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Biodiesel B100 por ferrovia: Cofco leva 400 mil litros de Rondonópolis (MT) a Paulínia (SP) no primeiro embarque da empresa sobre trilhos
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 05/10/2026 às 19:52
Logística e Transporte
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O primeiro lote de biodiesel B100 por ferrovia da empresa foi descarregado no terminal da Opla, em Paulínia. A Cofco diz que o trem vai complementar o duto que já liga sua usina às distribuidoras em Rondonópolis.
O biodiesel B100 por ferrovia entrou na rota da Cofco International. A empresa informou nesta segunda-feira (5) que fez seu primeiro embarque do biocombustível puro sobre trilhos no Brasil: 400 mil litros saíram de Rondonópolis (MT) e foram descarregados no terminal da Opla, em Paulínia (SP).
A informação foi divulgada pela CNN Brasil e pelo Broadcast, do Estadão, com base em nota da empresa. Segundo a Cofco, o objetivo é ampliar as opções logísticas e ligar produtores e compradores ao principal hub de combustíveis do país, em Paulínia.
B100 é o biodiesel puro, sem diesel fóssil. É ele que as distribuidoras misturam ao diesel até chegar ao percentual obrigatório que vai para a bomba.
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Quanto pesa um lote de 400 mil litros
Fizemos as contas com números da própria Cofco. Em agosto de 2023, a empresa informou que a usina de Rondonópolis produz até 370,8 milhões de litros de biodiesel por ano, segundo a Reuters.
- Fatia da produção anual: 400 mil litros equivalem a cerca de 0,11% da capacidade da usina.
- Horas de fábrica: a plena carga, a unidade produz pouco mais de 1 milhão de litros por dia. O lote corresponde a menos de 10 horas de produção.
- Diesel na bomba: com a mistura de 15%, cada litro de B100 vira 6,67 litros de diesel comercial. Os 400 mil litros dão cerca de 2,67 milhões de litros de diesel B15.
- Tamanho do trem: no corredor Rondonópolis-Paulínia da Ultracargo, cada composição leva cerca de 8.000 m³, segundo a empresa. O lote da Cofco (400 m³) equivale a 5% disso.
O primeiro lote de biodiesel B100 por ferrovia é pequeno. A Cofco não informou a frequência das próximas viagens nem metas de volume.
Por que o trilho, se a usina já tem duto
A usina da Cofco em Rondonópolis tem um duto próprio de cerca de 3 km. Ele leva o biodiesel direto às bases das distribuidoras no terminal intermodal da cidade, segundo a empresa. A obra teve autorização da ANP.
Na inauguração, a empresa informou vazão de 280 m³ por hora. Nesse ritmo, o volume do embarque ferroviário passaria pelo duto em cerca de 1 hora e 26 minutos. A Cofco também estimou que o duto evitaria até 12 mil viagens de caminhão por ano.
A diferença entre o duto e o biodiesel B100 por ferrovia está no alcance. O duto resolve os 3 km até as distribuidoras locais. O trem leva o produto de Mato Grosso até o interior paulista. A Cofco diz que a operação ferroviária foi planejada para complementar o transporte por duto.
“Aceleramos a busca por alternativas eficientes e ágeis para assegurar a resiliência operacional”, afirmou Guilherme de Castro Achcar, diretor comercial da Cofco International Brasil, citando um cenário desafiador no mercado.
O que existe do lado de Paulínia
A Opla é uma joint venture entre a bp e a Ultracargo. Em junho de 2025, a Ultracargo concluiu um desvio ferroviário de 4,4 km que liga o terminal à malha da Rumo, com trens de até 80 vagões. Em julho de 2026, um novo tanque elevou a capacidade estática do terminal para cerca de 202 mil m³. Pelo comunicado, a estrutura pode movimentar até 160 vagões por dia, sobretudo com etanol vindo de Rondonópolis.
Do outro lado do corredor que chega à Opla, a Ultracargo pôs em operação um desvio no seu terminal de Rondonópolis. A lógica é o frete de retorno: o trem que leva derivados de petróleo a Mato Grosso volta a São Paulo carregado de biocombustível. A Cofco não informou se o seu lote usou esse terminal, qual ferrovia operou a viagem nem quantos vagões foram usados.
O que muda no frete de biocombustível
Para a Cofco, o biodiesel B100 por ferrovia abre outra porta para Paulínia, onde o produto pode ser armazenado e redistribuído. A Cofco cita ainda redução da pegada de carbono, sem divulgar números.
O que segue em aberto é o custo do biodiesel B100 por ferrovia. Nem a Cofco nem a Opla divulgaram o valor do frete ferroviário, o tempo de viagem ou a comparação com o transporte rodoviário no mesmo trajeto. Sem esses dados, não dá para dizer quanto o trilho barateia o litro.
A regra da mistura que puxa a demanda
A demanda por B100 vem da mistura obrigatória. Pelo registro da ANP, o diesel vendido no país passou a levar 15% de biodiesel em 1º de agosto de 2025, pela Resolução CNPE nº 9/2025.
A Lei do Combustível do Futuro (Lei 14.993/2024) prevê subir 1 ponto por ano até 20% em março de 2030. Quem fixa o percentual, porém, é o Conselho Nacional de Política Energética, entre 13% e 25%. A página da ANP não registra mudança depois do B15.
Com 20% de mistura, os mesmos 400 mil litros dariam 2 milhões de litros de diesel comercial. A Cofco afirma que vai avaliar novas rotas e parcerias para o transporte do produto.
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Biodiesel
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

