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Bateria no Acre de 100 MW e 200 MWh chama atenção por algo além do armazenamento: tecnologia grid-forming pode sustentar a rede em contingências e integra plano com reforços de 230 kV
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 22/10/2026 às 14:12
Atualizado em 22/10/2026 às 14:30
Energia Renovável
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Projeto previsto para a Subestação Cruzeiro do Sul combina armazenamento com resposta rápida a contingências e reforços físicos da transmissão. A bateria ainda depende de licitação, contratação e implantação, enquanto novos circuitos de 230 kV estão previstos para ampliar o atendimento regional.
O sistema de baterias previsto para a Subestação Cruzeiro do Sul, no Acre, passou a integrar o planejamento da transmissão e já aparece na minuta do primeiro leilão do setor de 2027. O empreendimento ainda não está instalado nem em operação.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apresenta a solução como uma aplicação inédita desse tipo no planejamento da transmissão brasileira. No Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica de 2026, o armazenamento foi recomendado para reforçar o atendimento a Cruzeiro do Sul e Feijó.
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O equipamento foi dimensionado em 100 MW de potência e 200 MWh de capacidade de armazenamento. A potência indica quanto o sistema pode entregar ou absorver em determinado momento, enquanto a capacidade expressa o volume de energia que pode permanecer armazenado para posterior utilização.
A relação entre os dois valores corresponde a duas horas de descarga caso a bateria opere continuamente na potência máxima de 100 MW. A EPE prevê a conexão do sistema ao barramento de 69 kV da Subestação Cruzeiro do Sul.
O estudo apontou a alternativa como a de melhor desempenho técnico-econômico para o período conjuntural analisado. A solução de armazenamento, porém, foi planejada em conjunto com a expansão física da transmissão, e não como substituta dos reforços estruturais necessários na região.
Tecnologia grid-forming amplia a função do armazenamento
O principal diferencial técnico está na capacidade grid-forming, ou formadora de rede. Nesse modo de operação, a bateria pode participar da sustentação elétrica da rede durante perturbações, responder rapidamente a contingências e prestar serviços ancilares previstos no estudo.
A aplicação foi considerada para uma área que, de acordo com a EPE, não dispõe de geração centralizada despachável. Com isso, o armazenamento acrescenta ao planejamento uma fonte de resposta local para situações em que o sistema elétrico precise reagir rapidamente a uma ocorrência.
Essa função não elimina a necessidade de linhas e demais instalações de transmissão. O planejamento combina a bateria com novos circuitos em 230 kV entre Tucumã, Feijó e Cruzeiro do Sul, que compõem o reforço estrutural previsto para o atendimento regional.
Parte dessa expansão deverá aproveitar estruturas de circuito duplo já existentes em trechos da linha Feijó–Cruzeiro do Sul. A EPE relaciona essa solução à redução de impactos e riscos de implantação em um traçado que atravessa áreas ambientalmente sensíveis, inclusive terras indígenas.
A presença da bateria e dos circuitos de 230 kV no mesmo planejamento também separa funções diferentes. O armazenamento foi recomendado para aumentar a flexibilidade e a capacidade de resposta a contingências, enquanto as novas instalações ampliam fisicamente a infraestrutura responsável pelo transporte de energia.
Os 200 MWh não representam energia já armazenada ou disponível no sistema elétrico. O número descreve a capacidade prevista para um equipamento que ainda precisa ser contratado, construído, instalado e integrado à rede antes que possa desempenhar as funções projetadas.
Projeto integra o leilão previsto para 2027
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) incluiu o empreendimento como Lote 5 na consulta pública sobre a minuta do Leilão de Transmissão nº 01/2027. O lote reúne a bateria de 100 MW e 200 MWh, a tecnologia grid-forming e a conexão em 69 kV na Subestação Cruzeiro do Sul.
A consulta recebe contribuições até a próxima segunda-feira (26). Na versão submetida ao processo, o certame está previsto para 30 de abril de 2027, na B3, em São Paulo, com prazo de 36 meses para implantação do Lote 5 após a assinatura do contrato.
A minuta também prevê contrato de 18 anos para o empreendimento, enquanto os demais lotes do leilão aparecem com contratos de 30 anos. A Aneel relaciona a diferença ao período de vida útil considerado para as baterias.
A agência apresenta o lote do Acre como a primeira contratação prevista de um sistema de armazenamento por baterias destinado especificamente ao segmento de transmissão do Sistema Interligado Nacional. A definição, no entanto, ainda depende da conclusão das etapas que antecedem o leilão e da efetiva contratação do empreendimento.
Além do armazenamento, o conjunto planejado para a região mantém os reforços de 230 kV entre Tucumã, Feijó e Cruzeiro do Sul. Assim, a bateria permanece vinculada a uma solução mais ampla, que combina resposta rápida a contingências com expansão permanente da capacidade da rede.
O projeto ainda não tem data confirmada de entrada em operação. Antes do leilão, a Aneel deverá analisar as contribuições recebidas na consulta pública, deliberar sobre a versão final do edital e encaminhar a documentação para análise do Tribunal de Contas da União.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

