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ArcelorMittal Kryvyi Rih inicia parada a frio de 2 meses na siderúrgica ucraniana após 6 mortes em 4 ataques de mísseis russos, e a fábrica que recebeu mais de US$ 700 milhões da empresa já tem perda de US$ 1 bilhão prevista

ArcelorMittal Kryvyi Rih inicia parada a frio de 2 meses na siderúrgica ucraniana após 6 mortes em 4 ataques de mísseis russos, e a fábrica que recebeu mais de US$ 700 milhões da empresa já tem perda de US$ 1 bilhão prevista

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ArcelorMittal Kryvyi Rih inicia parada a frio de 2 meses na siderúrgica ucraniana após 6 mortes em 4 ataques de mísseis russos, e a fábrica que recebeu mais de US$ 700 milhões da empresa já tem perda de US$ 1 bilhão prevista

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 12/10/2026 às 14:41

Indústria

Grupo

Foto: Divulgação/ArcelorMittal Kryvyi Rih

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A parada a frio da ArcelorMittal Kryvyi Rih começou depois de quatro ataques que mataram seis funcionários e feriram mais de 18, e a produção primária de aço já parou. A conta abaixo mostra quanto a fábrica produzia, quanto custou mantê-la aberta e o que a empresa ainda não disse.

A ArcelorMittal Kryvyi Rih começou a colocar a siderúrgica em parada a frio, segundo o comunicado da empresa de 10 de outubro de 2026, noticiado pela Ukrainska Pravda. O SteelOrbis registra o mesmo texto. Quatro ataques de mísseis russos mataram seis funcionários e feriram mais de 18. A produção primária de aço na Ucrânia parou.

A empresa diz que o processo leva cerca de dois meses. Primeiro vem o desligamento seguro das instalações. Depois, a preservação dos ativos industriais, para que a ArcelorMittal Kryvyi Rih possa voltar quando as hostilidades acabarem.

O que é a parada a frio e por que não é só uma pausa?

No texto da empresa, parada a frio tem duas etapas: desligar as instalações com segurança e depois preservar os ativos industriais. Não é reduzir o ritmo da produção nem esperar uma peça chegar.

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Operário em área de produção em foto divulgada pela ArcelorMittal Kryvyi Rih. Foto: Divulgação/ArcelorMittal Kryvyi Rih

Mauro Longobardo, CEO da ArcelorMittal Kryvyi Rih, disse que a parada a frio não é apenas uma suspensão da produção. Para ele, é uma medida de precaução, que protege o negócio e controla os riscos de cada ativo, conforme o texto publicado pelo SteelOrbis. Ele colocou a proteção dos funcionários e das instalações como prioridades.

O grupo não vai sair da Ucrânia. A avaliação atual é que operar com segurança é impossível enquanto a guerra continuar. Só depois do fim do conflito a empresa pretende conversar com o governo ucraniano sobre uma retomada.

Quantos ataques, quantos mortos e quando foi cada um?

O comunicado de 10 de outubro fala em quatro ataques. O de 25 de setembro, da própria companhia, já falava em quatro ataques em cinco semanas. O último foi em 21 de setembro. O balanço de então: cinco funcionários mortos e 17 feridos, um em estado crítico.

Entre uma nota e outra, o balanço subiu: de cinco para seis mortos e de 17 para mais de 18 feridos. Os textos de outubro não explicam a diferença, e este texto não vai supor a causa.

DataO que aconteceuFonte17/08/2026Ataque atinge instalações de energia e do alto-forno; 2 mortos e 13 feridos, segundo a Ukrainska PravdaUkrainska Pravda12/09/2026Novo míssil na madrugada: 2 mortos (de empresas terceirizadas) e 4 feridos, segundo a UkrinformUkrinform21/09/2026Quarto ataque em cinco semanasComunicado de 25/0925/09/2026Empresa diz que não consegue reiniciar com segurança; prevê perda de US$ 1 bilhãoMesmo comunicado10/10/2026Começa a parada a frio, de cerca de 2 meses; balanço: 6 mortos, 18+ feridosUkrainska Pravda

As contagens de cada ataque vêm de reportagens diferentes e nem sempre somam o total da empresa, por isso a coluna final mostra a fonte de cada linha.

Quanto a empresa gastou para manter a fábrica ligada?

O comunicado de 25 de setembro diz que o grupo deu mais de US$ 700 milhões à unidade desde fevereiro de 2022. O GMK Center acrescenta que a própria ArcelorMittal Kryvyi Rih investiu cerca de US$ 500 milhões do caixa que gerou.

A conta própria: de fevereiro de 2022 a setembro de 2026 são cerca de 55 meses. Dividindo US$ 700 milhões por 55, dá mais de US$ 12 milhões por mês em apoio do grupo, em média. É um piso, porque a empresa diz “mais de”.

Agora a empresa prevê uma baixa contábil sem efeito no caixa de cerca de US$ 1 bilhão. O motivo principal são os danos a prédios, máquinas e equipamentos da siderúrgica. Analistas do J.P. Morgan dizem que a baixa não deve afetar o Ebitda do grupo. A unidade pode ter perdas no terceiro e no quarto trimestres, segundo a Reuters.

Quanto aço a siderúrgica de Kryvyi Rih ainda fazia?

Em 2025, a unidade produziu 1,69 milhão de toneladas de aço bruto, alta de 2,3% sobre 2024, segundo o GMK Center. Em 2021, último ano antes da invasão, o pico foi de 4,9 milhões de toneladas.

A conta: 1,69 dividido por 4,9 dá 34%. Ou seja, a produção de 2025 já era pouco mais de um terço do que a fábrica chegou a fazer antes da guerra.

Mesmo assim, o peso era grande. A Forbes Ucrânia, citada pelo Kyiv Post, calculou que a ArcelorMittal Kryvyi Rih respondia por 23% do aço do país em 2025. Segundo a revista, as três maiores siderúrgicas ucranianas, com cerca de 90% da produção nacional, estão paradas depois dos ataques. O percentual é cálculo da revista, e este texto não achou estatística oficial para conferir.

Para dar a escala do grupo: em 2025, a ArcelorMittal fez 55,6 milhões de toneladas de aço bruto no mundo todo. A receita foi de US$ 61,4 bilhões, segundo o comunicado de 25 de setembro. A conta: 1,69 dividido por 55,6 dá cerca de 3% do aço do grupo. É pouco em volume, mas muito no mapa do aço da Ucrânia.

Isso muda o preço do aço fora da Ucrânia?

Os analistas do J.P. Morgan ouvidos pela Reuters afirmaram que a falta de oferta pode apertar o mercado europeu de bobinas laminadas a quente e dar sustentação aos preços. É uma avaliação de analistas sobre a Europa, não uma medição de preço, e nenhuma das fontes falou do Brasil.

Por isso, este texto não afirma efeito no aço brasileiro. O que está documentado é isto: a produção primária parou, a preservação leva cerca de dois meses e não há data para a volta.

O que a empresa ainda não disse

O comunicado de 10 de outubro não traz o número de empregados da unidade que ficam afastados. Também não fala dos contratos com clientes. Sobre o futuro da planta, diz só que a conversa com o governo virá depois do fim das hostilidades.

Há uma pergunta prática para as próximas semanas. Se a baixa de US$ 1 bilhão se confirmar no balanço do trimestre, ela vai mostrar quanto da fábrica foi dado como perdido. E vai deixar claro quanto a empresa acredita que ainda dá para recuperar depois da guerra.

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ArcelorMittal


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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