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Após anos de promessas, construção da Ponte Salvador–Itaparica avança dentro do mar com 15 estacas cravadas para preparar estrutura que sustentará vão central de 682 metros
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 08/10/2026 às 14:52
Atualizado em 08/10/2026 às 14:55
Construção
Canal
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Com investimento estimado em R$ 11,6 bilhões, obra na Baía de Todos-os-Santos registra avanço físico na preparação de uma central de concreto que permitirá executar um dos trechos mais complexos da ligação entre Salvador e a Ilha de Itaparica
Depois de anos de promessas, negociações e expectativas, a construção da Ponte Salvador–Itaparica começa a apresentar avanços concretos dentro da Baía de Todos-os-Santos. O Governo da Bahia confirmou, nesta quarta-feira (7 de outubro), que 15 estacas já foram cravadas no mar para preparar a implantação de uma central de concreto que dará suporte à construção do vão central de 682 metros.
A operação representa uma etapa importante para o empreendimento, estimado em R$ 11,6 bilhões, que terá 12,4 quilômetros de extensão sobre o mar. Diferentemente das etapas anteriores de mobilização de equipamentos e preparação de canteiros, os trabalhos agora incluem estruturas efetivamente instaladas no leito da baía, embora a construção definitiva do vão central ainda esteja por vir.
Quinze estacas já foram cravadas no meio da baía para preparar a construção do vão central
Segundo a Secretaria Extraordinária do Sistema Viário Oeste (SVPonte), as 15 estacas integram a implantação da central de concreto que será utilizada durante a construção do trecho mais complexo da ponte.
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A estrutura permitirá organizar parte das operações necessárias à execução do vão central, facilitando o trabalho das equipes responsáveis por uma das fases mais exigentes do empreendimento.
É importante destacar que as estacas instaladas não correspondem aos pilares definitivos da ponte. Elas estão relacionadas à estrutura de apoio que será utilizada na construção, e não significam que o vão central já tenha começado a ser erguido.
A confirmação representa, entretanto, um avanço físico verificável em uma obra que passou anos cercada por expectativas de execução.
Número de estacas aumentou de 12 para 15 entre setembro e outubro
O avanço também pode ser observado na comparação entre as atualizações divulgadas nas últimas semanas.
Em 24 de setembro, o portal Panorama da Bahia informou que 12 estacas haviam sido cravadas para a instalação da central de concreto na Baía de Todos-os-Santos.
Já no comunicado oficial de 7 de outubro, o Governo da Bahia confirmou a instalação de 15 estruturas, indicando um acréscimo de três estacas entre os dois registros.
Embora esse crescimento demonstre a continuidade das atividades marítimas, ainda não é possível determinar o percentual de conclusão da ponte com base nesse número. A quantidade total de estacas previstas para essa central também não foi detalhada no comunicado.
Balsa de 77 metros utiliza guindastes de até 320 toneladas para realizar a operação
A instalação das estruturas está sendo realizada com o apoio da Balsa Jaguaribe, embarcação de 77 metros de comprimento preparada para operações de engenharia em ambiente marítimo.
O equipamento conta com uma estrutura-guia responsável por auxiliar no posicionamento das estacas, além de um martelo vibratório e outro de percussão, utilizados durante o processo de cravação.
A embarcação também possui dois guindastes de grande porte, com capacidades de 150 e 320 toneladas, permitindo a movimentação de componentes pesados durante as operações.
O trabalho exige precisão no posicionamento das estruturas, especialmente porque as atividades acontecem em uma área sujeita às condições marítimas da Baía de Todos-os-Santos.
Vão central de 682 metros será um dos maiores desafios de engenharia da ponte
O trecho central terá 682 metros de extensão e foi projetado para preservar a navegação na Baía de Todos-os-Santos, permitindo a circulação de embarcações de grande porte.
Essa característica é fundamental porque a região abriga rotas marítimas importantes para a movimentação de cargas e para o funcionamento das atividades portuárias e industriais da Bahia.
O secretário extraordinário do Sistema Viário Oeste, Mateus Dias, destacou a importância da etapa para o andamento do empreendimento.
Segundo ele, a implantação da central de concreto é fundamental para a execução do vão central, considerado parte do caminho crítico da obra, expressão utilizada na engenharia para identificar atividades que podem afetar diretamente o prazo de conclusão de um projeto.
As dificuldades técnicas também incluem as condições do fundo da baía. O projeto prevê fundações em trechos com profundidades de água de até 64 metros, embora isso não signifique que as 15 estacas já instaladas tenham sido cravadas nessa profundidade.
Canteiro de Vera Cruz também recebe estrutura provisória para facilitar trabalhos no mar
Enquanto as estacas são instaladas na região central da baía, outra frente de trabalho avança no município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica.
No local, está em andamento a implantação da Plataforma Linear Provisória (PLP), estrutura destinada a melhorar a logística das atividades construtivas realizadas sobre a água.
A plataforma permitirá organizar o deslocamento de trabalhadores, equipamentos e materiais entre diferentes pontos da construção, reduzindo a dependência de operações realizadas exclusivamente por embarcações.
Conforme informações já divulgadas sobre o projeto da plataforma marítima, a solução poderá reduzir em aproximadamente 70% a necessidade de embarcações de apoio ao longo das etapas atendidas pela estrutura.
Salvador e Maragogipe concentram outras etapas necessárias à construção da ponte
Além das atividades realizadas sobre o mar, o Governo da Bahia confirmou a continuidade dos trabalhos em outros dois canteiros.
Em Salvador, a área de Jequitaia passa por mobilização para receber a estrutura administrativa e operacional do empreendimento. Esse espaço será utilizado para coordenar atividades relacionadas à execução da ponte.
Já em São Roque do Paraguaçu, no município de Maragogipe, estão concentrados serviços de produção, preparação e armazenamento de materiais e equipamentos destinados às diferentes etapas da construção.
A distribuição das atividades entre os canteiros permite preparar componentes e organizar os serviços de apoio enquanto as operações marítimas avançam na baía.
Ponte de R$ 11,6 bilhões terá 12,4 quilômetros sobre o mar e novos acessos rodoviários
A Ponte Salvador–Itaparica integra um projeto maior de infraestrutura conhecido como Sistema Viário Oeste, que inclui intervenções rodoviárias nos dois lados da travessia.
Em Salvador, estão previstos aproximadamente 4,4 quilômetros de acessos com viadutos e túneis na região da Calçada e Água de Meninos. Na Ilha de Itaparica, o planejamento contempla uma via expressa de 22 quilômetros e a duplicação de oito quilômetros da BA-001.
O empreendimento será executado por meio de parceria público-privada, com participação da Concessionária Dois de Julho, formada pelas empresas chinesas CCECC e CCCC.
Do investimento estimado de R$ 11,6 bilhões, R$ 3 bilhões correspondem a aportes federais, R$ 3,1 bilhões ao Governo da Bahia e R$ 5,5 bilhões à iniciativa privada.
Com previsão de conclusão em 2031, a construção ainda terá pela frente etapas complexas de fundação, montagem das estruturas definitivas e implantação dos acessos.
Por enquanto, as 15 estacas cravadas no meio da Baía de Todos-os-Santos representam um avanço concreto, mas ainda preliminar, da obra. O próximo desafio será transformar a infraestrutura de apoio em condições efetivas para a execução do vão central que ligará Salvador à Ilha de Itaparica.
Fontes
Governo da Bahia
Panorama da Bahia
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

