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BP prevê enviar navio-sonda para avaliar descoberta no pré-sal brasileiro ainda em 2026 e estuda produção antecipada

BP prevê enviar navio-sonda para avaliar descoberta no pré-sal brasileiro ainda em 2026 e estuda produção antecipada

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BP prevê enviar navio-sonda para avaliar descoberta no pré-sal brasileiro ainda em 2026 e estuda produção antecipada

Escrito por Ana Alice

Publicado em 31/10/2026 às 22:42

Atualizado em 31/10/2026 às 22:43

Setor Offshore

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Navio-sonda Deepwater Mykonos, da Transocean, que a BP prevê transferir de Tupinambá para Bumerangue até o fim de 2026, após concluir a perfuração em andamento. Crédito: Reprodução / Marinha do Brasi

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A BP detalhou um novo cronograma para avaliar a descoberta de Bumerangue no pré-sal brasileiro, com a transferência de um navio-sonda, testes no reservatório e estudos sobre uma possível antecipação da produção.

A petroleira britânica BP pretende deslocar o navio-sonda Transocean Deepwater Mykonos para o bloco de Bumerangue, no pré-sal da Bacia de Santos, até o fim de 2026, para iniciar uma nova etapa de avaliação da descoberta de petróleo e gás anunciada no ano passado.

A previsão foi apresentada pela presidente-executiva da companhia, Meg O’Neill, durante a teleconferência de resultados realizada na sexta-feira (30 de outubro de 2026).

A movimentação dependerá da conclusão das atividades de perfuração no bloco vizinho de Tupinambá, onde o equipamento está operando.

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Além de preparar os testes no reservatório, a BP analisa a possibilidade de desenvolver um sistema de produção antecipada em Bumerangue, alternativa que poderia permitir a comercialização de petróleo e gás antes da implantação completa do empreendimento.

Segundo O’Neill, os engenheiros trabalham simultaneamente na avaliação dessa possibilidade e no planejamento do desenvolvimento integral do campo. A executiva, entretanto, ressaltou que ainda faltam informações técnicas para estabelecer um cronograma de produção.

As declarações foram registradas na teleconferência de resultados da BP, realizada em 30 de outubro, e detalham os próximos passos da companhia na exploração offshore brasileira.

Navio-sonda Deepwater Mykonos deve deixar Tupinambá até dezembro

O cronograma de Bumerangue está diretamente ligado aos trabalhos realizados pela BP no bloco de Tupinambá, também localizado na Bacia de Santos.

Em 28 de outubro, a companhia informou à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) que havia identificado hidrocarbonetos durante a perfuração do poço exploratório 1-BP-14-SPS.

A descoberta ocorreu na seção pós-sal, enquanto a perfuração prossegue em direção aos reservatórios do pré-sal. O poço está localizado a aproximadamente 275 quilômetros da costa brasileira, em uma região com lâmina d’água de 2.343 metros.

Conforme o comunicado da BP divulgado em 28 de outubro, o navio-sonda Deepwater Mykonos será direcionado a Bumerangue depois da conclusão das operações em Tupinambá.

Durante a apresentação dos resultados trimestrais, Meg O’Neill esclareceu que o poço possui dois alvos geológicos. O primeiro, localizado no pós-sal, apresentou indícios de petróleo. O segundo está abaixo da camada de sal e ainda precisa ser alcançado.

A executiva afirmou que a transferência para Bumerangue poderá acontecer até dezembro de 2026, desde que a perfuração em Tupinambá avance conforme o planejamento.

Isso significa que a data não representa uma confirmação definitiva do início dos trabalhos no novo bloco. A conclusão da campanha atual continua sendo uma condição para a movimentação da sonda.

O equipamento pertence à Transocean, empresa especializada em serviços de perfuração offshore.

Em janeiro de 2026, a companhia anunciou um contrato com a BP para uma campanha estimada em 302 dias no Brasil, com valor aproximado de US$ 120 milhões.

BP prepara testes para avaliar o petróleo de Bumerangue

A chegada do navio-sonda permitirá à BP avançar na avaliação de Bumerangue, descoberta localizada a aproximadamente 404 quilômetros do Rio de Janeiro, em águas com 2.372 metros de profundidade.

Mapa técnico da Bacia de Santos identifica os blocos de Tupinambá e Bumerangue, áreas de exploração offshore onde a BP desenvolve atividades de perfuração e avaliação de reservatórios. Crédito: Divulgação / Viridien.

O objetivo será obter informações sobre o comportamento dos fluidos no reservatório, uma etapa necessária para avaliar as possibilidades de produção comercial.

Na teleconferência de 30 de outubro, O’Neill explicou que a companhia já dispõe de dados geológicos e análises das características dos hidrocarbonetos encontrados. Entretanto, ainda precisa compreender como esses fluidos se movimentam através das rochas.

Para isso, a BP pretende realizar testes de fluxo no primeiro poço de avaliação, permitindo observar o comportamento dos fluidos e reunir dados sobre a capacidade produtiva do reservatório.

A companhia também considera perfurar um segundo poço de avaliação, mas a decisão dependerá dos resultados obtidos na primeira etapa.

Essas informações serão encaminhadas às equipes de engenharia responsáveis por estudar as alternativas de desenvolvimento de Bumerangue.

A campanha marca uma nova fase do empreendimento. A descoberta de hidrocarbonetos foi confirmada em agosto de 2025, mas a definição de um projeto de produção exige informações adicionais sobre o volume recuperável, as características dos fluidos e o desempenho do reservatório.

Produção antecipada está entre as alternativas estudadas

Um dos pontos apresentados pela BP em outubro foi a possibilidade de utilizar um sistema de produção antecipada para iniciar a exploração comercial de Bumerangue antes da conclusão de todo o desenvolvimento planejado.

Esse modelo permite, dependendo das características do reservatório e da infraestrutura escolhida, colocar parte da produção em operação enquanto outras etapas do projeto são executadas.

No entanto, a BP ainda não anunciou uma decisão de investimento, uma plataforma definida ou uma data para o início da produção antecipada.

Segundo Meg O’Neill, a empresa analisa dois caminhos: uma alternativa que possa antecipar receitas e o desenvolvimento completo da descoberta.

A escolha dependerá principalmente dos resultados dos testes programados para a campanha de avaliação.

A executiva também evitou confirmar se a seleção do conceito de desenvolvimento poderá ser concluída até o fim de 2027, prazo que havia sido discutido anteriormente com analistas.

O’Neill afirmou que seria prematuro estabelecer essa data antes de obter os novos dados sobre o reservatório.

Descoberta de Bumerangue tem estimativa de 8 bilhões de barris

O interesse da BP em acelerar a avaliação está relacionado à dimensão dos recursos identificados na descoberta de 2025.

A companhia estima aproximadamente 8 bilhões de barris de líquidos originalmente presentes no reservatório, entre petróleo e condensado de gás natural.

Esse número não representa reservas comprovadas nem significa que todo o volume poderá ser extraído comercialmente. A quantidade efetivamente recuperável ainda dependerá dos resultados técnicos e das futuras decisões de desenvolvimento.

O poço exploratório original de Bumerangue, identificado como 1-BP-13-SPS, alcançou 5.855 metros de profundidade total e atravessou reservatórios carbonáticos do pré-sal.

Navio-sonda Valaris Renaissance, utilizado pela BP na perfuração do poço exploratório que levou à descoberta de petróleo e gás no bloco Bumerangue, em 2025. Crédito: Divulgação / BP

As análises iniciais também identificaram concentrações elevadas de dióxido de carbono nos fluidos, uma característica que deverá ser considerada nos estudos de processamento e desenvolvimento do projeto.

A BP detém 100% de participação no bloco de Bumerangue, adquirido em dezembro de 2022, enquanto a estatal Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) atua como gestora do contrato de partilha de produção.

A Oil & Gas Journal registrou, em outubro de 2025, os resultados iniciais da descoberta e o planejamento da campanha de avaliação.

Com a previsão de deslocamento do Deepwater Mykonos após os trabalhos em Tupinambá, a próxima etapa será a obtenção dos dados de fluxo que a BP considera necessários para definir as alternativas de produção no bloco brasileiro.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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