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Brasil aprova R$ 147,6 milhões para o INPE desenvolver inteligência artificial que mapeará queimadas a 30 metros e levará alertas de desmatamento aos seis biomas brasileiros
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 27/10/2026 às 20:28
Atualizado em 27/10/2026 às 20:31
Ciência e Tecnologia
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Projeto SIM-Biomas receberá R$ 147,6 milhões do Fundo Amazônia para integrar Prodes e Deter, ampliar alertas de desmatamento e mapear áreas queimadas com resolução de 30 metros em todos os biomas brasileiros.
O Brasil aprovou R$ 147,6 milhões do Fundo Amazônia para desenvolver ferramentas capazes de identificar queimadas, desmatamento e degradação da vegetação por satélite. O dinheiro financiará o SIM-Biomas, projeto que utilizará inteligência artificial sob coordenação técnica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Entre as entregas está uma mudança expressiva no mapa das queimadas: nos biomas em que o monitoramento nacional ainda trabalha com resolução de 1 quilômetro, a nova metodologia deverá alcançar 30 metros. O Cerrado já é exceção ao padrão atual. A tecnologia planejada deverá atender aos seis biomas do Brasil.
R$ 147,6 milhões financiarão cinco anos de desenvolvimento no INPE
O investimento foi anunciado em 16 de outubro de 2026, na apresentação de dados de desmatamento. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), gestor do Fundo Amazônia, aprovou o projeto em coordenação com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
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O apoio é não reembolsável, e a execução está prevista para durar 60 meses. A Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate) será a executora administrativa, com desenvolvimento técnico do INPE. Esse prazo abrange a construção e o aperfeiçoamento dos sistemas anunciados.
Mapa de queimadas ganhará resolução de 30 metros em todos os biomas brasileiros
As chamadas cicatrizes de queimadas são marcas deixadas pelo fogo na vegetação e identificadas em imagens de satélite. De acordo com o INPE, o mapeamento nacional dessas áreas ainda utiliza resolução de 1 quilômetro, com exceção do Cerrado.
A meta de 30 metros permitirá distinguir áreas atingidas pelo fogo com detalhes espaciais muito menores. O programa também prevê produzir mapas regulares e séries históricas com a metodologia, oferecendo informações para planejar ações de prevenção e de combate aos incêndios florestais.
Prodes e Deter serão integrados para acelerar a identificação de desmatamento
O novo projeto pretende unir duas ferramentas usadas pelas autoridades ambientais. O Prodes calcula a perda de vegetação nativa e produz as taxas de desmatamento; o Deter identifica alterações e fornece alertas em tempo quase real para orientar equipes de fiscalização.
Com inteligência artificial aplicada às imagens, o INPE quer combinar o detalhamento do Prodes com a rapidez do Deter. Também estão previstos alertas automatizados e dados do Prodes produzidos com maior frequência, inclusive ao longo do ano, para reduzir a demora na identificação de mudanças na vegetação.
Caatinga, Mata Atlântica e Pampa entrarão na cobertura de alertas diários
Atualmente, o monitoramento diário de supressão e degradação realizado pelo INPE abrange Amazônia, Cerrado e Pantanal. O plano é expandir o Deter para Caatinga, Mata Atlântica e Pampa, cobrindo todos os seis biomas brasileiros.
Com a ampliação, áreas fora da Amazônia passarão a contar com informações mais frequentes sobre a perda de vegetação. Os alertas poderão ajudar órgãos federais, estaduais e municipais a definir os locais que precisam de vistoria ou de medidas de proteção.
Inteligência artificial cruzará clima e uso da terra para apontar onde o risco é maior
Uma das entregas mais ambiciosas será o Subsistema de Inteligência Territorial. A ferramenta reunirá dados de desmatamento, degradação e recuperação da vegetação com informações sobre propriedades rurais, economia e clima, usando modelos de aprendizado de máquina para calcular indicadores de risco de curto prazo.
As análises poderão ser organizadas por bacias hidrográficas e terras indígenas. O sistema também deverá simular trajetórias futuras de desmatamento e recuperação da vegetação sob diferentes condições econômicas, climáticas e de políticas públicas, ajudando a distribuir esforços de prevenção.
Aviões recolherão amostras de ar na Amazônia para medir quatro gases
O SIM-Biomas inclui outra frente de pesquisa: sobrevoos para coletar amostras da atmosfera amazônica e medir dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e monóxido de carbono. Essas medições ajudarão os pesquisadores a comparar a composição do ar com as estimativas feitas a partir de imagens de satélite.
O trabalho prevê atualizar mapas de biomassa e carbono na Amazônia e no Cerrado e aperfeiçoar os cálculos de emissões ligadas a desmatamento, degradação e regeneração. Os resultados poderão alimentar os inventários de gases de efeito estufa e os relatórios climáticos enviados pelo Brasil.
TerraBrasilis++ concentrará mapas, alertas e projeções ambientais em plataforma pública
Os resultados dos diferentes sistemas serão reunidos na TerraBrasilis++, nova plataforma pública planejada pelo INPE. O ambiente deverá apresentar mapas, gráficos, indicadores de risco, alertas e projeções para consulta por instituições e cidadãos.
O projeto prevê uma sala de situação com acompanhamento de alertas e uma sala de cenários para comparar projeções de longo prazo. A infraestrutura computacional do instituto também será ampliada para processar e armazenar volumes maiores de imagens, mosaicos e dados geográficos.
Novos mapas complementarão R$ 521 milhões já contratados para combate ao fogo
O BNDES informou que o Fundo Amazônia já contratou R$ 521 milhões em ações de prevenção e combate a incêndios em 14 estados e três biomas. Os recursos incluem reforço a bombeiros, brigadas, equipamentos e estruturas operacionais.
O investimento de R$ 147,6 milhões terá a missão de aprimorar a informação usada por essas equipes e pelos órgãos de fiscalização. Ao longo dos próximos cinco anos, os sistemas planejados deverão mostrar com mais detalhes onde o fogo passou, identificar mudanças na vegetação com maior rapidez e apontar regiões com risco ambiental elevado.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

