Além dessas possibilidades, a empresa avalia a terceirização de serviços agrícolas.

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Os contratos mensais são a modalidade preferida da BrasilAgro. Já os acordos com pagamento concentrado ao final da safra, como aqueles com vencimento em 30 de abril, não têm apresentado as melhores condições financeiras diante dos juros.

Ao combinar diferentes alternativas, a companhia procura diminuir o risco de ficar sem equipamentos disponíveis durante os períodos de maior demanda nas propriedades.

Reforma Tributária pode favorecer locação de máquinas a partir de 2027

As mudanças previstas com a Reforma Tributária aparecem como outro possível estímulo ao setor.

A perspectiva apresentada para o mercado é que a formalização dos produtores e as novas regras tributárias, a partir de 2027, possam ampliar as possibilidades de aproveitamento de créditos relacionados ao IBS e à CBS nas operações de locação.

O eventual benefício dependerá das condições e exigências aplicáveis a cada operação.

Enquanto isso, as projeções para o mercado brasileiro de aluguel de máquinas e equipamentos indicam continuidade do crescimento.

O relatório Rental Market Report, elaborado pela KPMG em parceria com Analoc e Sobratema, estima faturamento de R$ 52,9 bilhões em 2026, valor 7% superior ao de 2025. A estimativa considera o setor de locação de máquinas e equipamentos em geral, e não exclusivamente os utilizados na agricultura.

Nas propriedades rurais, o avanço desse modelo representa uma mudança na maneira de administrar os investimentos. Em vez de adquirir todos os equipamentos necessários à produção, parte dos agricultores passa a combinar patrimônio próprio, serviços terceirizados e contratações temporárias.

Fonte

Canal Rural


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

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