Faça um comentário
4 min de leitura
Amazônia, chamada de pulmão do mundo, soltou 1,17 bilhão de toneladas de CO2 a mais do que absorveu por ano entre 2010 e 2024, e o vilão é o fogo
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 25/10/2026 às 16:21
Atualizado em 25/10/2026 às 16:22
Ciência e Tecnologia
Grupo
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Estudo do Inpe publicado na Nature em 21/10 mostra que a emissão de carbono da Amazônia supera a absorção, com queimadas e desmatamento no centro do problema.
A Amazônia, a maior floresta tropical do planeta, já não age como um sumidouro de carbono. Segundo o estudo publicado na Nature em 21/10 (artigo completo), liderado por cientistas do Inpe, a floresta liberou em média 1,17 bilhão de toneladas de CO2 a mais do que absorveu por ano entre 2010 e 2024. A emissão de carbono da região fica acima da absorção quase todos os anos.
De onde sai essa conta?
As queimadas emitem cerca de 1,47 bilhão de toneladas de CO2 por ano, segundo a Agência FAPESP, enquanto a mata consegue absorver cerca de 300 milhões. A diferença entre as duas contas é o saldo de 1,17 bilhão de toneladas.
Medido só em carbono, o fogo solta 0,40 bilhão de toneladas por ano, em média. É a parte que mais pesa no saldo.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
“A principal mensagem da pesquisa é chocante: o problema da Amazônia é a ação humana”, disse a pesquisadora Luciana Gatti, do Inpe, que lidera o estudo, à Agência FAPESP.
O mesmo número aparece em duas medidas porque o estudo fala em carbono e a imprensa costuma falar em CO2. Cada tonelada de carbono vira cerca de 3,67 toneladas de CO2 quando oxida. Os dados vêm de 1.017 perfis verticais de CO2 medidos em quatro pontos da Amazônia entre 2010 e 2024. Na conta do artigo, o saldo médio é de 0,32 bilhão de toneladas de carbono por ano, que equivale aos 1,17 bilhão de CO2.
Como o saldo muda de um ano para outro?
O estudo separou os anos em três grupos, conforme o clima e a atividade humana. A emissão de carbono sobe conforme o grupo fica mais seco e mais desmatado.
Nos anos quentes e secos, as queimadas sobem com força, e 98% desse aumento tem causa humana, segundo o artigo na Nature.
Por que a seca piora a conta?
Quando a floresta perde árvores, chove menos e esquenta. Segundo a Agência FAPESP, a chuva anual caiu 8% e, no pico da seca, de agosto a outubro, caiu 20%. A temperatura média subiu 1,13 °C no ano e 1,81 °C na estação seca. A seca dura mais e atrasa o começo das chuvas. Vários desses anos coincidem com El Niño, como o de 2015 e 2016 e o de 2023, ou com o Atlântico tropical norte mais quente, como em 2010, 2023 e 2024.
Nesse caso, a emissão de carbono da Amazônia não vem só de um evento extremo. Pelo que o Inpe mostra no estudo, a perda de floresta acumulada e o aquecimento se somam, e a seca encontra uma mata mais frágil e mais inflamável.
Quanto da floresta já foi perdido?
Até 2024, a perda acumulada de floresta na Amazônia brasileira chegou a 807.301 km². Isso equivale a 21,3% da área de floresta, segundo o levantamento do Inpe publicado na Nature. O ritmo anual de desmatamento caiu 30% em 2023 e 47% em 2024 frente ao período de 2019 a 2022. Mesmo assim, o total acumulado continua subindo.
Os focos de fogo seguem altos em 2026?
A FAPESP informa que a Amazônia registrou mais de 41 mil focos em menos de dez meses. Como as queimadas são a principal fonte, esse número pesa direto no saldo do ano. Desses, 58% se concentram em setembro e outubro. O total já está perto dos 43.130 registros de todo o ano passado.
O que o estudo defende?
Liderado pelo Inpe, o trabalho recebeu financiamento da FAPESP e de outras instituições. Segundo a FAPESP, a pesquisa defende que reduzir de forma drástica as queimadas é essencial para cortar a emissão de carbono. Junto com o desmatamento zero e a restauração florestal, a medida evitaria um ponto de não retorno. Nesse ponto, a floresta perderia a capacidade de se manter e se recuperar, e daria lugar a outro tipo de vegetação.
Tags
Amazônia, carbono, queimadas, desmatamento, Inpe, Nature, clima, El Niño
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

