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Após reeleição de Lula, investidores estrangeiros cobram ajuste fiscal rápido e banco americano projeta queda de até 30% nas ações brasileiras diante do risco para a economia

Após reeleição de Lula, investidores estrangeiros cobram ajuste fiscal rápido e banco americano projeta queda de até 30% nas ações brasileiras diante do risco para a economia

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Após reeleição de Lula, investidores estrangeiros cobram ajuste fiscal rápido e banco americano projeta queda de até 30% nas ações brasileiras diante do risco para a economia

Escrito por Carla Teles

Publicado em 27/10/2026 às 18:52

Atualizado em 27/10/2026 às 18:56

Economia

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Investidores estrangeiros cobram ajuste fiscal de Lula após eleição de 2026, enquanto Morgan Stanley projeta queda de até 30% nas ações brasileiras.

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Gestoras internacionais alertam para riscos de alta dos juros e pressão sobre o real, enquanto projeção aponta dívida brasileira de até 106% do PIB em 2035.

O banco americano Morgan Stanley projetou que as ações brasileiras podem sofrer uma queda de 20% a 30% no período após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto investidores estrangeiros cobram medidas rápidas para conter a deterioração das contas públicas. O alerta foi divulgado em 27 de outubro de 2026, dois dias depois do segundo turno presidencial, e inclui uma simulação na qual a dívida bruta brasileira alcançaria 106% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2035.

Segundo reportagem de Mayara Paixão, publicada pela Folha de S.Paulo, a preocupação reúne instituições como Morgan Stanley e Robeco, gestora internacional com aproximadamente US$ 450 bilhões em ativos sob administração. As avaliações ocorrem após a turbulência registrada no mercado brasileiro na segunda-feira (26), quando a Bolsa chegou a interromper negociações diante da forte queda das ações.

Morgan Stanley projeta queda de até 30% nas ações brasileiras e desaceleração em 2027

O comportamento do dólar e dos juros brasileiros está entre as preocupações de investidores internacionais. Imagem: Pexels.

O Morgan Stanley avalia que o Brasil poderá enfrentar um período de maior pressão sobre os ativos financeiros caso o governo não apresente medidas consideradas suficientes para estabilizar as contas públicas.

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Em relatório citado pela Folha, o banco projetou uma desvalorização de 20% a 30% nas ações brasileiras e uma desaceleração da atividade econômica em 2027. Trata-se de uma previsão, e não de uma queda adicional já confirmada.

A instituição também apresentou simulações sobre a trajetória da dívida pública. Em um cenário de ajuste fiscal tardio e limitado, o endividamento bruto poderia atingir 106% do PIB em 2035.

Para comparação, a dívida bruta brasileira estava próxima de 80% do PIB em 2026. A estimativa do banco representa, portanto, uma deterioração expressiva da relação entre dívida e tamanho da economia ao longo dos próximos nove anos.

O relatório considera que novos compromissos de despesas podem dificultar a estabilização do endividamento. Entre os pontos mencionados estão propostas de ampliação do Bolsa Família, medidas voltadas a microempreendedores, uma nova edição do Desenrola e subsídios aos combustíveis.

O banco também cita a possível redução de aproximadamente R$ 5 bilhões na arrecadação associada à proibição das apostas esportivas. As estimativas dependem da efetiva implementação das medidas e de suas condições.

A análise não significa que a instituição tenha confirmado a execução de todos esses compromissos. O relatório avalia seus possíveis efeitos sobre as contas públicas.

Gestora de US$ 450 bilhões alerta para pressão sobre o real e os juros brasileiros

A preocupação com a política fiscal também aparece nas avaliações da Robeco, gestora internacional que administra aproximadamente US$ 450 bilhões.

Em entrevista à Folha, Daniela da Costa-Bulthuis, gestora de portfólio de mercados emergentes da empresa, afirmou que a instituição não mantém uma visão permanentemente negativa sobre o Brasil.

A avaliação, entretanto, é que o país precisa apresentar medidas concretas para compensar novos gastos ou reduzir compromissos assumidos pelo governo.

Sem essa sinalização, a gestora considera que a pressão sobre o real e sobre as taxas de juros de longo prazo poderá continuar nas próximas semanas.

Os juros de longo prazo são utilizados como referência para diferentes modalidades de financiamento. Quando os investidores exigem remuneração mais elevada para comprar títulos públicos, o custo de captação do governo tende a aumentar.

Essas taxas também influenciam decisões de empresas que precisam financiar fábricas, equipamentos, infraestrutura e expansão de operações.

O câmbio representa outro canal de transmissão. A desvalorização do real pode aumentar o custo de produtos importados e componentes industriais cotados em dólar, dependendo das condições de cada setor.

Na segunda-feira (26), a Bolsa brasileira acionou o circuit breaker pela primeira vez desde 2020, interrompendo temporariamente as negociações após a queda acentuada do Ibovespa.

A movimentação refletiu a revisão das expectativas dos investidores depois do resultado eleitoral, embora os preços dos ativos também sejam influenciados por outros fatores econômicos.

Tesouro recompra R$ 7,1 bilhões em títulos após disparada das taxas de juros

Ministério da Fazenda autorizou novas operações de recompra de títulos públicos após a turbulência financeira. Imagem: Agência Brasil/EBC.

A tensão no mercado financeiro provocou uma reação do Tesouro Nacional. Em 26 de outubro, o órgão realizou operações de recompra de títulos públicos para reduzir as dificuldades de negociação registradas no mercado de renda fixa.

Segundo informações publicadas pela Reuters, a recompra de Notas do Tesouro Nacional Série F, títulos prefixados, movimentou aproximadamente R$ 7,1 bilhões.

A operação envolveu papéis com vencimentos em cinco, sete e dez anos. Ao adquirir títulos que estavam nas mãos de investidores, o Tesouro procurou reduzir as pressões sobre as taxas negociadas no mercado.

A intervenção continuou nesta terça-feira (27). O Ministério da Fazenda autorizou uma nova recompra, desta vez envolvendo títulos indexados à inflação, com vencimentos entre 2030 e 2045.

A medida foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e confirmada pela Agência Brasil.

O Tesouro também cancelou o leilão regular de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), previsto para a mesma data.

Essas operações são instrumentos de gerenciamento da dívida pública e de funcionamento do mercado financeiro. Não representam, por si só, uma mudança nas regras fiscais ou um plano de redução das despesas federais.

A pressão sobre os títulos também ocorre em um período de expansão do estoque da dívida. Em setembro, o CPG mostrou que a dívida pública atingiu R$ 9,29 trilhões ao final de agosto de 2026, conforme dados do Tesouro Nacional.

Déficit de R$ 94,9 bilhões até agosto aumenta pressão por medidas fiscais

Os dados oficiais ajudam a dimensionar as preocupações com as contas públicas.

Segundo o Resultado do Tesouro Nacional, o Governo Central acumulou déficit primário de R$ 94,9 bilhões entre janeiro e agosto de 2026.

No mesmo período de 2025, o saldo negativo havia sido de R$ 85,9 bilhões, em valores correntes.

O resultado primário corresponde à diferença entre receitas e despesas do governo, sem considerar os juros da dívida pública. Quando as despesas superam as receitas, ocorre déficit.

O Banco Central também registrou um déficit primário de R$ 82,1 bilhões no setor público consolidado durante os 12 meses encerrados em agosto, equivalente a 0,62% do PIB.

A diferença entre os dois números decorre dos períodos analisados e da abrangência dos indicadores. O resultado do Tesouro considera o Governo Central, enquanto o dado consolidado do Banco Central inclui outros componentes do setor público.

A instituição monetária informou ainda que os juros nominais do setor público chegaram a R$ 1,182 trilhão em 12 meses, aproximadamente 8,86% do PIB.

Esses valores ajudam a explicar a importância do custo de financiamento da dívida. Quanto mais elevadas as taxas exigidas pelos investidores, maior pode ser a despesa futura com juros, dependendo da composição e dos vencimentos dos títulos.

A evolução desse endividamento já havia sido abordada pelo CPG em reportagem sobre o déficit do setor público em fevereiro, quando a dívida bruta havia alcançado 79,2% do PIB.

Investidores aguardam definição da Fazenda e revisão das prioridades para 2027

Investidores estrangeiros cobram medidas fiscais após a reeleição de Lula, enquanto o mercado brasileiro enfrenta forte volatilidade. Imagem: Wikimedia Commons.

A formação da equipe econômica do próximo mandato aparece entre os pontos acompanhados pelos investidores internacionais.

Segundo a Folha, gestores observam possíveis mudanças na chefia do Ministério da Fazenda e a capacidade do governo de apresentar uma proposta fiscal que possa ser negociada com o Congresso.

A composição do Legislativo também entra nos cálculos. Um Congresso com maior presença de partidos de oposição pode dificultar a aprovação de determinadas propostas do Executivo, mas também exercer maior controle sobre iniciativas de ampliação de gastos.

A avaliação da Robeco é que o resultado dependerá da capacidade de negociação entre o governo e o Legislativo, especialmente na elaboração de um orçamento considerado viável.

Outro elemento analisado pelos investidores é a possibilidade de continuidade da redução dos juros pelo Banco Central. O ritmo dessa política dependerá das condições econômicas, das expectativas de inflação e das decisões do Comitê de Política Monetária.

Dario Durigan afirmou nesta terça-feira que o governo pretende buscar o centro da meta fiscal e discutir medidas com o Congresso. A declaração, entretanto, ainda não equivale à apresentação de um pacote completo de ajuste.

Nos próximos meses, os investidores acompanharão a definição da equipe econômica, as propostas para o Orçamento de 2027 e eventuais medidas de contenção de despesas ou compensação de receitas.

Até 27 de outubro, as projeções de Morgan Stanley e Robeco permanecem avaliações de risco para a economia brasileira. A trajetória efetiva da dívida, do dólar e dos juros dependerá das medidas adotadas e da reação dos mercados.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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