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Aluguel de R$ 3 mil para quem só pode pagar R$ 1.700: pesquisa com 905 mil pessoas revela diferença de 76% e mostra onde os anúncios chegam a superar o dobro do orçamento

Aluguel de R$ 3 mil para quem só pode pagar R$ 1.700: pesquisa com 905 mil pessoas revela diferença de 76% e mostra onde os anúncios chegam a superar o dobro do orçamento

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Aluguel de R$ 3 mil para quem só pode pagar R$ 1.700: pesquisa com 905 mil pessoas revela diferença de 76% e mostra onde os anúncios chegam a superar o dobro do orçamento

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 21/10/2026 às 07:07

Atualizado em 21/10/2026 às 07:30

Construção

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Aluguel de R$ 3 mil para quem só pode pagar R$ 1.700: pesquisa com 905 mil pessoas revela diferença de 76% e mostra onde os anúncios chegam a superar o dobro do orçamento

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Uma pesquisa com 905.466 interessados em alugar imóveis revela orçamento mediano de R$ 1.700 diante de anúncios de R$ 3.000. A diferença chega a 131% em Balneário Camboriú e coincide com alta do aluguel acima da inflação.

O brasileiro que procura um apartamento com R$ 1.700 disponíveis para o aluguel está olhando para um mercado em que o valor mediano anunciado chega a R$ 3.000. São R$ 1.300 separando os dois lados da negociação. A distância, equivalente a 76% do orçamento informado, aparece em uma pesquisa divulgada em outubro pela DataLais, área de inteligência de dados da Lastro.

O levantamento analisou o orçamento declarado por 905.466 pessoas de todos os estados brasileiros e os preços pedidos em 118 mil apartamentos anunciados por imobiliárias. A comparação ajuda a explicar por que tanta gente procura, manda mensagem, encontra anúncios e ainda assim demora para conseguir uma moradia dentro do valor que planejou gastar.

Um apartamento de R$ 3 mil diante de um orçamento de R$ 1.700: onde os R$ 1.300 fazem falta

Imagine separar R$ 1.700 por mês exclusivamente para o aluguel e encontrar apartamentos anunciados por R$ 3.000. Para cobrir essa diferença seria preciso acrescentar R$ 1.300 todo mês, antes de considerar eventuais despesas de condomínio, IPTU e mudança. Mantida por 12 meses, essa diferença representaria R$ 15.600 fora do planejamento de quem procurou o imóvel.

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Os valores representam medianas: o ponto central dos orçamentos informados pelos interessados e o ponto central dos preços anunciados dos imóveis analisados. Não são a renda média de todas as famílias brasileiras nem o preço de todos os contratos efetivamente assinados. A pesquisa mostra a dificuldade de aproximação entre duas pontas do mercado, não uma conta individual aplicada a cada locatário.

Os números vieram de conversas realizadas de 23 de março a 16 de setembro de 2026 pelo WhatsApp com aproximadamente 1.500 imobiliárias que utilizam a tecnologia da DataLais. É nesse primeiro contato que a pessoa informa quanto consegue reservar para morar e descobre o que há disponível.

Balneário Camboriú chega a 131%; Porto Alegre tem imóveis anunciados pelo dobro do orçamento

A comparação fica ainda mais dura em algumas cidades. Em Balneário Camboriú (SC), os preços anunciados superaram em 131% o orçamento informado pelos interessados nos imóveis da amostra. É o equivalente a encontrar um aluguel anunciado por R$ 2,31 para cada R$ 1 que se pretendia gastar, respeitadas as diferenças entre as distribuições comparadas.

Fotografia real da orla de Balneário Camboriú e seus prédios altos vistos do mar

Em Porto Alegre (RS), a distância foi de 100%. Campinas (SP) apresentou 90%; Itajaí (SC), 88%; Ribeirão Preto (SP), 87%; e São José dos Campos (SP), 84%. Na capital paulista, os anúncios ficaram 80% acima do orçamento declarado pelos interessados.

Nem mesmo cidades de perfis tão diferentes escaparam do levantamento: Belo Horizonte (MG) registrou 76% e Londrina (PR), 63%. Os percentuais são diferenças encontradas na amostra da DataLais e não equivalem à inflação do aluguel em cada município.

CidadeDiferençaBalneário Camboriú (SC)+131%Porto Alegre (RS)+100%Campinas (SP)+90%Itajaí (SC)+88%Ribeirão Preto (SP)+87%São José dos Campos (SP)+84%São Paulo (SP)+80%Belo Horizonte (MG)+76%Londrina (PR)+63%
Fonte: DataLais/Lastro, conforme levantamento divulgado pela Exame em 16/10/2026. Os percentuais comparam preços anunciados e orçamentos declarados, não aumentos anuais dos aluguéis.

Balneário Camboriú reúne alguns dos imóveis mais valorizados do país, mas os números de Campinas, Ribeirão Preto e Londrina mostram que o desencontro registrado nas imobiliárias participantes alcança também cidades do interior. Para quem precisa morar perto do trabalho ou da família, a localização pode restringir ainda mais as opções.

O aluguel subiu 9,13% em um ano, enquanto a inflação oficial ficou em 4,58%

O levantamento da DataLais chega ao público quando outro indicador mostra que os aluguéis anunciados continuam pressionando o orçamento. O Índice FipeZAP de Locação Residencial de setembro de 2026 registrou aumento de 9,13% nos preços pedidos em 12 meses. No mesmo intervalo, o IPCA, inflação oficial medida pelo IBGE, acumulou 4,58%.

De janeiro a setembro, a alta dos novos aluguéis nos anúncios chegou a 7,11%. Em setembro, o avanço mensal foi de 0,52%, inferior aos meses anteriores, mas suficiente para manter os preços em patamar maior que o registrado um ano antes. O índice FipeZAP acompanha apartamentos prontos oferecidos para locação em 36 cidades, sendo 22 capitais.

Há uma diferença importante entre os dois levantamentos. A DataLais compara o dinheiro que interessados declaram poder gastar com os valores anunciados pelos imóveis das imobiliárias participantes. A FipeZAP acompanha a variação dos preços pedidos nos anúncios ao longo do tempo. Um indicador revela o desencontro entre orçamento e oferta; o outro mostra a trajetória recente dos preços.

O valor que aparece no anúncio pode nem ser a conta completa de morar no imóvel

Quem encontra um apartamento dentro do valor reservado ainda precisa olhar o custo total da moradia. Dependendo do anúncio e do contrato, condomínio e IPTU podem ser cobrados separadamente. Isso reduz ainda mais a margem de escolha de famílias que já chegam à pesquisa com um teto definido.

O valor de R$ 3.000 é a mediana dos aluguéis anunciados na amostra, não o custo total mensal de cada apartamento. Antes da assinatura, o inquilino precisa conferir quanto pagará de aluguel e quais despesas adicionais caberão a ele.

Para quem procura imóvel, a distância também altera decisões concretas: insistir na mesma região, aceitar um apartamento menor, procurar outro bairro ou adiar a mudança. Essas são escolhas possíveis diante de anúncios que superam o orçamento; a pesquisa não mediu quantas pessoas tomaram cada decisão.

Mais de 900 mil buscas mostram onde a conversa entre interessado e imobiliária trava

O levantamento foi construído a partir de mensagens trocadas com imobiliárias. Segundo a reportagem original da Exame, o CEO da Lastro, Allan Paladino, associa a diferença de preços à dificuldade de converter buscas em visitas, propostas e contratos. O cliente informa um limite; a oferta que recebe pode estar muito distante dele.

As 905.466 pessoas pesquisadas procuraram imobiliárias que utilizam o serviço da Lastro. O levantamento acompanha buscas reais, mas não representa todos os moradores do Brasil: compara os limites de pagamento declarados nesses atendimentos com a oferta anunciada pelas empresas participantes.

O dado mais recente da FipeZAP traz uma mudança de ritmo: a alta mensal dos aluguéis anunciados desacelerou, mas os preços seguem acima dos registrados um ano antes. Entre o orçamento mediano de R$ 1.700 e o anúncio mediano de R$ 3.000, o desencaixe de R$ 1.300 por mês ainda ajuda a explicar por que a procura por moradia frequentemente termina sem proposta.

E na sua cidade? Você consegue encontrar apartamentos dentro do orçamento ou os anúncios estão muito acima do que pretende pagar? Conte sua experiência nos comentários e compartilhe esta reportagem com quem está procurando um novo lugar para morar.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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