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Bahia recebe parque eólico de 142,5 MW com 23 turbinas e energia destinada a operações da Vale
Escrito por Ana Alice
Publicado em 05/10/2026 às 00:03
Atualizado em 05/10/2026 às 01:10
Energia Renovável
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Novo empreendimento da EDF power solutions avança no centro-norte baiano com geração destinada a operações de cobre e níquel ligadas à Vale e previsão de começar a produzir eletricidade comercialmente em 2027.
A EDF power solutions fechou um acordo para fornecer energia da primeira fase do Parque Eólico Diana, de 142,5 MW, a duas empresas da Vale Base Metals, subsidiária da Vale dedicada aos negócios de cobre e níquel. O empreendimento terá 23 turbinas eólicas e está em implantação na Bahia, com entrada em operação comercial prevista para 2027.
O Contrato de Venda de Energia, conhecido pela sigla PPA, foi firmado com a Salobo Metais e a Mineração Onça Puma. As duas companhias fazem parte da estrutura brasileira da Vale Base Metals e estão ligadas, respectivamente, às operações de cobre e níquel do grupo.
Segundo a EDF, a parceria foi estruturada no modelo de autoprodução de energia, permitindo que a eletricidade do novo parque seja associada ao consumo das empresas contratantes. Eventuais excedentes de geração poderão ser comercializados no mercado.
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A assinatura do contrato, anunciada em 5 de agosto de 2026, também representa uma etapa importante para viabilizar economicamente o empreendimento e garantir demanda de longo prazo para parte da energia que será produzida na Bahia.
Parque Eólico Diana terá 23 turbinas na Bahia
A primeira fase do projeto terá 142,5 MW de capacidade instalada e será formada por 23 aerogeradores.
Na página atualizada de projetos da EDF power solutions, o empreendimento aparece localizado entre os municípios de Jacobina, Várzea Nova e Morro do Chapéu, no centro-norte baiano, região que concentra alguns dos principais ativos eólicos do estado. A empresa informa que essa etapa está em fase de implantação e deve começar a operar comercialmente em 2027.
A potência instalada não significa que o parque produzirá 142,5 MW de forma contínua durante todas as horas do dia.
Como ocorre em qualquer instalação eólica, a geração efetiva varia de acordo com a velocidade e a regularidade dos ventos, disponibilidade dos equipamentos, manutenção, limitações da rede e outros fatores operacionais.
Dividindo a capacidade total pelos 23 equipamentos previstos, o parque terá uma média aproximada de 6,2 MW de potência instalada por aerogerador. Esse cálculo serve apenas para dimensionar a configuração do empreendimento e não identifica, por si só, o modelo ou a potência individual exata de cada máquina.
A EDF não detalhou no anúncio do PPA qual fabricante fornecerá as turbinas nem divulgou, até o momento, uma estimativa pública de geração anual da primeira fase.
Energia será contratada por empresas da Vale Base Metals
Embora o acordo seja associado à Vale, as contratantes diretas são Salobo Metais e Mineração Onça Puma, empresas ligadas à Vale Base Metals.
A estrutura brasileira de metais básicos foi reorganizada para separar as operações de cobre e níquel. A Salobo Metais passou a reunir ativos brasileiros de cobre, enquanto a Mineração Onça Puma ficou ligada ao negócio de níquel. Ambas permanecem dentro do grupo controlado pela Vale.
No Brasil, a Vale produz concentrados de cobre em operações como Salobo e Sossego, no Pará, enquanto Onça Puma é um dos principais ativos de níquel da companhia no país.
O novo contrato de energia, portanto, conecta um empreendimento eólico baiano à demanda energética de atividades minerais ligadas a metais importantes para a indústria.
Isso não significa, porém, que será construída uma linha elétrica exclusiva ligando diretamente o parque da Bahia às minas no Pará.
No modelo de autoprodução, a energia é inserida no sistema elétrico e sua participação é contabilizada contratualmente para os consumidores envolvidos na operação. A estrutura permite associar geração e consumo mesmo quando os ativos estão fisicamente distantes.
PPA ajuda a viabilizar novo projeto de energia renovável
O PPA é um dos instrumentos mais utilizados para dar previsibilidade financeira a grandes projetos de geração.
Em contratos desse tipo, produtor e consumidor estabelecem previamente condições para compra e venda da eletricidade durante determinado período.
Para quem constrói uma usina, a existência de um comprador ajuda a reduzir a exposição às oscilações do mercado e torna o fluxo futuro de receitas mais previsível.
Do lado do consumidor, o contrato pode aumentar a previsibilidade dos gastos com eletricidade e garantir acesso de longo prazo à geração contratada.
A EDF afirmou que o acordo firmado com as empresas da Vale Base Metals contribui para visibilidade de custos, estabilidade de fornecimento e segurança operacional durante o período de suprimento.
O prazo comercial do PPA, entretanto, não foi informado no comunicado divulgado pela companhia.
Excedente de energia poderá ser vendido no mercado
Outra característica prevista no acordo é a possibilidade de comercialização do excedente.
A EDF informou que a parceria foi montada no modelo de autoprodução, mas eventual energia gerada além das necessidades associadas ao contrato poderá ser negociada no mercado.
Isso permite que o empreendimento combine um consumidor previamente contratado com outras oportunidades de comercialização.
Na prática, o novo parque não ficará necessariamente limitado à energia destinada às empresas da Vale Base Metals.
Essa flexibilidade é relevante em um projeto de 142,5 MW, especialmente porque geração e consumo podem variar ao longo do tempo.
Projeto pode movimentar mais de 2 mil empregos
A construção do Parque Eólico Diana também deverá movimentar a cadeia industrial e de serviços da região.
A EDF power solutions estima que o empreendimento possa gerar mais de 2 mil empregos diretos e indiretos ao longo das fases de implantação e operação, considerando as parcerias industriais relacionadas ao projeto.
A companhia afirma que pretende priorizar mão de obra local e ações de capacitação profissional.
Esse número deve ser interpretado como uma estimativa acumulada envolvendo diferentes etapas, e não como a quantidade de postos permanentes que permanecerá disponível depois da entrada em operação.
Parques eólicos costumam concentrar maior necessidade de trabalhadores durante a construção, quando são executados acessos, fundações, redes elétricas, subestações, montagem de torres, instalação dos aerogeradores e comissionamento.
Depois da conclusão, a operação exige equipes menores voltadas principalmente à manutenção, monitoramento e administração do ativo.
Bahia concentra uma das maiores estruturas eólicas do país
A escolha do estado também se insere em um cenário de forte presença da geração eólica.
Dados divulgados pelo Governo da Bahia mostram que o estado respondeu por aproximadamente 37% da produção eólica nacional em 2025. Em junho de 2026, a Bahia reunia cerca de 11,8 GW de capacidade eólica instalada, segundo informações estaduais baseadas em dados da Aneel.
O centro-norte baiano está entre as áreas que receberam forte expansão dos parques nos últimos anos.
Além do recurso natural, grandes empreendimentos dependem de infraestrutura de transmissão capaz de escoar a eletricidade para o Sistema Interligado Nacional.
O Diana chega, portanto, a um estado que já possui cadeia produtiva consolidada no setor, embora novos projetos continuem dependentes das condições de conexão e da evolução do sistema elétrico.
EDF já opera outros grandes parques eólicos no Brasil
O empreendimento também amplia a carteira brasileira da EDF power solutions.
Entre os ativos eólicos da empresa está o Serra do Seridó, cujas fases entraram em operação comercial em 2023 e 2024 e formam o maior complexo eólico da companhia na América do Sul.
Outro projeto é o Serra das Almas, localizado na divisa entre Bahia e Minas Gerais. O parque possui 58 aerogeradores e 261 MW de capacidade instalada.
O Diana é apresentado atualmente pela empresa como seu mais recente projeto eólico no Brasil.
A construção reforça a presença da companhia justamente no Nordeste, região que concentra parcela expressiva da capacidade eólica brasileira.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

