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Brasil atrai US$ 86,6 bilhões em 12 meses e chama atenção com uma combinação incomum: 88% de eletricidade renovável, minerais estratégicos, petróleo e data centers disputando espaço entre investidores globais
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 26/10/2026 às 20:30
Atualizado em 26/10/2026 às 20:47
Economia
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Dados do Banco Central mostram avanço de 9,2% em relação ao acumulado de agosto de 2025, enquanto energia renovável, mineração, petróleo e infraestrutura digital aparecem entre as áreas associadas ao interesse estrangeiro no país.
O investimento direto no país chegou a US$ 86,6 bilhões no acumulado de 12 meses até agosto, com recursos ligados a atividades que vão de energia e mineração à infraestrutura digital. O resultado ficou acima dos US$ 79,3 bilhões registrados no mesmo recorte um ano antes.
A série do Banco Central do Brasil mostra que o volume correspondia a 3,39% do Produto Interno Bruto e representa crescimento de aproximadamente 9,2% na comparação anual. Somente em agosto, os ingressos líquidos alcançaram US$ 7,4 bilhões.
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O resultado mensal reuniu US$ 9,3 bilhões em participação no capital, dos quais US$ 5,7 bilhões corresponderam a lucros reinvestidos. Houve, ao mesmo tempo, saídas líquidas de US$ 1,9 bilhão nas operações entre empresas relacionadas.
O que entra no investimento direto
O indicador não representa apenas dinheiro aplicado na construção de fábricas, parques de geração ou centros de dados. Ele reúne diferentes relações financeiras entre investidores estrangeiros e empresas instaladas no Brasil, incluindo aportes de capital, reinvestimento de lucros e operações entre companhias relacionadas.
Por isso, os US$ 86,6 bilhões não equivalem ao valor de novas obras iniciadas no período. A própria composição de agosto mostra que parte relevante do fluxo veio de lucros reinvestidos por companhias que já operam no país.
A dimensão internacional do movimento foi destacada pela agência EFE, que classificou o acumulado como recorde. A reportagem informou ainda que o Brasil havia sido, em 2025, o terceiro maior destino mundial de investimento estrangeiro, atrás de Estados Unidos e China, com base em dados da OCDE.
A EFE também citou levantamento da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento segundo o qual o Brasil recebeu 43% dos fluxos destinados à América Latina. Entre os setores associados ao capital estrangeiro aparecem energia renovável, mineração, centros de dados, indústria farmacêutica e madeira.
A presença de atividades diferentes no mesmo recorte não permite concluir que os recursos tenham sido distribuídos de maneira uniforme. O valor agregado do Banco Central também não identifica, por si só, quanto cada um desses segmentos recebeu no período.
Renováveis, minerais, petróleo e centros de dados
Na área de energia, a composição da matriz elétrica brasileira aparece entre os fatores destacados pela agência. A reportagem informa que 88% da eletricidade do país vem de fontes renováveis, com participação da geração hidrelétrica e presença de fontes como eólica e solar.
Essa característica também aparece relacionada à infraestrutura digital porque centros de dados exigem fornecimento elevado e contínuo de eletricidade. Cada empreendimento, porém, permanece sujeito a condições próprias de custo, disponibilidade de infraestrutura, licenciamento e cronograma antes de chegar à operação.
O interesse em atividades ligadas à transição energética convive com investimentos em setores tradicionais. A EFE aponta minerais críticos e terras raras entre as áreas acompanhadas por investidores estrangeiros e registra, paralelamente, projetos vinculados à indústria de petróleo.
O recorte reúne, portanto, atividades com características diferentes: geração renovável, recursos minerais estratégicos, óleo e gás e infraestrutura necessária aos centros de dados. A presença desses setores no mesmo fluxo não significa que todos estejam no mesmo estágio de implantação.
Um anúncio empresarial, uma intenção de investimento, um aporte financeiro e a entrada em operação de um empreendimento representam momentos distintos. Essa diferença impede que o volume registrado como investimento direto seja tratado automaticamente como obra executada, contratação realizada ou nova capacidade produtiva já disponível.
A referência temporal também limita interpretações políticas sobre o dado. A série utilizada pela EFE termina em agosto e, portanto, não representa uma reação à eleição de domingo (25) nem permite relacionar o fluxo registrado pelo Banco Central a acontecimentos ocorridos depois do período medido.
Para avaliar o efeito do capital estrangeiro sobre a economia local, será necessário observar quais projetos avançam para etapas como construção, contratação, compra de equipamentos e início da produção. Os próximos dados mensais do Banco Central também indicarão se o volume acumulado mantém a trajetória observada até agosto.
Fonte
https://efecomunica.efe.c
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

