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Armênia liga a mina de ouro de Amulsar, parada desde 2018 por protestos, com US$ 750 milhões investidos e meta de 210 mil onças por ano, mas ambientalistas temem pelo Lago Sevan, maior reserva de água doce do país

Armênia liga a mina de ouro de Amulsar, parada desde 2018 por protestos, com US$ 750 milhões investidos e meta de 210 mil onças por ano, mas ambientalistas temem pelo Lago Sevan, maior reserva de água doce do país

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Armênia liga a mina de ouro de Amulsar, parada desde 2018 por protestos, com US$ 750 milhões investidos e meta de 210 mil onças por ano, mas ambientalistas temem pelo Lago Sevan, maior reserva de água doce do país

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 13/10/2026 às 07:18

Atualizado em 13/10/2026 às 07:19

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Foto: Gabinete do Primeiro-Ministro da Armênia

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Amulsar é a primeira mina de ouro em operação na Armênia desde a independência, segundo a agência estatal. O primeiro ouro foi fundido em setembro, e a cerimônia com o governo foi no sábado, 10 de outubro de 2026.

A mina de ouro de Amulsar, na província armênia de Vayots Dzor, entrou em operação em 10 de outubro de 2026. Naquele sábado, o primeiro-ministro Nikol Pashinyan acompanhou a fundição do primeiro ouro do local, segundo o gabinete do primeiro-ministro da Armênia.

A obra começou em 2016. Ficou travada desde junho de 2018, quando manifestantes bloquearam o acesso ao canteiro, segundo a OC Media, em reportagem de 12 de outubro de 2026.

O sábado da fundição do primeiro ouro

Pashinyan chegou de helicóptero, segundo o vídeo que ele mesmo publicou e que a OC Media descreve. Depois, conforme o gabinete dele, percorreu a cava a céu aberto. Em seguida, acompanhou a cerimônia de extração e fundição do primeiro ouro de Amulsar.

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A comitiva do governo visitou a cava a céu aberto antes da cerimônia. Foto: Gabinete do Primeiro-Ministro da Armênia

O primeiro-ministro chamou a abertura de “história de sucesso”. Disse que a cerimônia aconteceu sem protestos por perto, conforme o comunicado oficial de 10 de outubro de 2026. Para ele, o governo respondeu a todas as perguntas ambientais que travavam o projeto.

No vídeo do canal oficial do governo armênio, o discurso de Pashinyan na cerimônia de início da operação da mina (em armênio):

Assista o vídeo

A Armenpress, agência estatal armênia, informou em 13 de outubro de 2026 que Amulsar é a primeira mina de ouro em operação no país desde a independência. Hayk Aloyan, fundador e presidente-executivo da Lydian Armenia, fundiu o primeiro lingote com as próprias mãos, em 16 de setembro. “É como o momento em que nasce o seu filho”, disse ele à imprensa.

A Lydian Armenia exporta a liga de ouro e prata para refino na Suíça, segundo Aloyan. A empresa tem licença de 12 anos para operar a mina de ouro e espera que o projeto dure cerca de 40 anos.

Por que Amulsar ficou parada desde 2018?

Em junho de 2018, moradores e ativistas bloquearam o acesso ao projeto. Eles temiam o uso de cianeto na extração e o risco para os rios Arpa e Vorotan, segundo a OC Media. O bloqueio terminou durante a segunda guerra de Nagorno-Karabakh, em 2020.

Depois da Revolução de Veludo de 2018, o governo armênio encomendou uma avaliação independente de US$ 450 mil à consultoria ELARD, conforme a OC Media. O relatório de 2019 apontou falhas e omissões no estudo ambiental da empresa. Mesmo assim, concluiu que a mina não prejudicaria o ecossistema local, em particular as águas subterrâneas.

AnoO que aconteceuFonte2016Começam as obras de AmulsarOC Media, 12/10/2026junho de 2018Protestos bloqueiam o acesso e a obra paraOC Media, 12/10/20262019Avaliação do governo aponta falhas no estudo da empresa, mas não vê dano ao ecossistemaOC Media, 12/10/20262020Fim do bloqueio durante a guerra de Nagorno-KarabakhOC Media, 12/10/20262021Pashinyan diz que há possibilidade de a mina abrirOC Media, 12/10/20262024Governo dá aval à minaOC Media, 12/10/202616 de setembro de 2026Primeiro ouro fundidoArmenpress, 13/10/202610 de outubro de 2026Cerimônia de início da operaçãoGabinete do primeiro-ministro, 10/10/2026

A conta: 210 mil onças viram 6,5 toneladas por ano

O gabinete do primeiro-ministro projeta, no comunicado de 10 de outubro de 2026, produção anual de cerca de 210 mil onças de ouro. Uma onça troy tem 31,1 gramas. A multiplicação dá cerca de 6,5 toneladas de metal por ano, ou perto de 18 quilos por dia.

Na fundição de Amulsar, o ouro derretido escorre para os moldes. Foto: Gabinete do Primeiro-Ministro da Armênia

Os números de dinheiro vêm do mesmo comunicado. A Lydian Armenia investiu cerca de US$ 750 milhões no projeto. Desse total, US$ 150 milhões vieram de um financiamento com garantia do governo armênio.

Aloyan disse à Armenpress, em 13 de outubro de 2026, que a empresa espera produzir cerca de US$ 100 milhões em 2026. A condição é manter a produção regular nos últimos três meses do ano. Nos anos seguintes, a expectativa é de US$ 860 milhões a US$ 900 milhões por ano, conforme o preço do ouro.

Divida esses valores por 210 mil onças. A conta embute ouro a cerca de US$ 4.100 a US$ 4.300 a onça. É uma divisão nossa, e a liga também leva prata, o que mexe no resultado.

O que fica para governo, empresa e cidades vizinhas

O governo armênio tem 12,5% do projeto, e a Lydian Armenia, 75,5%, segundo a OC Media. O gabinete do primeiro-ministro estima cerca de US$ 130 milhões por ano em impostos e royalties. Também fala em impacto de 1,5% a 2% no PIB e em mais de 4 mil empregos, diretos e indiretos.

Se a estimativa de arrecadação se confirmar, o total pago ao Estado empata com o investimento da empresa em menos de seis anos. A conta é 750 dividido por 130, que dá 5,8.

Aloyan afirmou à Armenpress que a empresa tem 1,5 mil funcionários. Cerca de 30% deles são moradores da região. O economista Suren Parsyan disse à agência que a mina de ouro deve virar a segunda maior mineradora do país, atrás do complexo de cobre e molibdênio de Zangezur.

Gnel Sanosyan, representante do governo no conselho da Lydian Armenia, citou os repasses às cidades. Jermuk, Vayk e Sisian vão receber de US$ 7 milhões a US$ 9 milhões por ano. A empresa também vai destinar US$ 5 milhões a um parque nacional, segundo a Armenpress.

O que os ambientalistas temem no Lago Sevan?

Ativistas dizem que o cianeto usado para separar o ouro pode contaminar os rios Arpa e Vorotan. Por consequência, atingiria o Lago Sevan, a maior reserva de água doce da Armênia, segundo a OC Media. A Lydian Armenia responde que adota as melhores práticas internacionais de saúde, segurança e gestão ambiental.

O próprio Pashinyan lembrou, na cerimônia, que houve alertas sobre a contaminação do Lago Sevan. Disse que o governo se convenceu de que esses riscos não existem, conforme o comunicado oficial. Sanosyan afirmou que especialistas internacionais acompanharam a obra, segundo a Armenpress.

Em 10 de outubro de 2026, organizações da sociedade civil armênia condenaram o início da operação. Pediram a suspensão imediata, um novo estudo de impacto ambiental e a revisão do apoio estatal ao projeto, segundo a OC Media. A abertura vem pouco antes da COP17, a conferência da ONU sobre biodiversidade, marcada para 19 a 30 de outubro, em Erevan.

Em 2020, entidades armênias e a rede CEE Bankwatch recorreram à Convenção de Berna, que recomendou ao governo parar o processo, de acordo com a OC Media. A empresa, segundo a mesma reportagem, já processou deputados, ativistas e até um ministério por críticas à mina. O futuro do Lago Sevan é o centro dessa disputa.

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Armênia


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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