Brasil chegou a 234,3 milhões de bovinos e 1,6 bilhão de galináceos em 2025, passou de 1 boi por brasileiro e tem cidade com 370 poedeiras por morador
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 02/10/2026 às 00:17
Agronegócio
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Pesquisa do IBGE revela recordes na produção de leite e ovos e mostra municípios onde rebanhos superam em dezenas ou centenas de vezes o número de habitantes
Em 2025, o Brasil terminou o ano com 234,3 milhões de bovinos e cerca de 1,6 bilhão de galináceos, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em 30 de setembro de 2026. Comparados aos 213,4 milhões de habitantes, esses números ajudam a dimensionar o tamanho da produção animal brasileira.
A relação equivale a 1,1 bovino e aproximadamente 7,5 galináceos por brasileiro. Em outras palavras, existia mais de um boi e quase oito aves para cada pessoa no país. O termo “galinhas”, usado de maneira simplificada nessa comparação, representa os galináceos contabilizados pelo IBGE, grupo que também inclui frangos e galos.
Os números ficam ainda mais expressivos quando observados em escala municipal. São Félix do Xingu, no Pará, tinha aproximadamente 43 bovinos por morador. Já Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo, alcançava cerca de 370 galinhas poedeiras por habitante.
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Rebanho bovino caiu pelo segundo ano seguido, mas Brasil ainda manteve mais de um animal por habitante
O rebanho bovino brasileiro chegou a 234,3 milhões de cabeças em 2025, queda de 1,7% em relação ao ano anterior. Esse foi o segundo recuo consecutivo e levou o efetivo nacional ao menor patamar desde 2022.
A redução dos rebanhos, porém, ocorreu em um período de recorde nos abates. O país chegou a 43 milhões de bovinos abatidos durante 2025. As exportações de carne bovina in natura também cresceram 21,4% em volume e 42,5% em receita.
O Centro-Oeste concentrava 72,2 milhões de bovinos, equivalentes a 30,8% do total nacional. O Norte aparecia depois, com 63,4 milhões, seguido pelo Sudeste, com 37,4 milhões. Entre os estados, Mato Grosso liderava com 31,6 milhões de cabeças, à frente do Pará, com 25,6 milhões, e de Goiás, com 22,5 milhões.
São Félix do Xingu chegou a 2,7 milhões de bovinos e tinha cerca de 43 animais para cada morador
A concentração de bovinos se torna ainda mais evidente quando o levantamento chega aos municípios. São Félix do Xingu, no Pará, liderava o país com aproximadamente 2,7 milhões de bovinos, enquanto sua população era de cerca de 63 mil habitantes.
O tamanho do território, superior a 84 mil km², e o peso da pecuária na economia local ajudam a contextualizar essa diferença. Quando rebanho e população são colocados lado a lado, o resultado chega a aproximadamente 43 bovinos para cada habitante.
Corumbá, em Mato Grosso do Sul, aparecia em seguida, com 2,2 milhões de bovinos. Porto Velho tinha 1,7 milhão, Cáceres registrava 1,4 milhão e Marabá contabilizava 1,3 milhão. Juntos, os cinco municípios reuniam cerca de 9,3 milhões de cabeças.
Produção brasileira de leite atingiu recorde mesmo com o menor número de vacas ordenhadas desde 1979
A pecuária leiteira apresentou outro movimento relevante em 2025. O número de vacas ordenhadas caiu 2,7%, chegando a 14,7 milhões de animais, menor efetivo registrado desde 1979, enquanto a quantidade de leite produzida aumentou.
A produção nacional alcançou 36,7 bilhões de litros, crescimento de 2,7% e recorde da série histórica. O resultado ocorreu principalmente pelo avanço da produtividade, que chegou a 2.498,7 litros por animal durante o ano, alta de 5,6%.
O valor dessa produção atingiu R$ 89,5 bilhões. O desempenho mostra como o aumento da produtividade permitiu ao setor produzir mais leite mesmo utilizando um número menor de vacas.
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Viviane Alves
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Brasil tinha 1,6 bilhão de galináceos e produziu aproximadamente 68 bilhões de ovos durante 2025
A criação de aves alcançou uma escala ainda maior. O país possuía cerca de 1,6 bilhão de galináceos em 2025, crescimento de 1,6% em comparação ao ano anterior e quantidade equivalente a aproximadamente 7,5 aves por brasileiro.
A produção de ovos também avançou e chegou a 5,7 bilhões de dúzias, o equivalente a aproximadamente 68 bilhões de unidades. Dividido pela população, esse volume corresponde a cerca de 321 ovos por brasileiro durante o ano.
Essa dimensão nacional, entretanto, esconde concentrações municipais muito maiores. Uma delas aparece no Espírito Santo, onde uma cidade com pouco mais de 40 mil habitantes reunia milhões de aves destinadas principalmente à produção de ovos.
Santa Maria de Jetibá reuniu 15,1 milhões de poedeiras e chegou a cerca de 370 galinhas por habitante
Santa Maria de Jetibá tinha aproximadamente 41 mil habitantes em 2025, mas mantinha cerca de 15,1 milhões de galinhas poedeiras. A comparação resulta em aproximadamente 370 poedeiras para cada morador, número que se aproxima de 400 quando arredondado.
As galinhas poedeiras são aves criadas para produção de ovos, diferentemente daquelas destinadas principalmente à produção de carne. Quando todos os galináceos são considerados, o município possuía aproximadamente 18,4 milhões de aves.
A atividade também tinha forte participação na economia municipal. Santa Maria de Jetibá registrou aproximadamente R$ 2,1 bilhões em valor da produção de origem animal em 2025, com participação relevante da produção de ovos.
Pecuária brasileira também reunia 44 milhões de suínos, 22,3 milhões de ovinos e milhões de outros animais
A dimensão da produção animal brasileira vai além dos bovinos e galináceos. Em 2025, o país também possuía aproximadamente 44 milhões de suínos, 22,3 milhões de ovinos, 16,8 milhões de codornas e 13,5 milhões de caprinos.
O levantamento registrou ainda 5,6 milhões de equinos e 1,8 milhão de bubalinos. Na piscicultura, Morada Nova de Minas, em Minas Gerais, liderava a produção brasileira de peixes em cativeiro, com aproximadamente 32 mil toneladas.
O valor da produção de origem animal e da aquicultura chegou a R$ 141,2 bilhões em 2025. O leite respondeu por R$ 89,5 bilhões, enquanto os ovos movimentaram R$ 36,4 bilhões.
Os dados da Pesquisa da Pecuária Municipal mostram uma produção animal de escala bilionária e diferenças enormes entre regiões e municípios. Ao mesmo tempo, revelam uma mudança importante na produtividade: no leite, menos vacas produziram um volume recorde, enquanto bovinos e aves continuaram numericamente acima da população brasileira.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

