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Brasil aposta em tecnologia aberta para reduzir dependência de chips importados, libera R$ 50 milhões para aceleradores de IA e planeja investir mais R$ 75 milhões nas próximas etapas
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 27/10/2026 às 19:48
Atualizado em 27/10/2026 às 20:12
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O Brasil liberou R$ 50 milhões para projeto da Unicamp, Eldorado e CTI Renato Archer que busca criar aceleradores de inteligência artificial com tecnologia aberta. Mais R$ 75 milhões estão previstos para as próximas fases.
O Brasil já liberou R$ 50 milhões para tentar desenvolver seus próprios aceleradores de inteligência artificial, peças essenciais para computadores que executam tarefas de IA. Outros R$ 75 milhões estão previstos, em um projeto que quer reduzir a compra de tecnologia estrangeira e abrir caminho para equipamentos feitos com conhecimento brasileiro.
A corrida começou oficialmente em 13 de outubro de 2026, com a apresentação do projeto em Campinas, no interior de São Paulo. Unicamp, Instituto Eldorado e CTI Renato Archer reuniram forças para criar um sistema capaz de realizar cálculos de IA com mais velocidade, entrando em uma área hoje dominada por grandes empresas internacionais.
Governo liberou R$ 50 milhões e pretende chegar a R$ 125 milhões nas próximas fases
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação liberou R$ 50 milhões para o primeiro ano do projeto Nó Computacional e Acelerador de Inteligência Artificial em RISC-V. O anúncio do CTI Renato Archer aponta apoio de fundos e instituições públicos, incluindo FNDCT, BNDES e Finep.
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A previsão é liberar mais R$ 75 milhões nas fases seguintes. O valor total de R$ 125 milhões reúne dinheiro que já foi liberado e recursos futuros anunciados. Os pesquisadores começarão a demonstrar o resultado do investimento com os projetos dos circuitos, as placas e os primeiros testes.
Projeto quer criar em Campinas uma peça essencial para computadores de inteligência artificial
O CTI Renato Archer participará da construção de um chamado acelerador matricial. O nome técnico descreve um conjunto de chips instalados em uma placa que trabalham juntos para resolver contas complexas, exigidas por diferentes programas de inteligência artificial.
Ao dividir esse trabalho entre vários componentes, a equipe pretende obter capacidade de cálculo para programas especializados. O Instituto Eldorado e a Unicamp executam o projeto, enquanto o CTI participa do desenho das peças e da avaliação dos equipamentos produzidos ao longo da pesquisa.
Arquitetura aberta permite desenhar chips sem pagar royalties pelo padrão usado
Os pesquisadores escolheram a RISC-V, tecnologia aberta que serve como base para desenhar processadores. Empresas e universidades podem adaptar esse padrão de instruções para criar modelos próprios sem pagar royalties pelo seu uso, uma vantagem diante de sistemas fechados.
A escolha permite que o país participe do desenvolvimento de projetos de chips mesmo sem controlar todas as fábricas da cadeia mundial. A etapa de fabricar os componentes exige outros equipamentos e fornecedores; o investimento anunciado está voltado ao desenvolvimento e aos testes da tecnologia nacional.
Peças terão que resistir a mudanças de temperatura e vibração antes de chegar às empresas
O trabalho do CTI inclui montar protótipos, conferir o comportamento dos circuitos e submeter as peças a testes. Entre as verificações previstas estão resistência a diferentes temperaturas e vibração, condições que ajudam a revelar defeitos em componentes eletrônicos.
Os resultados serão comparados com normas brasileiras e internacionais para avaliar se as peças podem funcionar com segurança e regularidade. Só depois desses passos os parceiros poderão avançar na meta de criar um produto comercial; o anúncio não estabeleceu uma data de venda nem apresentou quantidade de equipamentos para produção.
Dependência externa provoca déficit anual de US$ 8 bilhões, segundo o centro federal
O CTI aponta um déficit de US$ 8 bilhões por ano associado à dependência brasileira de semicondutores importados. A produção desses componentes está distribuída por países e empresas que detêm fábricas, equipamentos e conhecimentos usados em diferentes etapas do processo.
O Brasil tenta conquistar espaço em partes dessa cadeia, sem anunciar a substituição completa das importações. Alessandro Campos, coordenador da área de semicondutores do ministério, defendeu a participação em segmentos nos quais o país possa desenvolver produtos úteis também para compradores estrangeiros.
Petrobras e Embraer aparecem entre as possíveis interessadas em soluções de IA feitas no Brasil
O projeto mira sistemas de IA dedicados a trabalhos específicos, como criar imagens ou analisar informações do clima. A ideia é desenvolver equipamentos voltados a essas tarefas, e não concentrar os recursos na construção de um grande programa de conversação que faça de tudo.
Segundo Alessandro Campos, existe demanda brasileira por equipamentos desse tipo, inclusive em companhias como Petrobras e Embraer. As empresas foram citadas como exemplos de demanda pelo setor; a apresentação não informou encomendas fechadas nem anunciou que os novos equipamentos já estejam em uso.
Investimento está dentro do plano brasileiro de IA que prevê R$ 23 bilhões até 2028
O projeto faz parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 2024–2028, programa que prevê cerca de R$ 23 bilhões em iniciativas de pesquisa, computadores de alto desempenho, formação profissional e uso de IA em empresas e serviços públicos.
No lançamento, a diretora do CTI Renato Archer, Juliana Daguano, afirmou que Campinas pode ir além de receber grandes centros de processamento de dados: “nós vamos desenvolver o nosso supercomputador”. A declaração acompanha uma aposta no desenvolvimento de equipamentos e profissionais dentro do polo tecnológico paulista.
Agora, pesquisadores precisam entregar protótipos e provar que o equipamento pode funcionar no mercado
Depois do lançamento e da primeira liberação de recursos, as próximas entregas esperadas são o desenho dos circuitos, os protótipos e os testes de resistência. A equipe também precisará comprovar que os equipamentos conseguem executar os trabalhos de IA para os quais estão sendo desenvolvidos.
O governo anunciou a intenção de criar tecnologia brasileira que possa atender empresas nacionais e até ser exportada. A passagem da pesquisa para as linhas de produção dependerá dos resultados alcançados e das etapas adicionais de financiamento previstas para o projeto.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

