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Após 30 anos de concessão e trechos abandonados, governo prepara projeto de até R$ 29,1 bilhões para recuperar 1.625 km da Malha Oeste entre SP e MS

Após 30 anos de concessão e trechos abandonados, governo prepara projeto de até R$ 29,1 bilhões para recuperar 1.625 km da Malha Oeste entre SP e MS

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Após 30 anos de concessão e trechos abandonados, governo prepara projeto de até R$ 29,1 bilhões para recuperar 1.625 km da Malha Oeste entre SP e MS

Escrito por Ana Alice

Publicado em 09/10/2026 às 11:31

Atualizado em 09/10/2026 às 11:35

Construção

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Malha Oeste pode receber até R$ 29,1 bilhões para recuperar 1.625 km entre SP e MS, após 30 anos de concessão e trechos deteriorados. – Imagem: Ilustrativa via I.A

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Projeto prevê nova concessão para recuperar a ferrovia entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, hoje sem transporte comercial regular e com diferentes cenários de investimento em análise pelo governo.

Depois de três décadas sob concessão e com o transporte comercial atualmente paralisado, a Malha Oeste entrou em uma nova fase de tentativa de recuperação.

O Governo Federal prepara uma nova concessão para o corredor ferroviário entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, com projeto que abrange aproximadamente 1.625 quilômetros e pode exigir até R$ 29,1 bilhões em investimentos, dependendo do modelo escolhido para o leilão.

A ferrovia liga a região de Mairinque, no interior paulista, a Corumbá, na fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia. Ao longo do percurso, a linha atravessa áreas importantes para o transporte de minério, celulose e outras cargas, além de permitir conexão logística com o Porto de Santos.

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O cenário atual, porém, é bem diferente daquele previsto quando a concessão começou em 1996. A infraestrutura da Malha Oeste está depreciada e recebeu, ao longo dos anos, investimentos insuficientes para manter sua capacidade operacional.

Projeto prevê até R$ 29,1 bilhões para recuperar a ferrovia

O valor de R$ 29,1 bilhões representa o cenário de maior investimento estudado para a futura concessão, e não uma despesa já contratada pelo Governo Federal.

A modelagem trabalha com três alternativas. A mais ampla considera cerca de 1.645 quilômetros e investimento estimado em R$ 29,111 bilhões. Uma segunda opção prevê aproximadamente 1.326 quilômetros e R$ 23,331 bilhões, enquanto o cenário menor contempla cerca de 907 quilômetros e R$ 14,799 bilhões.

ANTT estuda diferentes configurações para a futura concessão da Malha Oeste, com trechos entre Corumbá, Campo Grande, Três Lagoas, Bauru e Mairinque. Crédito: ANTT/Divulgação.

Em maio de 2026, foram aprovados estudos técnicos, documentos jurídicos e o Plano de Outorga para um empreendimento ferroviário de 1.625,30 quilômetros entre Mairinque e Corumbá.

As diferenças de extensão aparecem porque a modelagem considera configurações distintas para os trechos que poderão compor a nova concessão.

A proposta também prevê aporte federal estimado em R$ 3,6 bilhões para auxiliar na recuperação e retomada operacional de parte da ferrovia. Os pagamentos seriam escalonados e poderiam alcançar até R$ 500 milhões por ano, conforme as condições estabelecidas para o futuro concessionário.

Concessão original começou em 1996

A história do contrato remonta a março de 1996, quando a Ferrovia Novoeste venceu o leilão da antiga malha da Rede Ferroviária Federal.

A operação começou oficialmente em 1º de julho de 1996, com prazo de 30 anos.

Depois de mudanças societárias, a ferrovia passou ao controle da Rumo. A concessão original abrangia aproximadamente 1.973 quilômetros de linhas em São Paulo e Mato Grosso do Sul, uma extensão superior à considerada atualmente no projeto da nova licitação.

Em julho de 2020, a companhia pediu formalmente a devolução antecipada da concessão por meio do processo de relicitação. O procedimento avançou, mas não resultou na escolha de um novo operador antes do encerramento do contrato original, em 30 de junho de 2026.

Para evitar que os ativos ferroviários ficassem sem responsável durante a transição, União e Rumo assinaram um termo aditivo que prorrogou o contrato por 180 dias a partir de 1º de julho.

Nesse período, as obrigações ficaram concentradas na preservação, vigilância, limpeza, roçada e manutenção mínima do patrimônio ferroviário, sem tráfego comercial ativo.

Mapa da Malha Oeste mostra a ferrovia atravessando Mato Grosso do Sul e São Paulo, com ligação entre a região de Corumbá e o interior paulista. Crédito: ANTT/Divulgação.

Impasse financeiro acompanha o fim do contrato

O encerramento da concessão também envolve uma disputa financeira entre a União e a Rumo.

Cálculos do governo apontam valores entre R$ 4,6 bilhões e R$ 5,3 bilhões que seriam devidos pela concessionária, incluindo outorgas, multas e indenizações relacionadas a trechos considerados abandonados.

A empresa, por sua vez, reivindica reequilíbrio econômico-financeiro que, atualizado, se aproximaria de R$ 6,5 bilhões.

A Rumo sustenta que o contrato sofreu desequilíbrio econômico-financeiro desde os primeiros anos da concessão e cita decisão judicial de primeira instância favorável à sua tese. A União contesta os valores apresentados, e a discussão ainda não teve desfecho definitivo.

Enquanto a questão permanece aberta, o DNIT prepara medidas para assumir a preservação e a vigilância da ferrovia quando terminar o período transitório firmado com a concessionária.

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Malha Oeste está sem transporte comercial regular

A situação atual ajuda a dimensionar o desafio de recuperar a ferrovia. A Malha Oeste está sem operação comercial regular e apresenta diferentes trechos com infraestrutura deteriorada após anos de perda de capacidade.

Mesmo assim, o corredor continua sendo considerado relevante dentro do planejamento ferroviário nacional.

A ligação entre Corumbá e Mairinque permite conexão com o Porto de Santos e aproxima a malha de rotas internacionais relacionadas a Bolívia e Paraguai. Em Mato Grosso do Sul, minério de ferro e celulose estão entre as cargas consideradas importantes para uma eventual retomada das operações.

A nova concessão deverá exigir intervenções na via permanente, recuperação de estruturas ferroviárias e investimentos capazes de restabelecer a capacidade de transporte ao longo do corredor.

Trecho da Malha Oeste registrado em Mato Grosso do Sul em 2023. A ferrovia enfrenta perda de capacidade e atualmente está sem transporte comercial regular. Crédito: Gerson Oliveira/Correio do Estado.

Nova concessão poderá durar 57 anos

O projeto em análise prevê uma concessão com duração de 57 anos.

Neste momento, os estudos passam por etapas de avaliação antes da publicação definitiva do edital e da realização do leilão.

A previsão inicial considerava a possibilidade de uma nova licitação ainda em 2026. Com os ajustes no projeto e a transição do contrato anterior, o cronograma passou a apontar para 2027.

Até que um novo concessionário seja definido, a prioridade é manter os ativos ferroviários preservados e impedir uma deterioração ainda maior da infraestrutura enquanto o governo conclui a modelagem da futura operação.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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