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BR Offshore prepara estaleiro em área de 6 milhões de m² para desmontar navios e plataformas gigantes no Rio de Janeiro

BR Offshore prepara estaleiro em área de 6 milhões de m² para desmontar navios e plataformas gigantes no Rio de Janeiro

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BR Offshore prepara estaleiro em área de 6 milhões de m² para desmontar navios e plataformas gigantes no Rio de Janeiro

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 09/10/2026 às 17:14

Atualizado em 09/10/2026 às 17:22

Indústria Naval

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BR Offshore prepara estaleiro em área de 6 milhões de m² para desmontar navios e plataformas gigantes no Rio de Janeiro

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BR Offshore prepara complexo de até R$ 950 milhões no Norte Fluminense para descomissionar, desmontar e reciclar navios e plataformas.

Um navio ou plataforma que passou décadas trabalhando no mar pode terminar sua vida útil sendo puxado para uma estrutura industrial onde aço, equipamentos e componentes serão desmontados, separados e devolvidos à cadeia produtiva. Segundo a Brasil Energia, a BR Offshore prepara em Barra do Furado, na divisa entre Campos dos Goytacazes e Quissamã, no Rio de Janeiro, um hub especializado em acostamento, descomissionamento e reciclagem de grandes ativos marítimos. O complexo tem área aproximada de 6 milhões de m², investimento estimado em diferentes apresentações entre cerca de R$ 800 milhões e R$ 950 milhões e projeto executivo concluído, enquanto a empresa trabalha para concluir etapas de licenciamento e iniciar a mobilização das obras em 2027.

BR Offshore prepara um novo tipo de estaleiro no Norte Fluminense

O empreendimento não foi concebido principalmente para construir navios novos. A proposta da BR Offshore é criar uma estrutura capaz de receber embarcações, unidades offshore e plataformas no fim da vida operacional, além de oferecer apoio logístico a ativos que ainda permanecem em operação.

Apresentação da BR Offshore na Firjan Norte Fluminense (Foto: Divulgação Firjan)

A localização em Barra do Furado coloca o projeto próximo da Bacia de Campos, região onde dezenas de plataformas, navios de apoio e outras estruturas marítimas operam há décadas. Essa proximidade reduz a distância entre os ativos offshore e a infraestrutura necessária para reparo, acostamento temporário, desmontagem e reciclagem.

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Investimento pode chegar a R$ 950 milhões

A estimativa financeira variou ao longo das diferentes etapas de apresentação do projeto. A Firjan informou em março investimento de até R$ 900 milhões, enquanto apresentações posteriores da BR Offshore a empresários da região trabalharam com uma faixa entre R$ 800 milhões e R$ 950 milhões.

O empreendimento será financiado pela iniciativa privada, segundo as informações divulgadas até agora. O valor final dependerá da configuração definitiva das instalações, das obras marítimas, das áreas incorporadas ao projeto e das exigências técnicas e ambientais da implantação.

Complexo ocupará aproximadamente 6 milhões de m²

A escala territorial é um dos números mais fortes do projeto. A Prefeitura de Campos informa que o Complexo Logístico Industrial Farol-Barra do Furado possui aproximadamente 6 milhões de metros quadrados, espaço destinado a atividades logísticas, industriais e de reciclagem marítima.

Dentro dessa área deverão surgir estruturas de acostamento, retroáreas industriais e instalações voltadas à desmontagem de partes de embarcações e plataformas.

A BR Offshore também prevê uma rampa especializada para corte de cascos, elemento diretamente ligado ao futuro trabalho de reciclagem naval.

Obras são esperadas para começar em 2027

O projeto executivo já foi concluído, mas o complexo ainda não está em operação. A BR Offshore aguarda no Instituto Estadual do Ambiente, o Inea, a averbação da licença de implantação com a inclusão de novas áreas e da estrutura destinada ao corte de cascos.

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A expectativa divulgada em setembro é iniciar a mobilização no começo de 2027, com obras estimadas entre 24 e 26 meses.

A empresa estuda, porém, antecipar alguns berços de atracação para começar a receber unidades antes da conclusão integral do complexo.

Navios poderão chegar antes de toda a obra ficar pronta

Essa antecipação responde a um problema existente na indústria offshore. Plataformas e embarcações que encerram suas atividades precisam permanecer em condições seguras enquanto aguardam destinação, e manter uma grande unidade parada e tripulada no mar pode gerar custos elevados.

A ideia da BR Offshore é disponibilizar capacidade de acostamento antes de todas as estruturas de reciclagem estarem terminadas.

Dessa forma, o terminal poderia começar a gerar atividade econômica enquanto outras etapas industriais ainda fossem concluídas.

Plataformas antigas poderão virar milhares de toneladas de aço

O descomissionamento é a etapa em que uma estrutura offshore chega ao fim de sua vida produtiva. Equipamentos são retirados, sistemas são limpos, componentes são desmontados e materiais precisam receber uma destinação ambientalmente adequada.

Grande parte de uma plataforma ou navio é formada por aço, material que pode retornar à siderurgia depois de separado e processado.

Equipamentos que permanecem em boas condições também podem ser recuperados e utilizados novamente, reduzindo a quantidade destinada simplesmente ao descarte.

BR Offshore projeta 1,5 milhão de toneladas de aço reciclado

Nas apresentações do projeto, a empresa destacou o tamanho potencial dessa nova cadeia industrial. A projeção apresentada pela BR Offshore aponta que a reciclagem de embarcações e estruturas de óleo e gás no Brasil pode movimentar aproximadamente 1,5 milhão de toneladas de aço nos próximos dez anos.

BR Offshore prepara estaleiro em área de 6 milhões de m² para desmontar navios e plataformas gigantes no Rio de Janeiro

A comercialização desse material poderia gerar receita estimada em aproximadamente R$ 5 bilhões, segundo os números divulgados pela companhia. São projeções de mercado e não contratos já assinados pelo complexo de Barra do Furado.

Bacia de Campos cria uma enorme carteira potencial de ativos antigos

A Bacia de Campos começou a produzir petróleo em larga escala ainda no século passado e acumula uma grande quantidade de instalações offshore em diferentes estágios de vida útil.

Algumas foram modernizadas, outras ganharam novos projetos de revitalização e parte inevitavelmente chegará ao descomissionamento.

Isso cria um novo segmento industrial que cresce à medida que a infraestrutura envelhece. Em vez de enxergar uma plataforma desativada apenas como sucata, empresas especializadas podem transformar estruturas, metais, máquinas e componentes em uma cadeia de serviços, reciclagem e reaproveitamento.

As estimativas de mão de obra também mudaram conforme o projeto foi detalhado. A Prefeitura de Campos trabalha atualmente com cerca de 700 empregos diretos e 1.400 indiretos durante a construção, enquanto projeções anteriores apresentadas em reuniões empresariais mencionaram entre 2 mil e 4 mil postos considerando diferentes fases.

Esses números devem ser tratados como projeções, não como vagas abertas. A quantidade efetiva dependerá do ritmo das obras, do volume de ativos recebidos e das empresas que decidirem instalar operações dentro ou no entorno do complexo.

Fornecedores locais poderão entrar em uma cadeia nova

A BR Offshore já começou a apresentar o projeto a empresas de Campos, Macaé, São João da Barra e outros municípios da região.

A intenção é formar uma cadeia de fornecedores para manutenção, logística, metalurgia, tratamento de materiais, equipamentos, transporte e serviços especializados.

Essa rede pode ampliar o impacto do investimento para além do próprio terminal. Um estaleiro de reciclagem precisa de guindastes, transporte, corte industrial, inspeção, equipamentos ambientais, trabalhadores especializados e empresas capazes de processar ou reaproveitar os materiais retirados.

Projeto também prevê reparos em embarcações offshore

A estrutura planejada não ficará restrita ao desmonte. A BR Offshore informou à Firjan que Barra do Furado também poderá funcionar como base de apoio às operações offshore e estaleiro para reparos de OSVs, sigla usada para embarcações de apoio marítimo.

Esses navios transportam equipamentos, suprimentos e equipes para unidades de petróleo em alto-mar. Ter uma infraestrutura de reparo próxima da Bacia de Campos pode reduzir deslocamentos e abrir outra fonte de atividade para o complexo mesmo quando o volume de reciclagem oscilar.

Reciclagem naval passou a enfrentar regras ambientais mais rígidas

O projeto também chega em um momento de mudança regulatória internacional. A Convenção de Hong Kong, voltada à reciclagem segura e ambientalmente adequada de navios, entrou em vigor em junho de 2025 e aumenta a pressão para que o desmonte seja realizado em instalações preparadas para controlar resíduos e materiais perigosos.

A Firjan defende que o Brasil avance na adaptação regulatória para capturar parte desse mercado. Uma estrutura como Barra do Furado terá de combinar produtividade industrial com rastreabilidade, segurança dos trabalhadores e destinação adequada dos materiais retirados das embarcações.

Barra do Furado tenta transformar fim de vida em nova indústria

Durante décadas, a indústria naval brasileira concentrou grande parte de sua atenção na construção de navios, plataformas e embarcações de apoio.

O amadurecimento da produção offshore cria agora outra frente, formada pelos ativos que começam a chegar ao fim de suas operações.

É nesse mercado que a BR Offshore tenta posicionar Barra do Furado. Se as licenças forem concluídas e o cronograma avançar em 2027, uma área de aproximadamente 6 milhões de m² no Norte Fluminense poderá começar a receber navios e plataformas que deixaram de produzir, mas ainda carregam milhares de toneladas de aço, equipamentos e componentes com valor econômico.

O projeto transforma o descomissionamento em atividade industrial própria. Em vez de o fim de uma plataforma representar apenas custo, a BR Offshore pretende criar uma cadeia capaz de gerar serviços, recuperar materiais, alimentar siderúrgicas e manter parte da mão de obra naval trabalhando justamente depois que o ativo deixa de operar no mar.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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