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Avulso do Porto de Itajaí viu a renda média subir até 115% entre 2022 e 2026, e a conta acompanha o navio que voltou ao cais
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 23/10/2026 às 12:21
Atualizado em 23/10/2026 às 12:22
Indústria Naval
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Os consertadores do Porto de Itajaí lideram a alta, com 115,1% a mais de remuneração média, no balanço de dois anos da gestão federal divulgado em 21/10.
Os trabalhadores avulsos do Porto de Itajaí tiveram a remuneração média nominal subir até 115% entre 2022 e 2026. O número vem de dados do OGMO Itajaí citados no balanço da Superintendência do Porto de Itajaí (SPI), divulgado em 21 de outubro. No mesmo período, a carga do porto público voltou a crescer depois de anos de crise.
Quais categorias ganharam mais?
No Porto de Itajaí, o maior salto foi o dos consertadores, com alta de 115,1% na remuneração média nominal. Logo atrás vêm o bloco, com 102,4%, e os vigias, com 97,1%. A estiva subiu 92,3%, os conferentes 63,8% e os arrumadores 56,7%, o menor avanço entre as categorias listadas.
Os percentuais das categorias, dos consertadores aos arrumadores, são do OGMO de Itajaí, citados pela SPI no balanço.
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Isso é reajuste salarial?
Não se trata de reajuste salarial. O próprio balanço da SPI ressalva que os percentuais mostram a evolução da remuneração média de cada categoria, e não reajustes salariais uniformes. O avulso ganha quando é escalado, e a escala depende do movimento de navios no cais. Por isso a renda sobe e desce junto com a carga.
Carga do porto saiu de 370,8 mil para 4,76 milhões de toneladas
O Porto de Itajaí movimentou cerca de 370,8 mil toneladas em 2023. Em 2025, o volume chegou a 4,76 milhões de toneladas, e a SPI informa 5,1 milhões para o fechamento de 2026.

A renda é medida desde 2022 e a carga desde 2023. Por isso a comparação mostra a direção da virada, não uma conta exata de quanto cada tonelada rendeu ao avulso. Em contêineres, foram 366.089 TEUs em 2025, e TEU é a medida equivalente a um contêiner de 20 pés.
A crise deixou 400 avulsos sem renda
Segundo o superintendente Artur Antunes Pereira, no balanço da SPI, a retração de 2023 e 2024 causou prejuízos estimados em mais de R$ 1 bilhão.
Também houve perda de mais de 600 empregos diretos e falta de renda para cerca de 400 trabalhadores portuários avulsos (leia a reportagem).
O porto pagou dívidas e voltou a dragar
A União reassumiu o Porto de Itajaí no fim de 2024, com consolidação em janeiro de 2025. Segundo o ND Mais, a gestão federal regularizou cerca de R$ 150 milhões em dívidas, sendo R$ 48 milhões ligados à dragagem.

Em março de 2026 foi firmado um contrato de R$ 63,8 milhões para a dragagem, com 12 meses de vigência e possibilidade de prorrogação. A meta do Porto de Itajaí é manter 14 metros no canal externo e 13,5 metros no interno. É a profundidade que define quanta carga cada navio consegue embarcar.
O faturamento do Porto de Itajaí em 2025 foi de R$ 174,65 milhões, acima do recorde anterior, de R$ 139,86 milhões em 2021. A meta para 2026 é de R$ 180 milhões, conforme o ND Mais.
O que vem depois: arrendamento previsto para 2027
O arrendamento definitivo do terminal tem edital previsto para 2027, e a concessão do canal de acesso aparece como projeto separado, segundo a SPI. A pergunta para o avulso é se a escala continua quando o terminal mudar de gestão.
Para consertadores, vigias e outras categorias que vivem do cais, a conta é direta: navio atracado, escala cheia e renda no bolso. O aumento de até 115% é o retrato de uma retomada, e não uma alta garantida para o próximo ano.
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Porto de Itajaí, avulsos, renda portuária
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

