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Após vitória de Lula, Bolsa aciona circuit breaker pela primeira vez em seis anos
Escrito por Carla Teles
Publicado em 26/10/2026 às 18:27
Atualizado em 26/10/2026 às 18:28
Economia
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Mercado brasileiro enfrentou queda superior a 17% no pior momento do pregão, enquanto o dólar alcançou R$ 5,60 e investidores reavaliaram expectativas fiscais.
A Bolsa de Valores brasileira interrompeu as negociações por 30 minutos nesta segunda-feira, 26 de outubro de 2026, após o Ibovespa registrar uma queda de 10% na abertura do primeiro pregão depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A B3 acionou o mecanismo de proteção conhecido como circuit breaker pela primeira vez desde março de 2020. Após a retomada, o índice chegou a recuar 17,34%, atingindo 169.516 pontos no pior momento da sessão.
Ibovespa ultrapassou 17% de queda depois da interrupção das negociações
O primeiro sinal da turbulência apareceu antes mesmo da abertura regular do mercado de ações.
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Durante a formação dos preços no leilão inicial, o Ibovespa já apresentava uma indicação de queda suficiente para acionar os mecanismos de segurança da Bolsa.
A B3 anunciou a suspensão por volta das 10h e interrompeu as negociações durante 30 minutos.
A medida atingiu operações com ações, fundos de índice negociados em Bolsa (ETFs), recibos de ações estrangeiras (BDRs), determinados derivativos e títulos de renda fixa privada abrangidos pelo procedimento.
A retomada ocorreu por meio de um novo período de leilão, seguido pela negociação regular dos ativos.
A interrupção, porém, não impediu que o índice continuasse em queda. Por volta das 11h, o Ibovespa perdia aproximadamente 15,9%, aos 172.479 pontos.
Na mínima registrada durante a manhã, chegou a 169.516,43 pontos, recuo de 17,34% em relação ao fechamento anterior.
Na sexta-feira, 23 de outubro, último pregão antes do segundo turno, o índice havia encerrado as negociações em aproximadamente 205.083 pontos.
A diferença entre os dois patamares mostra a intensidade da movimentação registrada nas primeiras horas após o resultado eleitoral.
B3 antecipou o circuit breaker e explicou por que não houve segunda paralisação
O circuit breaker é um mecanismo de segurança criado para interromper temporariamente as negociações em situações de volatilidade extrema.
Em condições normais, as regras da Bolsa estabelecem uma suspensão de 30 minutos quando o Ibovespa acumula desvalorização de 10% em relação ao fechamento anterior.
Se o índice voltar a cair e atingir o patamar de 15%, está prevista uma segunda interrupção, com duração de uma hora.
Um terceiro estágio pode ser aplicado quando a perda chega a 20%, situação em que a B3 define o período de paralisação.
Entretanto, o comportamento registrado nesta segunda-feira apresentou uma particularidade.
Mesmo depois de o Ibovespa ultrapassar 15% de queda, a Bolsa não determinou uma segunda suspensão.
Em esclarecimento enviado à Exame, a B3 informou que o preço teórico do índice, calculado durante a pré-abertura, já apontava desvalorização superior a 20%.
A instituição decidiu antecipar a primeira paralisação para preservar a organização das negociações diante da movimentação esperada.
Segundo a explicação, uma nova interrupção seria acionada caso o Ibovespa atingisse novamente o limite negativo de 20% em relação ao fechamento anterior.
A decisão esclarece por que as operações continuaram mesmo quando o índice acumulava perdas superiores às previstas para o segundo estágio habitual.
Dólar alcançou R$ 5,60 e juros futuros dispararam durante o pregão
A reação dos investidores também atingiu o mercado de câmbio.
O dólar comercial, que havia encerrado a sexta-feira próximo de R$ 4,99, chegou a ser negociado a R$ 5,6048 nesta segunda-feira.
No ponto mais alto da sessão, a valorização da moeda norte-americana ultrapassou 12% em relação ao fechamento anterior.
Depois desse movimento, o dólar devolveu parte da alta, enquanto os investidores acompanhavam a evolução dos preços dos ativos brasileiros.
O mercado de juros futuros também apresentou elevações expressivas. Esses contratos refletem expectativas sobre as taxas de juros em diferentes prazos e costumam responder rapidamente a mudanças na percepção de risco.
Segundo a Folha de S.Paulo, as taxas chegaram a subir até 280 pontos-base durante as negociações.
Uma alta dessa magnitude corresponde a 2,8 pontos percentuais nas taxas negociadas nesses contratos, mas não significa que o Banco Central tenha alterado a Selic.
A movimentação também ocorre sobre um cenário de endividamento público elevado. Em setembro, dados do Tesouro Nacional mostraram que a dívida pública brasileira havia alcançado R$ 9,29 trilhões em agosto, com forte participação de títulos indexados à taxa Selic.
A relação entre juros, câmbio e dívida pública ajuda a explicar por que expectativas fiscais influenciam as decisões de investidores locais e estrangeiros.
Resultado das eleições contrariou posicionamento de parte dos investidores
A turbulência ocorreu depois da vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo, 25 de outubro.
Durante as semanas anteriores à votação, parte do mercado financeiro havia aumentado sua exposição a ativos brasileiros com a expectativa de uma mudança na Presidência da República.
Segundo a Reuters, investidores viam a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro como uma perspectiva de política fiscal mais restritiva e de medidas voltadas ao controle dos gastos públicos.
Com a reeleição de Lula, essas expectativas precisaram ser revistas.
O movimento de venda observado nesta segunda-feira refletiu a mudança no posicionamento de investidores e a preocupação de participantes do mercado com a trajetória das contas públicas.
Isso não significa que todos os agentes financeiros compartilhem a mesma avaliação política ou econômica.
O resultado das eleições também não determina, isoladamente, a evolução futura da Bolsa, do dólar ou dos juros. Esses indicadores continuam sujeitos às decisões econômicas, aos resultados das empresas e às condições internacionais.
A oscilação representou uma reversão em relação ao comportamento registrado após o primeiro turno.
Naquele período, o Ibovespa havia avançado 7,70%, alcançando 206.911 pontos, enquanto investidores ampliavam apostas em uma possível vitória da oposição.
Em dezembro de 2025, o índice também havia registrado um recorde acima de 161 mil pontos, durante um período de valorização das ações brasileiras e mudanças nas expectativas de juros internacionais.
Interrupção foi a primeira desde 2020 e a 24ª da história da Bolsa
O mecanismo de circuit breaker começou a ser utilizado no mercado brasileiro em 1997, durante a crise financeira asiática.
Desde então, foi acionado em episódios de forte instabilidade, incluindo a desvalorização do real em 1999, a crise financeira internacional de 2008 e a turbulência política e econômica de maio de 2017, conhecida como Joesley Day.
A última utilização antes de outubro de 2026 havia ocorrido em março de 2020, no início da pandemia de covid-19.
Naquele mês, as negociações foram interrompidas seis vezes, em meio à queda das bolsas internacionais e à incerteza sobre os efeitos econômicos da crise sanitária.
Conforme levantamento publicado pela CNN Brasil, o acionamento de 26 de outubro foi o 24º desde a criação do mecanismo.
A suspensão temporária não representa o encerramento definitivo do pregão nem garante que os preços se recuperem depois da retomada.
No primeiro pregão após a eleição, os investidores também acompanharam a reação de grandes companhias brasileiras, incluindo bancos, varejistas e empresas de setores exportadores.
A importância dessas empresas para o índice pode ser observada em episódios anteriores, como o período em que a Petrobras impulsionou recordes do Ibovespa em fevereiro de 2026.
Na sessão desta segunda-feira, a recuperação parcial dos preços ao longo da tarde não apagou as perdas registradas pela manhã.
Dados preliminares de fechamento divulgados pela Folha de S.Paulo indicaram que o Ibovespa terminou o dia com queda de 13,43%, aos 177.539 pontos, enquanto o dólar encerrou a R$ 5,409, valorização de 8,41%.
Os próximos pregões mostrarão a continuidade ou a redução dessa volatilidade, enquanto investidores acompanham as indicações do governo reeleito sobre a equipe econômica e a condução da política fiscal.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

