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Atestado falso no INSS pode ser identificado por IA, CRM, assinatura, rasuras e origem digital, enquanto fraude no Atestmed pode chegar à Polícia Federal

Atestado falso no INSS pode ser identificado por IA, CRM, assinatura, rasuras e origem digital, enquanto fraude no Atestmed pode chegar à Polícia Federal

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Atestado falso no INSS pode ser identificado por IA, CRM, assinatura, rasuras e origem digital, enquanto fraude no Atestmed pode chegar à Polícia Federal

Escrito por Viviane Alves

Publicado em 07/10/2026 às 19:36

Atualizado em 07/10/2026 às 19:40

Legislação e Direito

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INSS utiliza cruzamento de informações para reforçar a verificação de documentos médicos apresentados em pedidos de benefício por incapacidade temporária.

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Cruzamento de informações médicas e digitais amplia fiscalização sobre pedidos de benefício por incapacidade temporária e ajuda a localizar documentos suspeitos antes do pagamento

Um atestado pode trazer nome do paciente, diagnóstico, período de afastamento, assinatura, carimbo e registro profissional e, mesmo assim, apresentar irregularidades. Montagens, informações adulteradas e até dados verdadeiros de médicos utilizados sem autorização podem tornar uma falsificação difícil de perceber apenas pela aparência.

Para enfrentar esse problema, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) conta com ferramentas tecnológicas capazes de cruzar informações dos documentos apresentados pelos segurados. A análise ganhou importância com o avanço do Atestmed, sistema que permite solicitar benefício por incapacidade temporária por meio de documentos médicos.

Tecnologia usada no INSS cruza assinatura, CRM e informações digitais dos atestados

A fiscalização não se limita à presença de assinatura ou carimbo. Ferramentas de análise de dados permitem confrontar informações relacionadas ao profissional responsável pelo documento, como nome, assinatura, CRM, especialidade e local de trabalho.

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Outro elemento pode estar associado ao próprio envio digital. O endereço IP utilizado para encaminhar o arquivo ajuda a identificar sua origem e, combinado com outras informações, pode revelar padrões suspeitos. Uma quantidade elevada de documentos enviada da mesma origem, por exemplo, pode chamar atenção quando existem outras inconsistências.

Rasuras, alterações e possíveis montagens também entram nessa verificação. Para análise pelo Atestmed, o documento precisa estar legível e sem rasuras. Deve apresentar identificação do segurado, CID ou descrição da doença, data de emissão, período estimado de afastamento e identificação do profissional.

Pessoa acessa o Meu INSS pelo celular, plataforma usada para enviar documentos e solicitar benefício por incapacidade temporária.

Atestado falso pode usar nome de médico verdadeiro e até dados de clínicas existentes

Nem toda fraude começa com a criação de um documento totalmente fictício. Um atestado legítimo pode ser alterado posteriormente, enquanto informações verdadeiras também podem ser incorporadas a uma falsificação para aumentar sua aparência de autenticidade.

Documentos fraudulentos podem reproduzir logotipos de hospitais e clínicas existentes ou apresentar nomes e registros de profissionais reais sem autorização. Alguns ainda utilizam códigos de verificação e QR Codes que simulam mecanismos de autenticação. Por isso, a aparência do documento, isoladamente, não comprova sua origem.

Médico preenche atestado com assinatura e CRM, informações que podem ser verificadas na análise de documentos apresentados ao INSS.

Atestmed respondeu por quase 2,5 milhões de benefícios concedidos pelo INSS em 2025

A dimensão do sistema ajuda a explicar a importância dos controles. Segundo o Relatório de Gestão do INSS, 2.486.498 benefícios foram concedidos por meio do Atestmed em 2025, aproximadamente 60% dos 4.128.920 benefícios por incapacidade temporária daquele ano.

O Atestmed foi criado para agilizar a concessão e reduzir a necessidade de deslocamento até uma unidade de atendimento. O segurado pode encaminhar os documentos pelo Meu INSS, enquanto o benefício concedido por essa modalidade pode chegar a 90 dias.

A documentação é analisada pela Perícia Médica Federal, responsável por emitir o parecer técnico. A perícia presencial continua sendo exigida nas situações previstas pelas regras previdenciárias.

Atendimento em unidade da Previdência Social com segurados e servidores, relacionado à análise de documentos e benefícios do INSS.

TCU encontrou fragilidades na verificação de documentos apresentados pelo Atestmed

A expansão da análise documental também chamou a atenção dos órgãos de controle. Em auditoria sobre o Atestmed, o Tribunal de Contas da União (TCU) identificou fragilidades nos mecanismos destinados a verificar a autenticidade dos documentos e combater possíveis fraudes.

O tribunal reconheceu avanços proporcionados pelo sistema, mas determinou que Ministério da Previdência Social, INSS e Dataprev reforçassem os controles. Entre as medidas estava o uso de tecnologias para verificar a autenticidade dos atestados e melhorar a organização dos dados utilizados nas análises.

Uma avaliação realizada pelo próprio INSS também apontou problemas nos procedimentos diante de pedidos com indícios de irregularidade. Falhas na estruturação do fluxo poderiam provocar análises sem uniformidade e permitir novas tentativas de fraude.

Placa da Previdência Social em frente a prédio público, relacionada aos serviços e benefícios administrados pelo INSS.

Operação em Alagoas encontrou atestados fraudulentos usados em pedidos ao INSS

Os indícios podem deixar a esfera administrativa quando apontam para uma possível prática criminosa. Em setembro de 2026, uma operação da Força-Tarefa Previdenciária em Alagoas identificou um núcleo especializado na falsificação de documentos, segundo o Ministério da Previdência Social.

O grupo produzia documentos de identidade, certidões, comprovantes de residência e atestados médicos fraudulentos. Esse material era posteriormente utilizado para protocolar requerimentos administrativos no INSS, mostrando que as irregularidades podem envolver estruturas mais complexas do que um documento adulterado isoladamente.

Fachada de unidade da Previdência Social com segurados no atendimento, relacionada aos serviços e benefícios administrados pelo INSS.

Apresentar conscientemente atestado falso pode levar o caso à investigação criminal

A tentativa de conseguir benefício utilizando conscientemente documentação falsa pode produzir consequências além da negativa do requerimento. Quando existem indícios suficientes, as informações podem ser encaminhadas para investigação, inclusive pela Polícia Federal.

Dependendo das circunstâncias, os envolvidos podem ser investigados por estelionato contra a Previdência Social, falsificação de documento, falsidade ideológica e uso de documento falso. A responsabilização pode alcançar quem apresenta o atestado, intermediários, falsificadores e profissionais eventualmente envolvidos.

Valores recebidos indevidamente também podem ser cobrados pelo poder público. Ainda assim, a inteligência artificial não determina sozinha se o segurado está incapacitado para trabalhar.

A tecnologia atua como instrumento de análise e cruzamento de informações. No Atestmed, a Perícia Médica Federal continua responsável pelo parecer técnico, enquanto os recursos digitais acrescentam uma camada de fiscalização aos milhões de pedidos processados pelo sistema.

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Viviane Alves

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

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