Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Auditoria na Cedae aponta suspeitas de desvios acima de R$ 400 milhões, recupera contabilidade apagada e rastreia R$ 95 milhões pagos a quatro empresas ligadas a offshore

Auditoria na Cedae aponta suspeitas de desvios acima de R$ 400 milhões, recupera contabilidade apagada e rastreia R$ 95 milhões pagos a quatro empresas ligadas a offshore

RJ

Faça um comentário

7 min de leitura

Auditoria na Cedae aponta suspeitas de desvios acima de R$ 400 milhões, recupera contabilidade apagada e rastreia R$ 95 milhões pagos a quatro empresas ligadas a offshore

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 13/10/2026 às 06:07

Atualizado em 13/10/2026 às 06:30

Setor Offshore

Grupo

Auditoria na Cedae Saúde aponta suspeitas de desvios acima de R$ 400 milhões, recupera contabilidade apagada e rastreia R$ 95 milhões pagos a quatro empresas ligadas a offshore

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Auditoria na Cedae aponta indícios de desvios acima de R$ 400 milhões, recupera arquivos apagados e identifica R$ 95 milhões pagos a quatro empresas. Repasses mensais caíram de R$ 20 milhões para R$ 6 milhões.

Uma auditoria no Rio de Janeiro encontrou indícios de desvios superiores a R$ 400 milhões na Cedae, entidade que administra a assistência médica de cerca de 17 mil pessoas. O resultado divulgado pelo governo fluminense em 9 de outubro de 2026 foi obtido depois que auditores recuperaram arquivos contábeis apagados. Entre os pagamentos analisados estão R$ 95 milhões repassados a quatro empresas relacionadas, segundo o levantamento, a uma estrutura offshore nas Ilhas Virgens Britânicas.

A investigação começou após a exoneração do então presidente da entidade, Eric Frederik Gualberto, em 23 de junho. A nova administração encontrou lacunas nos registros de fornecedores e constatou que os repasses mensais para custear a Cedae Saúde, antes na média de R$ 20 milhões, passaram a aproximadamente R$ 6 milhões. O relatório será encaminhado ao Ministério Público do Rio de Janeiro para aprofundar a apuração e avaliar eventuais medidas judiciais.

Arquivos de fornecedores e contabilidade foram apagados, mas auditores recuperaram registros desde 2023

A descoberta dos arquivos apagados ocorreu quando a nova direção da Cedae Saúde assumiu, depois da saída de Gualberto. Os dados ausentes incluíam nomes de fornecedores e registros contábeis de dezembro de 2023 a abril de 2026, período que abrangia operações da antiga administração.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Os auditores conseguiram recuperar as informações. A partir delas, examinaram pagamentos por serviços, vínculos com fornecedores e procedimentos internos de aprovação de despesas. A reconstituição permitiu identificar suspeitas de favorecimento empresarial e de problemas na comprovação dos serviços contratados.

O trabalho foi realizado pela consultoria independente Grant Thornton, contratada pelo governo do Rio de Janeiro, e acompanhado pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e pela própria Cedae. A documentação recuperada integra o material usado no levantamento.

Quatro empresas associadas a offshore nas Ilhas Virgens Britânicas receberam R$ 95 milhões

O conjunto de operações que levou a auditoria a rastrear empresas relacionadas à antiga administração inclui R$ 95 milhões pagos a quatro companhias. Conforme os resultados divulgados pelo governo, elas integrariam uma estrutura offshore ligada ao ex-presidente Eric Frederik Gualberto nas Ilhas Virgens Britânicas.

A apuração examina os vínculos entre as empresas e a gestão da entidade, os serviços efetivamente prestados e os documentos usados para justificar os pagamentos. O registro de empresas em outros países pode ter finalidades legais; as dúvidas levantadas pela auditoria são sobre as relações comerciais e a regularidade das despesas específicas.

Os R$ 95 milhões correspondem a pagamentos identificados a esse grupo de quatro empresas. O montante de mais de R$ 400 milhões apresentado pelo governo refere-se à dimensão dos indícios de desvios examinados no levantamento como um todo. São dados de abrangências diferentes da mesma investigação, sem indicação de que devam ser somados.

Até a divulgação de 9 de outubro, as informações apresentadas descreviam suspeitas apontadas por auditoria. O esclarecimento das responsabilidades e a confirmação de eventuais irregularidades dependerão da atuação das autoridades, dos documentos e do direito de defesa dos envolvidos.

Cedae Saúde passa de R$ 20 milhões para R$ 6 milhões em repasses mensais, redução de 70%

A nova direção apresentou outra diferença expressiva nos recursos usados para financiar a entidade. Durante a administração anterior, os repasses da Cedae para a Cedae Saúde ficavam em torno de R$ 20 milhões por mês, segundo os dados divulgados pelo governo.

Com as mudanças implementadas pela gestão atual, o valor mensal passou a girar em torno de R$ 6 milhões, queda de 70%. A diferença entre as médias é de R$ 14 milhões por mês.

A administração informou ter constatado valores acima das necessidades de custeio da entidade. Essa avaliação integra os achados do trabalho de auditoria; a identificação de pagamentos efetivamente indevidos depende da análise da documentação de cada contrato e serviço, e não apenas da comparação das médias mensais.

A direção afirmou ter interrompido gastos relacionados a serviços sem comprovação e adotado controles adicionais para as despesas assistenciais. Os serviços de saúde considerados essenciais deveriam continuar funcionando para os beneficiários durante a revisão de fornecedores.

Estação de captação de água da Cedae em Camorim, Rio de Janeiro, em registro de arquivo. Foto: Halley Pacheco de Oliveira / Wikimedia Commons.

Entidade criada em 1988 atende 17 mil pessoas, entre empregados, aposentados e pensionistas

A Cedae Saúde surgiu em 1988 para gerir a assistência de saúde vinculada à Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro. O público atendido inclui funcionários ativos, dependentes, aposentados e pensionistas, totalizando cerca de 17 mil beneficiários.

Entre as atividades oferecidas estão serviços de saúde ocupacional, segurança do trabalho, distribuição de medicamentos de uso contínuo e realização de exames periódicos e admissionais. Para esse atendimento, a entidade contrata serviços, realiza pagamentos e mantém registros de fornecedores.

Com a revisão das despesas, a nova gestão informou ter adotado medidas para garantir os serviços assistenciais indispensáveis. A continuidade do atendimento integra as providências anunciadas diante das suspeitas financeiras e da necessidade de verificar pagamentos efetuados anteriormente.

Auditoria encontra falhas em contratos, comprovantes e fiscalização de despesas

Segundo a Cedae Saúde, a análise encontrou fragilidades nos acordos de compras e pagamentos, controles internos enfraquecidos por procedimentos informais e insuficiência de documentos que comprovassem a execução de serviços.

A entidade também apontou a necessidade de reforçar a rastreabilidade em todas as etapas da despesa: contratação, execução, aprovação, faturamento e pagamento. A ausência de registros completos dificulta a identificação de responsáveis, a conferência da entrega de serviços e o exame de valores recebidos por fornecedores.

Os auditores cruzaram os dados contábeis recuperados com as movimentações identificadas. Com os indícios reunidos, o governo anunciou o encaminhamento do relatório ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que poderá requisitar informações e avaliar providências.

Cobrança de R$ 140 mil ao ex-governador Cláudio Castro também foi relatada

Uma outra informação tornada pública no mesmo dia envolve o ex-governador Cláudio Castro. A atual direção da Cedae Saúde afirmou que ele recebeu cobertura do plano apesar de não ter trabalhado na companhia. A entidade relatou uma dívida aproximada de R$ 140 mil e informou ter cancelado o benefício em agosto de 2026.

Ao jornal O Dia, a defesa de Castro afirmou que ele não pediu adesão ao plano, foi informado pela antiga diretoria de que teria direito ao benefício e recebeu uma carteirinha para utilização. Também disse que não havia recebido boletos ou avisos de cobrança ao longo do período e que só recentemente foi notificado de um débito aproximado de R$ 141 mil.

Na manifestação divulgada, Castro informou que pagará a cobrança e afirmou que o plano já havia sido cancelado sem comunicação prévia. A origem da inclusão, os valores e as responsabilidades relacionadas ao benefício integram as questões a serem esclarecidas no caso.

Cláudio Castro em retrato de arquivo de 2021. Foto: Alan Santos / Palácio do Planalto.

Governo encaminhará relatório ao MPRJ após revisão determinada por decreto

A auditoria foi realizada dentro de uma revisão mais ampla de contratos do governo do Rio. O Decreto 50.254/2026, editado pelo governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, determinou a análise de contratos firmados por secretarias, autarquias e empresas públicas estaduais.

Na Cedae Saúde, o levantamento examinou fornecedores, despesas, fluxos de pagamento e as relações identificadas nos arquivos recuperados. O governo divulgou indícios de desvios superiores a R$ 400 milhões e pagamentos de R$ 95 milhões ao grupo de empresas relacionado, segundo a auditoria, à offshore atribuída à antiga administração.

O próximo passo anunciado é o envio dos documentos ao Ministério Público estadual para aprofundar a investigação e avaliar medidas judiciais. O relatório da Grant Thornton, os registros contábeis recuperados e os contratos sob análise deverão fundamentar a atuação dos órgãos competentes.

A divulgação dos indícios ainda não encerra a investigação nem estabelece culpa definitiva. Enquanto as autoridades examinam os fatos, a Cedae Saúde informou ter reduzido repasses e reforçado controles para manter a assistência aos seus 17 mil usuários.

Você considera que entidades que administram benefícios de empregados de estatais deveriam divulgar mais informações sobre seus contratos e despesas? Compartilhe esta reportagem e acompanhe os próximos desdobramentos da investigação no Rio de Janeiro.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

Sair da versão mobile