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Brasil caminha para dívida pública maior que toda a riqueza produzida em um ano: FMI prevê 100% do PIB em 2027 e alerta para avanço do endividamento
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 13/10/2026 às 13:36
Atualizado em 13/10/2026 às 14:41
Economia
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Projeções do FMI indicam que a dívida brasileira pode alcançar 106,5% do PIB até 2031. Economistas alertam que juros elevados, desequilíbrio fiscal e perda de confiança dos investidores podem agravar ainda mais esse cenário
A dívida pública brasileira pode ultrapassar 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). Juros elevados, déficits fiscais e crescimento econômico insuficiente alimentam uma trajetória de endividamento que preocupa economistas.
FMI prevê dívida brasileira de 106,5% do PIB até 2031
O levantamento Fiscal Monitor, do FMI, aponta que a dívida bruta brasileira deve subir de 93,3% do PIB em 2025 para 96,5% em 2026, alcançar 100% em 2027 e atingir 102,3% em 2028.
A projeção chega a 106,5% em 2031. O fenômeno é chamado de snowball effect, ou efeito bola de neve: os juros aumentam o endividamento quando o resultado fiscal e o crescimento econômico não conseguem compensar esse custo.
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Em 2025, o Brasil registrou déficit nominal de 8,1% do PIB, segundo o FMI. No mesmo ano, o estoque da Dívida Pública Federal cresceu 18%, alcançando R$ 8,635 trilhões.
Em junho de 2026, esse estoque chegou a R$ 9,268 trilhões. A Selic estava em 15% ao ano em agosto, pressionando o custo de financiamento do governo.
Por que a dívida brasileira preocupa mais que a americana e a chinesa?
Apesar da trajetória preocupante, o Brasil não possui a maior dívida entre as três economias.
O FMI projeta que a dívida americana alcance aproximadamente 142% do PIB em 2031. Na China, a estimativa é de 126,8%. A diferença está principalmente nas condições de financiamento.
Segundo Jorge Ferreira dos Santos Filho, professor da ESPM, o Brasil compromete aproximadamente 8% a 9% do PIB com juros.
Os Estados Unidos possuem uma vantagem importante: o dólar é a principal moeda de reserva internacional, o que sustenta a demanda por títulos americanos.
Já a China enfrenta riscos relacionados à desaceleração econômica e à demanda doméstica, com possíveis consequências para o comércio mundial.
Selic elevada e déficit fiscal alimentam o endividamento
Para Gesner Oliveira, sócio da GO Associados e professor da FGV, a resistência aos ajustes fiscais ajuda a explicar a situação brasileira.
Ele afirma que a Selic elevada também reflete a fragilidade das contas públicas, além das pressões inflacionárias.
A expectativa de inflação mencionada pelo economista rondava 5%, acima do teto de 4,5% da meta.
Oliveira também questiona a efetividade do arcabouço fiscal, argumentando que a exclusão de determinadas despesas permite cumprir metas formais sem produzir o ajuste necessário.
Segundo ele, estabilizar a dívida exigiria superávit primário superior a 2% do PIB, enquanto o país enfrenta dificuldades para alcançar até mesmo 1%.
Perda de confiança pode encarecer ainda mais a dívida
Outro problema é a reação dos investidores.
Oliveira relata uma saída expressiva de capitais em agosto e alerta que a deterioração da confiança pode elevar os juros de longo prazo, mesmo diante de eventuais cortes da Selic.
Isso encarece a renovação dos títulos públicos e dificulta a administração da dívida.
Apesar dos riscos, o economista ressalta que o Brasil ainda possui margem de manobra, apoiada pelas reservas internacionais e por uma inflação considerada administrável.
Na avaliação dele, um compromisso efetivo com o ajuste fiscal é necessário para estabilizar a trajetória do endividamento, embora não seja suficiente, isoladamente, para resolver o problema.
Fonte principal usada como base: Forbes.
Fonte
https://forbes.com.br/for
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

