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Astronautas da NASA veem tons verdes e amarelos na Lua e cientistas ligam cores ao passado vulcânico
Escrito por Carla Teles
Publicado em 13/10/2026 às 12:52
Atualizado em 13/10/2026 às 12:55
Ciência e Tecnologia
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A Lua mostrou tons amarelos, verdes, marrons e azulados durante o sobrevoo da Artemis II; pesquisadores avaliam se parte dessas diferenças está ligada a depósitos de vidro formados por antigas erupções vulcânicas.
A Lua apresentou uma aparência mais colorida do que o padrão cinzento normalmente visto da Terra quando os astronautas da Artemis II passaram pelo satélite em 6 de abril de 2026. A bordo da espaçonave Orion, Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen relataram áreas amarelas, verdes, marrons e azuladas enquanto observavam a superfície a cerca de 6.400 quilômetros de distância durante um sobrevoo de quase sete horas.
Segundo o Daily Galaxy, que publicou a reportagem em 12 de outubro de 2026, as descrições aparecem no relatório preliminar de ciência lunar da missão. A NASA disponibilizou os dados científicos da Artemis II em outubro e relaciona essas observações a uma investigação mais ampla da superfície lunar. As cores, porém, não comprovam sozinhas a presença de minerais específicos: composição, iluminação e alterações da superfície também podem modificar o que os astronautas enxergam.
Planalto Aristarchus apareceu com amarelo, verde e marrom
Uma das regiões que mais chamou a atenção da tripulação foi o Planalto Aristarchus, área elevada localizada no lado próximo da Lua e conhecida por extensos depósitos relacionados ao vulcanismo antigo. Em determinados pontos, os astronautas perceberam tonalidades que destoavam do cenário predominantemente cinza associado à paisagem lunar.
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Christina Koch descreveu uma parte do terreno como semelhante a uma montanha coberta por neve amarelada. Victor Glover também identificou verde e marrom na região de Aristarchus e em direção ao polo norte, enquanto registrava imagens da superfície.
As diferenças de cor podem indicar variações sutis nos materiais presentes sobre o terreno, mas a aparência visual depende também de fatores como iluminação e desgaste da superfície. É por isso que os relatos da tripulação servem como observação científica a ser comparada com outros instrumentos, e não como uma análise química direta.
As fotografias e descrições feitas durante o voo permitem localizar essas variações e confrontá-las com mapas já produzidos por missões orbitais. A observação humana, nesse caso, passou a ser analisada junto a dados de câmeras e sensores que estudam a composição e a topografia lunar.
Vidros vulcânicos podem ajudar a explicar algumas cores da Lua
Uma das hipóteses discutidas no relatório envolve pequenas partículas de vidro vulcânico semelhantes às encontradas nas amostras trazidas pelas missões Apollo 15 e Apollo 17. Esses materiais se formaram quando magma vindo do interior da Lua foi lançado durante antigas erupções e esfriou rapidamente.
O relatório aponta possíveis relações entre vidros de diferentes composições e determinadas cores. Materiais ricos em titânio podem apresentar tonalidades alaranjadas, enquanto vidros com maior presença de magnésio podem aparecer em tons verdes.
Essas partículas interessam aos pesquisadores porque preservam informações sobre processos que ocorreram no interior lunar. A composição dos vidros pode ajudar a reconstruir as condições químicas das erupções que ocorreram bilhões de anos atrás.
No Planalto Aristarchus, onde existem depósitos vulcânicos extensos, a associação é especialmente relevante. Ainda assim, atribuir uma cor observada pelos astronautas a um mineral ou vidro específico ainda precisa ser confirmado por dados espectrais, medições orbitais e análises comparativas.
Orientale mostrou outra combinação de tons sobre a superfície lunar
A tripulação encontrou diferenças de cor também longe do Planalto Aristarchus. Ao passar pela Bacia Orientale, uma das grandes estruturas de impacto da Lua, os astronautas observaram áreas cinzentas, marrons, esverdeadas e de tonalidade bege.
A bacia fica próxima à divisa visual entre os lados próximo e distante do satélite e foi formada por uma colisão antiga que modificou uma vasta área da crosta. O impacto criou uma estrutura de múltiplos anéis e espalhou material por regiões ao redor.
Koch descreveu partes do anel externo como apresentando cores que lembravam ambientes pantanosos, enquanto Glover identificou cadeias montanhosas mais claras. Reid Wiseman chamou atenção para a dimensão da alteração causada pelo impacto.
Além dos tons, a equipe observou cadeias de crateras secundárias espalhadas a partir da região. Essas estruturas são resultado de material lançado pelo impacto original e que voltou a atingir a superfície em outros pontos, acrescentando informações sobre a evolução geológica da área.
Astronautas receberam mais de dois anos de treinamento em geologia
As descrições não foram feitas por observadores sem preparação específica. Antes do voo, os integrantes da Artemis II passaram por mais de dois anos de treinamento geológico que incluiu atividades de campo na Terra, aulas e simulações de observação da Lua.
Esse treinamento foi pensado para que a tripulação identificasse padrões, estruturas e diferenças visuais enquanto a espaçonave estivesse em movimento. A missão gerou aproximadamente 814 gigabytes de fotografias, vídeos e gravações de áudio para posterior análise.
A NASA argumenta que o observador humano consegue integrar elementos diferentes da paisagem em tempo real. Enquanto uma câmera registra uma imagem dentro de determinados parâmetros, o astronauta pode mudar rapidamente o ponto de atenção, comparar regiões e comunicar características que chamam sua atenção durante o voo.
Isso não substitui instrumentos científicos, mas acrescenta uma camada de observação ao conjunto de dados. Os relatos podem direcionar pesquisadores para regiões específicas que mereçam investigação por sensores orbitais ou futuras missões de superfície.
Cores não representam uma nova descoberta mineral confirmada
Embora os tons verdes e amarelos sejam visualmente incomuns para quem está acostumado com fotografias tradicionais da Lua, o relatório não os apresenta como prova de novos minerais descobertos durante a Artemis II.
A aparência do terreno pode mudar conforme a composição das rochas, partículas presentes no regolito, exposição ao ambiente espacial e ângulo da iluminação. A própria fonte ressalta que a observação visual isolada não determina a composição exata de uma área.
Por isso, a ligação com o vulcanismo deve ser entendida como uma interpretação científica baseada no conhecimento já disponível sobre regiões como Aristarchus e sobre materiais recolhidos pelas missões Apollo. A existência de vidros vulcânicos na Lua é conhecida, mas identificar exatamente quais materiais produziram cada tonalidade observada exige outras formas de análise.
As imagens da Artemis II podem agora ser comparadas com informações do Lunar Reconnaissance Orbiter e outros conjuntos de dados. Esse cruzamento permite verificar se áreas descritas como diferentes pelos astronautas correspondem a variações conhecidas de composição, relevo ou propriedades da superfície.
Observações da Artemis II podem orientar futuras missões lunares
O valor prático dessas descrições vai além de explicar por que determinadas regiões parecem verdes ou amarelas. Em futuras missões, astronautas poderão precisar reconhecer formações geológicas, escolher locais de interesse e selecionar amostras diretamente na superfície da Lua.
Treinar pessoas para identificar detalhes que mereçam investigação pode ajudar a complementar mapas e instrumentos. Uma mudança sutil de cor, textura ou formato pode servir como indicação inicial para que sensores sejam direcionados à área.
A missão Artemis II mostrou como fotografias, dados orbitais e observações humanas podem ser combinados. Os tons relatados não encerram a investigação sobre o passado vulcânico lunar; eles indicam regiões e materiais que podem ser estudados com maior detalhe.
Assim, o cenário colorido visto pela tripulação não muda de imediato o que se sabe sobre a composição da Lua, mas fornece novas observações de terrenos associados a erupções e grandes impactos. O próximo trabalho dos pesquisadores é confrontar essas descrições com medições capazes de separar efeito de iluminação, diferenças superficiais e sinais químicos preservados na paisagem lunar.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

