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Biocombustíveis podem gerar R$ 400 bilhões ao PIB e criar mais de 225 mil empregos no Brasil até 2035, aponta estudo

Biocombustíveis podem gerar R$ 400 bilhões ao PIB e criar mais de 225 mil empregos no Brasil até 2035, aponta estudo

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Biocombustíveis podem gerar R$ 400 bilhões ao PIB e criar mais de 225 mil empregos no Brasil até 2035, aponta estudo

Escrito por Andriely Medeiros de Araújo

Publicado em 29/10/2026 às 20:15

Atualizado em 29/10/2026 às 21:10

Energia Renovável

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Expansão dos biocombustíveis pode gerar R$ 400 bilhões ao PIB, criar mais de 225 mil empregos e reduzir emissões de carbono até 2035. (imagem ilustrativa feita com IA)

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Expansão dos biocombustíveis pode gerar R$ 400 bilhões ao PIB, criar mais de 225 mil empregos e reduzir emissões de carbono até 2035.

A expansão da produção de biocombustíveis no Brasil pode abrir caminho para a criação de mais de 225 mil empregos até 2035, desde que o país consiga alcançar a meta de produzir 64 bilhões de litros desses combustíveis. A projeção faz parte de um estudo elaborado pelo Instituto Equilíbrio em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), que analisou como o crescimento do setor poderia movimentar a economia e contribuir para a redução das emissões de carbono. Entre os caminhos considerados estão o melhor aproveitamento de áreas agrícolas já convertidas e a ampliação do uso de fontes renováveis.

O levantamento também aponta que o avanço da produção poderia acrescentar cerca de R$ 400 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Os números foram apresentados por Eduardo Bastos, CEO do Instituto Equilíbrio, que participará do Fórum Planeta Campo 2026, marcado para 6 de novembro. Apesar do potencial identificado, os pesquisadores trabalham com projeções. Isso significa que os empregos, os ganhos econômicos e os benefícios ambientais estimados dependem do cumprimento da meta estabelecida para 2035.

Etanol, biodiesel e biometano podem ampliar a presença dos biocombustíveis

Para Eduardo Bastos, aumentar a participação dos combustíveis renováveis não significa que o Brasil precise deixar de utilizar os derivados de petróleo de uma só vez. O executivo avalia que a diversificação das fontes de energia pode acontecer de forma gradual, especialmente em um momento em que os combustíveis fósseis ainda ocupam um espaço importante no consumo mundial.

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Uma das alternativas discutidas é ampliar a quantidade de etanol adicionada à gasolina. O mesmo caminho poderia ser seguido com o biodiesel misturado ao diesel, enquanto o biometano ganharia mais espaço entre as opções disponíveis. Na avaliação de Bastos, essas medidas poderiam ajudar a reduzir as emissões relacionadas ao uso de combustíveis e, ao mesmo tempo, estimular atividades econômicas ligadas à produção de energia renovável.

O executivo também chama a atenção para a necessidade de mostrar ao mercado internacional que é possível avançar nessa transformação sem depender de uma substituição completa e imediata do petróleo. Para ele, o Brasil tem condições de desenvolver esse modelo ao aproximar duas atividades que já possuem grande importância no país: a produção agrícola e o fornecimento de energia.

Recuperação de pastagens pode abrir espaço para ampliar a produção agrícola

Uma das possibilidades apontadas para aumentar a oferta de matérias-primas destinadas aos biocombustíveis está no próprio campo. Em vez de depender apenas da abertura de novas áreas produtivas, a proposta discutida por Eduardo Bastos considera o aproveitamento de terras que já foram transformadas para atividades agropecuárias.

Segundo o executivo, o Brasil possui mais de 100 milhões de hectares de pastagens já convertidas. Desse total, parte poderia ser recuperada e voltar a ter uma utilização produtiva. A proposta apresentada prevê recuperar pelo menos 40 milhões de hectares, destinando no mínimo 30 milhões de hectares ao cultivo de grãos.

Expansão dos biocombustíveis pode gerar R$ 400 bilhões ao PIB, criar mais de 225 mil empregos e reduzir emissões de carbono até 2035. (imagem ilustrativa feita com IA)

Essa produção poderia atender, entre outras finalidades, à necessidade de matérias-primas utilizadas pela indústria de combustíveis renováveis. A ideia é aproveitar melhor as áreas disponíveis e criar condições para que o crescimento da agricultura também acompanhe a demanda do setor energético.

Na prática, a recuperação das pastagens permitiria aproximar a produção de alimentos, a atividade agropecuária e a fabricação de biocombustíveis. Bastos considera esse aproveitamento uma oportunidade para conciliar a ampliação da produção agrícola com o uso sustentável da terra. Os resultados, porém, dependeriam da recuperação efetiva dessas áreas e da execução das medidas propostas.

Produção de etanol de milho também pode beneficiar a pecuária

A relação entre a agricultura e os biocombustíveis não termina quando os grãos chegam à indústria. Durante a fabricação de determinados combustíveis renováveis, também são obtidos materiais que podem ser aproveitados em outras atividades do campo, especialmente na alimentação animal.

Um exemplo citado por Eduardo Bastos é o DDG, coproduto obtido durante a fabricação de etanol de milho. Por ser uma fonte de proteína, esse material pode ser utilizado na alimentação dos animais, permitindo que o processamento do milho também contribua para a pecuária. Algo semelhante acontece na cadeia da soja, em que o farelo desempenha um papel importante no fornecimento de nutrientes aos rebanhos.

Dessa forma, a utilização dos grãos não fica restrita à produção de combustível. Enquanto uma parte da matéria-prima é destinada à fabricação de energia renovável, os coprodutos gerados durante o processamento podem encontrar espaço em outras cadeias produtivas.

Para Bastos, essa integração representa uma oportunidade de aproveitar melhor os recursos agrícolas. Além de agregar valor à produção, o modelo aproxima atividades que podem se complementar, fortalecendo a ligação entre agricultura, pecuária e indústria de biocombustíveis.

Estudo estima redução de 30 milhões de toneladas nas emissões de carbono

Os efeitos projetados para a expansão dos biocombustíveis vão além da movimentação econômica e das oportunidades de trabalho. O estudo realizado pelo Instituto Equilíbrio e pela FGV também calculou quanto o Brasil poderia reduzir suas emissões de carbono caso conseguisse atingir a meta de produção prevista para 2035.

A estimativa é de uma redução de 30 milhões de toneladas nas emissões de carbono até 2035. Esse resultado está diretamente relacionado ao cenário de crescimento considerado pelos pesquisadores e, portanto, não representa uma redução já alcançada pelo país.

Imagem: canva

Eduardo Bastos ressaltou que o cálculo foi feito de maneira conservadora. Na avaliação do executivo, o aumento da participação dos combustíveis renováveis poderia contribuir para diminuir as emissões e, ao mesmo tempo, criar novas oportunidades para as atividades econômicas relacionadas ao agronegócio.

A possibilidade de reunir esses benefícios é um dos pontos destacados no levantamento. Ainda assim, a concretização dos resultados depende do avanço da produção nacional. Tanto a redução das emissões quanto a criação de empregos e os ganhos para o PIB continuam sendo efeitos estimados para um cenário em que o Brasil alcance os 64 bilhões de litros de biocombustíveis.

Fórum Planeta Campo 2026 abordará oportunidades para o setor

As possibilidades de crescimento dos combustíveis renováveis também estarão entre os assuntos discutidos no Fórum Planeta Campo 2026, previsto para 6 de novembro. Eduardo Bastos participará do encontro, que abordará questões relacionadas à expansão da produção, à recuperação de pastagens degradadas e aos possíveis efeitos dessas iniciativas sobre a economia e o meio ambiente.

Entre os temas associados à participação do CEO do Instituto Equilíbrio estão a integração entre a agropecuária e o setor energético, o aproveitamento de coprodutos agrícolas e a diversificação dos combustíveis utilizados no Brasil.

Bastos considera que um dos desafios será demonstrar ao mercado internacional que essa combinação de atividades pode contribuir para ampliar o uso de fontes renováveis. A proposta é aproveitar as possibilidades oferecidas pela produção agrícola brasileira sem deixar de considerar a presença dos combustíveis fósseis na matriz de consumo.

Os números apresentados pelo Instituto Equilíbrio e pela FGV mostram o que o setor poderá representar para o país nos próximos anos. No entanto, transformar esse potencial em empregos, crescimento econômico e redução de emissões dependerá da capacidade brasileira de ampliar a produção e alcançar as metas previstas para 2035.

Fonte

sindicombustiveis


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

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