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Baterias gigantes podem cortar R$ 630 milhões por ano em custos do sistema elétrico brasileiro

Baterias gigantes podem cortar R$ 630 milhões por ano em custos do sistema elétrico brasileiro

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Baterias gigantes podem cortar R$ 630 milhões por ano em custos do sistema elétrico brasileiro

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 07/10/2026 às 10:16

Atualizado em 07/10/2026 às 10:20

Energia Renovável

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Baterias gigantes podem cortar R$ 630 milhões por ano em custos do sistema elétrico brasileiro

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Estudo aponta que baterias de grande porte podem reduzir encargos em R$ 630 milhões por ano e ajudar o Brasil nos horários críticos de energia.

A bateria começa a carregar quando há eletricidade sobrando e, algumas horas depois, devolve essa energia justamente quando milhões de consumidores precisam dela. Essa operação simples está no centro de uma mudança que pode mexer com bilhões de reais no sistema elétrico brasileiro.

Segundo a Brasil Energia, em reportagem publicada em 6 de outubro de 2026, um estudo elaborado pela Volt Robotics para a Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia estima que sistemas BESS poderiam reduzir em aproximadamente R$ 629 milhões por ano determinados encargos operacionais, além de ajudar o país a enfrentar uma necessidade adicional de potência que pode chegar a 6,5 GW em 2028.

O problema começa quando o sol vai embora no fim da tarde

Durante boa parte do dia, milhões de painéis solares produzem eletricidade ao mesmo tempo. Quando chega o fim da tarde, essa geração cai rapidamente. O consumo, porém, não desaparece na mesma velocidade.

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Casas acendem luzes. Ar-condicionado continua funcionando. Indústrias permanecem ligadas. O sistema passa a precisar de outra fonte capaz de assumir rapidamente o espaço deixado pela energia solar.

É justamente nesse intervalo de poucas horas que as grandes baterias podem trabalhar.

O Brasil pode precisar de até 6,5 GW extras de potência

O estudo da Volt Robotics trabalha com diferentes cenários para o Sistema Interligado Nacional. No cenário-base, a necessidade adicional de potência chega a aproximadamente 4,5 GW em 2028.

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Em uma situação com crescimento mais forte do consumo, expansão maior da energia solar e atraso na entrada de usinas já previstas, a necessidade pode atingir 6,5 GW.

Potência não é exatamente a mesma coisa que energia produzida ao longo do dia.

Nesse caso, o problema é garantir que exista capacidade suficiente para responder nos momentos em que o sistema mais precisa.

Uma bateria pode carregar quando sobra e descarregar quando falta

Uma instalação BESS funciona de forma parecida com a bateria de um celular, mas em outra escala.

Grandes conjuntos de baterias são ligados à rede elétrica. Quando existe energia abundante ou mais barata, o sistema carrega.

Horas depois, quando o consumo aumenta e a oferta fica apertada, essa eletricidade volta para a rede. Isso permite deslocar energia no tempo.

A bateria não cria um novo megawatt-hora. Ela pega uma quantidade disponível em um horário e guarda para usar em outro.

O estudo calculou R$ 629 milhões de redução anual em encargos

A estimativa que chama mais atenção envolve determinados custos pagos para manter o sistema operando com segurança.

A Volt Robotics calculou uma redução média de aproximadamente R$ 629 milhões por ano em encargos no cenário analisado.

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A conta inclui componentes ligados ao acionamento de usinas fora da ordem normal, decisões adicionais de operação e outros serviços usados para manter estabilidade e atendimento.

A própria análise classifica a estimativa como conservadora.

Isso significa que nem todos os possíveis benefícios dos sistemas de armazenamento foram colocados integralmente dentro dessa parcela do cálculo.

Termelétricas enfrentam uma dificuldade que a bateria não tem

Hoje, uma das maneiras de garantir potência em períodos críticos é manter termelétricas disponíveis. O problema é que algumas dessas usinas não conseguem começar a produzir instantaneamente.

Na análise apresentada pela Volt Robotics para 2030, apenas 6% da capacidade térmica considerada teria tempo de partida inferior a quatro horas.

Outros 49% ficariam entre quatro e 12 horas.

Cerca de 45% teriam tempo de partida superior a 12 horas.

Uma bateria já carregada pode responder muito mais rapidamente quando o operador do sistema solicita potência.

A comparação econômica ficou favorável ao armazenamento

A Volt também comparou o custo estimado da contratação de capacidade por baterias com uma referência baseada em termelétricas.

Para 4.500 MW contratados, a análise considerou uma receita fixa de referência de aproximadamente R$ 2,4 milhões por MW ao ano para capacidade térmica.

Baterias gigantes podem cortar R$ 630 milhões por ano em custos do sistema elétrico brasileiro

Para BESS, a estimativa considerada realista ficou em cerca de R$ 1,5 milhão por MW ao ano, baseada em cotações de mercado usadas pelo estudo.

Quando benefícios operacionais são incluídos, a consultoria calcula que o custo efetivo do armazenamento poderia ficar entre 37% e 57% abaixo da referência térmica utilizada.

É uma comparação de estudo, não o resultado de um leilão já realizado.

A bateria pode aproveitar energia que hoje seria desperdiçada

Outra função aparece quando há sol, vento ou água suficientes para produzir eletricidade, mas o sistema não consegue aproveitar tudo.

Em alguns momentos, usinas eólicas e solares recebem ordem para reduzir geração.

Esse corte é chamado de curtailment. Também pode existir água disponível em hidrelétricas que não é utilizada para gerar naquele momento.

Uma bateria instalada no local adequado pode absorver parte dessa energia antes que ela seja desperdiçada.

Depois, devolve a eletricidade em um horário de maior necessidade.

A simulação encontrou R$ 2,7 bilhões em energia reaproveitada

No exercício elaborado pela Volt Robotics, o aproveitamento de energia que seria perdida ou deixaria de ser usada produziu um resultado importante.

Entre 2024 e agosto de 2026, a simulação calculou aproximadamente R$ 2,7 bilhões em benefícios ligados ao aproveitamento de vertimento, curtailment e geração adicional considerada no modelo.

Desse total, cerca de R$ 2,26 bilhões estariam associados às hidrelétricas. Outros R$ 417 milhões viriam da redução de cortes de renováveis.

Os valores foram obtidos em simulação e não representam dinheiro já economizado pelo sistema brasileiro.

Mais de 6 mil projetos já entraram na corrida

O interesse das empresas mostra o tamanho do mercado que começou a se formar.

A Empresa de Pesquisa Energética informou em agosto que recebeu 6.091 projetos de armazenamento interessados nos primeiros leilões brasileiros voltados à tecnologia.

Somados, eles representam impressionantes 296.807 MW de potência cadastrada.

Isso não significa que quase 300 GW serão construídos. Projetos cadastrados ainda precisam passar por análise, competição, conexão, financiamento e contratação.

Mesmo assim, o número mostra quantas empresas estão tentando entrar nesse novo mercado brasileiro.

Os primeiros grandes leilões estão marcados para dezembro

O Brasil prepara dois leilões de reserva de capacidade com baterias para 2 e 4 de dezembro de 2026. Um deles será destinado a sistemas que comprovem utilização de baterias com fabricação nacional.

O outro aceitará equipamentos sem essa exigência.

Os projetos vencedores terão contratos com duração de 15 anos e início de fornecimento previsto para 1º de agosto de 2028.

Cada sistema precisará ter pelo menos 30 MW de potência e capacidade para entregar energia durante quatro horas. Também deverá permanecer disponível para despacho centralizado pelo Operador Nacional do Sistema.

Uma bateria de 30 MW precisa guardar energia para quatro horas

A regra dos leilões ajuda a visualizar a escala. Uma instalação com potência mínima de 30 MW precisa conseguir sustentar essa entrega durante quatro horas.

Na prática, isso significa pelo menos 120 MWh de capacidade útil, considerando a exigência básica do produto.

Projetos maiores podem chegar a centenas de megawatts.

Em vez de uma bateria pequena dentro de um prédio, estamos falando de áreas ocupadas por grandes módulos, sistemas de controle, transformadores, equipamentos de refrigeração e conexão com subestações.

É uma nova categoria de infraestrutura elétrica chegando ao país.

A bateria brasileira agora terá de provar a conta na prática

Os números apresentados pela Volt Robotics mostram uma possibilidade. R$ 629 milhões por ano em redução de encargos. Menor acionamento térmico. Aproveitamento de energia renovável. Resposta rápida durante a janela crítica.

Mas tudo isso ainda precisa passar pelo teste do mercado real.

O preço oferecido nos leilões será decisivo. O custo das baterias, a conexão à rede, a vida útil dos equipamentos e a forma de remunerar cada serviço também entram na conta.

Em dezembro, os primeiros grandes certames devem começar a mostrar quanto as empresas estão realmente dispostas a cobrar para instalar essa infraestrutura no Brasil.

A partir de agosto de 2028, os projetos vencedores deverão estar prontos para uma tarefa que parece simples: guardar eletricidade quando ela está disponível e entregá-la algumas horas depois.

É justamente essa diferença de poucas horas que pode determinar se o país precisará acionar uma usina cara, cortar energia renovável ou abrir espaço para uma enorme bateria assumir o trabalho.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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