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Argentina abre demissão voluntária para cerca de 20 mil servidores, paga 1 salário por ano de casa ou 60% do salário por até 36 meses, e o cargo de quem sair deixa de existir

Argentina abre demissão voluntária para cerca de 20 mil servidores, paga 1 salário por ano de casa ou 60% do salário por até 36 meses, e o cargo de quem sair deixa de existir

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Argentina abre demissão voluntária para cerca de 20 mil servidores, paga 1 salário por ano de casa ou 60% do salário por até 36 meses, e o cargo de quem sair deixa de existir

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 20/10/2026 às 21:54

Atualizado em 20/10/2026 às 21:55

Economia

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Federico Sturzenegger, ministro de Desregulação e Transformação do Estado da Argentina e um dos signatários do Decreto 1.203/2026, durante exposição na Bolsa de Comércio de Córdoba Foto: Ministerio de Desregulación y Transformación del Estado/argentina.gob.ar

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Decreto publicado no Boletín Oficial cria a demissão voluntária para servidores públicos federais, separa quem pode sair em três grupos por idade, abre a adesão em novembro e elimina o cargo de quem aceitar

A Argentina oficializou um programa de demissão voluntária para servidores públicos da administração federal. O Decreto 1.203/2026, publicado no Boletín Oficial na segunda-feira (19), aprova o Regime de Retiro Voluntário e vale desde a publicação.

A regra geral paga 1 salário bruto por ano de casa. Quem está perto da aposentadoria e ainda não juntou contribuição suficiente tem outra opção. Pode trocar esse valor por uma renda de 60% do salário por mês, durante até 3 anos.

O ministro de Desregulação e Transformação do Estado, Federico Sturzenegger, que assina o decreto, escreveu numa publicação no X que cerca de 20 mil servidores são elegíveis para participar, se quiserem. O jornal argentino La Nación fala num universo de algo mais de 21 mil e diz que a intenção do governo é chegar perto de 20 mil saídas. O ministério disse ao jornal que o programa não tem meta predeterminada.

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Quem pode aderir à demissão voluntária na Argentina?

A demissão voluntária vale para os servidores públicos da planta permanente e para os contratados por tempo indeterminado da administração pública nacional centralizada. O texto do decreto, assinado pelo presidente Javier Milei, pelo chefe de gabinete Diego Santilli e por Sturzenegger, traz num anexo a lista de quem fica de fora.

Artigos 4º e 5º do Anexo I do Decreto 1.203/2026, com o prazo de adesão de 1º a 30 de novembro de 2026 e o início da lista de grupos Foto: Boletín Oficial de la República Argentina

Entre os excluídos estão militares, policiais e integrantes das forças de segurança, a Secretaria de Inteligência e o Serviço Exterior. A lista inclui ainda os brigadistas do Sistema Federal de Manejo do Fogo, os docentes e os artistas das orquestras, coros e balés nacionais.

Não entra quem responde a processo por crime contra a administração pública nem quem já deu entrada na aposentadoria. Quem move ação contra o Estado só pode aderir se desistir dela. Há ainda uma trava para quem está no fim da carreira: o servidor que já cumpre os requisitos para se aposentar fica impedido de aderir.

Delegado sindical só pode pedir a saída se renunciar ao mandato. Para encaixar cada pessoa num grupo, vale a idade completada até 31 de outubro de 2026.

Quanto recebe cada grupo de servidores públicos que aceitar a saída?

O anexo divide os servidores públicos em três grupos, pela idade e pelo tempo de contribuição. A base de cálculo é o salário bruto mensal, e só conta o tempo de planta permanente ou de contrato por tempo indeterminado. Período como bolsista, em cargo transitório, como contratado temporário ou já indenizado em outra saída fica fora da conta.

GrupoQuem entra (idade em 31/10/2026)O que recebeGrupo 1mulheres a partir de 58 anos e homens a partir de 63, sem contribuição suficiente para a aposentadoria ordináriaescolhe entre 60% do salário bruto por mês até cumprir os requisitos da aposentadoria, por no máximo 36 meses, ou 1 salário por ano de casa, com teto de 18 saláriosGrupo 2mulheres de 58 a 64 anos e homens de 63 a 64, com pelo menos 30 anos de contribuição1 salário por ano de casa, com teto de 18 salários, mais 5 salários de adicionalGrupo 3mulheres até 57 anos e homens até 621 salário por ano de casa, com teto de 20 salários, mais 4 salários de adicional (menos de 15 anos de planta permanente) ou 5 (15 anos ou mais)

Fazendo a conta no terceiro grupo: quem tem 20 anos de planta permanente recebe o teto de 20 salários e mais 5 de adicional.

Já quem tem 10 anos de casa soma 10 salários e o adicional menor, de 4 salários. Fração de ano acima de três meses conta como ano cheio.

Nos grupos 1 e 2 existe uma segunda trava. O valor não pode passar do que o servidor ganharia até cumprir os requisitos da aposentadoria, mês a mês, e nunca supera 18 salários.

Quando o total passa de 20 milhões de pesos, o dinheiro sai em parcelas mensais de 20 milhões, no máximo 3, com o saldo na última. Abaixo desse valor, o pagamento é feito de uma vez.

Quem escolhe a renda mensal de 60% continua com os descontos da obra social e da previdência, e o Estado segue recolhendo a contribuição patronal. Esse pagamento para no mês em que a pessoa cumprir os requisitos da aposentadoria. Se o servidor morrer antes, os herdeiros seguem recebendo até o fim do prazo combinado.

O que acontece com a vaga de quem sai da administração?

O cargo vai embora junto com o servidor. O artigo 3º do Decreto 1.203 manda eliminar a vaga de quem aderir à demissão voluntária, a partir da data de saída. O anexo ainda proíbe usar essa redução para justificar uma contratação nova.

Quem sai também fica 8 anos sem poder voltar ao setor público nacional, em qualquer forma de emprego ou contrato. A única exceção é dar aula em universidade nacional. Se a regra for quebrada, as parcelas pendentes param e o ex-servidor tem de devolver valores, conforme o tempo que passou entre a saída e a volta.

Sturzenegger defendeu a trava de reingresso “para evitar uma porta giratória”, como registrou a Agência Brasil. Numa publicação citada pelo La Nación, o ministro disse que o governo segue buscando formas de reduzir o gasto público para continuar baixando impostos.

Qual é o prazo para pedir a demissão voluntária e quem decide o pedido?

A adesão vai de 1º a 30 de novembro. A Secretaria de Transformação do Estado e Função Pública, autoridade de aplicação do regime, pode estender esse prazo uma única vez, por até 30 dias corridos.

O porta-voz presidencial Adrián Ravier na coletiva de 19 de outubro de 2026, na Casa Rosada, em que o governo detalhou as regras de adesão Foto: Presidencia de la Nación/casarosada.gob.ar

O porta-voz presidencial Adrián Ravier explicou na coletiva de imprensa na Casa Rosada que o pedido será feito pelo Sistema de Gestão Documental Eletrônica. Antes de decidir, o servidor pode receber orientação sobre a própria aposentadoria e consultar o valor estimado da compensação.

Fazer o pedido de demissão voluntária não garante a saída. Ministros e outras autoridades podem negar a adesão para manter os serviços da área funcionando, e basta citar esse motivo. A resposta sai em até 40 dias corridos depois do fim do prazo de adesão, e o silêncio do governo vale como recusa.

O vídeo oficial da coletiva foi publicado pelo canal da Vocería Presidencial no YouTube. Ele registra o anúncio feito por Ravier na sala de imprensa da Casa Rosada, no mesmo dia em que o decreto saiu no Boletín Oficial.

Assista o vídeo

A Associação Trabalhadores do Estado (ATE) é contra o plano e diz que as chefias estão pressionando os funcionários. “Se é realmente voluntário, por que estão ameaçando os trabalhadores? Se há intimidação, então o consentimento não é livre”, afirmou o secretário-geral da ATE Nacional, Rodolfo Aguiar, conforme a Agência Brasil.

A entidade vai recomendar que os servidores não façam a adesão e cita a experiência das demissões voluntárias dos anos 1990 no país. Ao La Nación, Aguiar resumiu: “No es retiro voluntario, es despido extorsivo” (não é demissão voluntária, é demissão sob extorsão). A ATE anunciou protestos em frente à residência presidencial de Olivos.

Do lado do governo, o ministério afirmou ao La Nación que cada saída depende da decisão do trabalhador e da aprovação do Estado. A pasta diz que vai avaliar os pedidos conforme as necessidades de cada órgão.

Quantos servidores públicos a Argentina já cortou desde o fim de 2023?

Entre dezembro de 2023 e agosto de 2026, a Argentina suprimiu 77,5 mil postos no setor público. O número vem de um informe do governo citado pela Agência Brasil.

A conta junta 44,7 mil vagas na administração pública nacional, 11,1 mil nas Forças Armadas e de segurança e 21,6 mil em empresas públicas.

No mesmo período, o quadro da administração pública nacional encolheu 21,8%, e o das estatais, 23,7%. O governo apresenta essa redução como parte do corte de gastos, com economia de US$ 3,2 bilhões.

O Indec, instituto oficial de estatística, contou 269.025 pessoas na administração nacional, em empresas e em sociedades do Estado em 31 de agosto. É uma queda de 5,8% em um ano, segundo o La Nación.

Para o servidor que pensa em aderir à nova demissão voluntária, o prazo termina em 30 de novembro.

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Argentina


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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