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ANP aprova entrada da petroleira do Kuwait no projeto Orca, antigo Gato do Mato, no pré-sal de Santos, após acordo com a Shell, mas operação ainda depende de aval do governo

ANP aprova entrada da petroleira do Kuwait no projeto Orca, antigo Gato do Mato, no pré-sal de Santos, após acordo com a Shell, mas operação ainda depende de aval do governo

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ANP aprova entrada da petroleira do Kuwait no projeto Orca, antigo Gato do Mato, no pré-sal de Santos, após acordo com a Shell, mas operação ainda depende de aval do governo

Escrito por Felipe Alves da Silva

Publicado em 13/10/2026 às 23:58

Atualizado em 13/10/2026 às 23:59

Setor Offshore

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Representação de um FPSO destinado a operações no pré-sal brasileiro. A ANP aprovou a entrada da Kufpec no projeto Orca, operado pela Shell na Bacia de Santos. Imagem ilustrativa.

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Decisão tomada em 9 de outubro aproxima a Kuwait Foreign Petroleum Exploration Company da aquisição de 20% do empreendimento offshore, que prevê um FPSO com capacidade para 120 mil barris diários e início da produção em 2029.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou a entrada da petroleira kuwaitiana Kufpec no projeto Orca, antigo Gato do Mato, localizado no pré-sal da Bacia de Santos. A decisão, tomada pela diretoria da agência em 9 de outubro de 2026, representa um novo avanço na transferência de 20% de participação da Shell para a empresa do Kuwait.

O negócio, entretanto, ainda não está definitivamente concluído. A ANP recomendou que o Ministério de Minas e Energia (MME) autorize a operação, etapa necessária para finalizar a mudança de participação no empreendimento.

Segundo reportagem publicada pela Agência iNFRA em 13 de outubro, a transferência envolve um projeto com aproximadamente 370 milhões de barris de recursos recuperáveis estimados e previsão de iniciar a produção em 2029.

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A entrada da Kufpec não significa que a Shell deixará o empreendimento. A companhia anglo-holandesa continuará responsável pelas operações, mantendo uma participação de 50% após a conclusão da transação.

O movimento coloca uma empresa controlada pelo governo do Kuwait em um projeto brasileiro de águas profundas que já avançou para a fase de desenvolvimento e construção de sua futura unidade de produção.

Shell venderá 20% do projeto Orca e continuará operando o empreendimento com metade da participação

O acordo comercial foi anunciado originalmente em 3 de fevereiro de 2026, quando a Shell informou que havia acertado a venda de 20% de sua participação no projeto Orca para a Kuwait Foreign Petroleum Exploration Company.

A negociação foi estruturada por meio da Energy Development Corporation (EDC), subsidiária da Kufpec.

Antes da operação, a Shell detinha 70% de participação no projeto, enquanto a colombiana Ecopetrol controlava os outros 30%.

Com a conclusão da transferência, a divisão prevista será:

A Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) continuará atuando como gestora do contrato de partilha de produção, função diferente da participação comercial detida pelas petroleiras.

A mudança decorre de uma reorganização iniciada anteriormente. Em junho de 2025, a TotalEnergies vendeu seus 20% no empreendimento para a Shell, elevando temporariamente a participação da operadora para 70%.

Agora, essa mesma parcela está sendo negociada com a Kufpec.

Esse histórico é importante porque a operação não representa a descoberta de um novo campo ou a concessão de uma área exploratória inédita. Trata-se da redistribuição de participações em um empreendimento que já possui plano de desenvolvimento aprovado e investimentos em andamento.

O valor financeiro da compra não foi divulgado no comunicado oficial da Shell.

Empresa estatal do Kuwait passa a disputar espaço no pré-sal brasileiro

A Kufpec foi criada em abril de 1981 e pertence integralmente à Kuwait Petroleum Corporation, grupo estatal responsável por atividades da indústria petrolífera do Kuwait.

A companhia atua na exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural fora do território kuwaitiano.

Sua entrada no projeto Orca amplia a presença internacional de empresas vinculadas ao setor energético do Oriente Médio e estabelece uma participação direta no desenvolvimento de um campo do pré-sal brasileiro.

O acordo também aprofunda a relação comercial entre Kufpec e Shell, que já mantêm parcerias em outros mercados, incluindo o Egito.

Ao anunciar a negociação em fevereiro, Peter Costello, presidente da área de exploração e produção da Shell, destacou que o projeto Orca contribui para sustentar a produção de líquidos da companhia.

Para a empresa britânica, a transferência permite dividir os compromissos financeiros do empreendimento sem abrir mão do controle operacional.

Para a Kufpec, o negócio representa acesso a uma área do pré-sal que já superou etapas relevantes de avaliação geológica e decisão de investimento.

A diferença é significativa. Em vez de comprar participação em um bloco cuja existência de petróleo ainda precisa ser comprovada, a companhia está ingressando em um desenvolvimento com recursos estimados, cronograma de produção e infraestrutura em construção.

Isso não elimina os riscos técnicos e econômicos associados às operações offshore, mas altera o estágio de maturidade do investimento.

Projeto Orca terá FPSO capaz de produzir 120 mil barris por dia a cerca de 200 quilômetros da costa

O empreendimento Orca reúne as áreas de Gato do Mato e Sul de Gato do Mato, localizadas no pré-sal da Bacia de Santos.

O projeto abrange dois regimes contratuais: o contrato de concessão BM-S-54, assinado em 2006, e o contrato de partilha de produção de Sul de Gato do Mato, firmado em 2018.

A estimativa atual é de aproximadamente 370 milhões de barris de recursos recuperáveis.

Para desenvolver essas reservas potenciais, está prevista a instalação de uma unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de petróleo, conhecida como FPSO.

A embarcação terá capacidade projetada para produzir até 120 mil barris de petróleo por dia e será instalada em uma região com aproximadamente 2 mil metros de lâmina d’água, a cerca de 200 quilômetros ao sul do Rio de Janeiro.

O sistema permitirá extrair os hidrocarbonetos dos poços submarinos, realizar o processamento inicial dos fluidos e armazenar o petróleo até sua transferência para navios transportadores.

A Shell anunciou a decisão final de investimento no projeto em março de 2025.

Em agosto de 2026, a empresa informou que a construção do FPSO Gato do Mato, desenvolvida em parceria com a Modec, já apresentava avanço superior a 50%, acima do previsto para aquele momento do cronograma.

O início da produção está programado para 2029.

A campanha de perfuração dos poços deverá começar no primeiro trimestre de 2027, utilizando o navio-sonda Valaris DS-8.

Essas datas representam o planejamento divulgado pelas empresas, e poderão sofrer alterações conforme o desenvolvimento das obras, a perfuração e a instalação dos sistemas submarinos.

ANP já aprovou plano de desenvolvimento, mas exigiu compromisso para o aproveitamento do gás natural

O projeto Orca também possui uma questão regulatória importante relacionada ao destino do gás natural produzido junto com os hidrocarbonetos líquidos.

Em 7 de agosto de 2026, a ANP aprovou o Plano de Desenvolvimento da jazida compartilhada de Orca e Sul de Orca.

A decisão estabeleceu que a Shell deverá apresentar, até dezembro de 2032, uma revisão do plano com compromisso de escoamento do gás natural.

O projeto originalmente previa reinjetar todo o gás associado nos reservatórios, estratégia utilizada para contribuir com a recuperação de petróleo e administrar a produção.

A agência reguladora considerou necessário estabelecer um prazo para reavaliar essa solução e apresentar uma alternativa que contemple o aproveitamento comercial do gás.

O tema possui relevância para o mercado brasileiro porque a expansão da produção no pré-sal não se traduz automaticamente em maior oferta de gás natural para consumidores e indústrias.

Sem instalações adequadas de processamento e escoamento, parte do gás produzido pode continuar sendo reinjetada nos reservatórios.

A entrada da Kufpec ocorre, portanto, em um momento no qual o consórcio já possui obrigações regulatórias e decisões técnicas importantes para os próximos anos.

A aprovação da transferência societária não altera automaticamente essas exigências.

Ministério de Minas e Energia ainda precisa autorizar a entrada da Kufpec

A decisão da ANP representa uma etapa importante para a conclusão da transação, mas não equivale à transferência definitiva da participação.

Antes da manifestação da agência, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) já havia aprovado o negócio em março de 2026.

Agora, a operação depende da autorização do Ministério de Minas e Energia e do cumprimento das demais condições contratuais e regulatórias aplicáveis.

Quando anunciou a venda, em fevereiro, a Shell informou que esperava concluir a transação até o final de 2026.

Não há, nas informações divulgadas até 13 de outubro, confirmação de que o MME já tenha concedido a autorização definitiva.

Enquanto essa etapa permanece pendente, o desenvolvimento do projeto continua sob responsabilidade da Shell e de seus parceiros.

A próxima fase operacional relevante será o início da campanha de perfuração prevista para 2027, seguido pelo avanço da construção e instalação do FPSO.

Com a autorização final, a Kufpec passará a deter 20% de um dos projetos offshore em desenvolvimento no pré-sal brasileiro, enquanto a Shell continuará comandando as operações com 50% de participação.

A produção, prevista para 2029, ainda depende da conclusão das instalações e dos trabalhos submarinos necessários para transformar os recursos estimados em petróleo efetivamente extraído.

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Kufpec projeto Orca


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

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